O exemplo francês
O Jornal do Engenheiro, do SENGE-RJ, publicou no seu número 102, de novembro/06, uma mini-entrevista com o sindicalista francês, membro da ONG Direito à Energia, Sr. Joel Silva, sobrenome herdado de seus ascendentes portugueses.
A propósito, Joel Silva foi um dos organizadores, junto com o Ilumina e o Senge-RJ, do seminário “Direito à Energia” no último Fórum Social Mundial realizado em Porto Alegre.
Destacamos da matéria alguns trechos que julgamos serem muito oportunos para nós brasileiros.
“PRIVATIZAR NÃO É A SOLUÇÃO. A situação na França, apesar dos neoliberais, mostra que privatizar não é a solução. É possível ter serviços públicos de qualidade nas mãos do Estado. Basta seriedade e transparência no trato da coisa pública, evitando os conhecidos apadrinhamentos e divisão de cargos por critérios meramente políticos”.
Agamenon Oliveira, presidente do Senge-RJ, acrescentou ainda que “além da transparência, seriedade e critérios para a escolha dos dirigentes das empresas públicas é fundamental que elas também estejam submetidas a algum tipo de controle social, principalmente pela abertura de seus Conselhos Administrativos para a sociedade civil organizada. Também a longo prazo devemos transformar as Agências Reguladoras em órgãos de controle social e popular”.
“O ideário neoliberal resiste e quer mostrar à força que o melhor, o moderno, é mesmo privatizar. Outra mentira. Prova disso é a situação da França, país que figura na lista dos mais desenvolvidos, tanto em índices sociais quanto econômicos.
No período de pós-guerra a França nacionalizou as principais empresas estratégicas…Essa estatização foi fundamental para o crescimento da economia francesa e a reconstrução do país. É o caso da EDF–Electricité de France–que àquela época era uma geradora de base hidráulica e hoje é uma grande produtora e exportadora de energia de base nuclear.”
“Até hoje existe no país uma legislação que faz com que o setor estratégico esteja nas mãos do estado ou da iniciativa privada nacional.”