O Plano de Revitalização – Comentários

DIVULGOU-SE UM PLANO DE REVITALIZAÇÃO DO ILUMINA

 

 

Em agosto/setembro de 2012 um grupo de engenheiros fundadores do Ilumina distribuiu um plano de conceitos e diretrizes para o que anunciam ser a revitalização da entidade.

 

Passamos a comentar o texto como uma pertinente e necessária contribuição para a história do Ilumina.

 

1 – Relação com a mídia

É verdade que a diretoria cujo mandato agora termina, a partir de 2005 não deu prioridade a um relacionamento com a grande mídia. Não considerou o ambiente monopolista da imprensa no Rio de Janeiro e duopolista em São Paulo, dignos de confiança, além de reacionários e conservadores. Por outro lado, no Recife, o núcleo Ilumina-Nordeste, manteve freqüentes e produtivos contatos com a imprensa nordestina onde não existe um cenário negativo tão nítido. Os poucos contatos com a mídia no sudeste foram provocados por jornalistas que entraram, geralmente por telefone, em contato com o Ilumina. Em todos esses casos foram bem atendidos e, na maioria, alertados para o fato que suas questões tinham sido ou estavam sendo tratadas na página eletrônica do Ilumina.

 

Um contato com a imprensa televisiva internacional foi particularmente traumático. O Secretário Executivo foi solicitado a dar uma entrevista via satélite à TV Al Jazeera sobre a hidrelétrica de Belo Monte. Deslocou-se para uma produtora brasileira contratada para tais tarefas em local próximo ao Riocentro. O pessoal dessa empresa era de grande competência e atenção. Via imagem e áudio, o secretário executivo foi colocado em contato com o entrevistador da TV árabe. A primeira pergunta já definiu a linha esperada pelo entrevistador, dentro de uma campanha internacional: o Ilumina ser contra Belo Monte. Imediatamente foi informado que não era bem esse nosso posicionamento. O entrevistador imediatamente cortou o contato e a entrevista foi encerrada.  O episódio foi imediatamente informado por celular à senhora que de São Paulo tinha mantido os contatos de coordenação da entrevista. Registro mais detalhado foi feito no mesmo dia, via email, para o executivo ocidental da Al Jazeera.

 

 

2 – Contatos com a sociedade, o poder legislativo e políticos em geral

Temos consciência que a via única de divulgação do Ilumina, isto é, sua página eletrônica teve acessos crescentes a partir de 2005, sobretudo se comparado com o período 2003-2004. Se não tivemos elos diretos e pessoais com parlamentares e o poder executivo, deve-se nosso comportamento à certeza e sintomas claros, que as assessorias parlamentares e ministeriais acessavam nossa página nos grandes episódios em que o Ilumina se envolveu. Mas devemos deixar claro que no alegado período áureo do Ilumina de 1997 a 2004, na grande maioria das ocasiões, os contatos com políticos privilegiavam as vantagens possíveis a serem obtidas dos próprios contatos em busca de cargos, em um novo governo que tendia a acontecer na eleição de 2002. Tanto que, ocorrida essa expectativa a partir de janeiro de 2003, vários diretores preferiram outros caminhos, certamente legítimos, mas com características que naquele momento puderam, infeliz e inesperadamente, serem denominadas de neofisiológicas.

 

Os signatários não compactuam com tais comportamentos. Como escreveu Graciliano Ramos no seu relatório da prefeitura de Palmeira dos Índios em 1929:

 

“Há quem não compreenda que um ato administrativo seja isento de lucro pessoal; há até quem pretenda embaraçar-me em coisa tão simples como mandar quebrar as pedras dos caminhos.”

 

E não compactuando com os hábitos e comportamentos históricos ainda prevalentes no país, ficaram enfraquecidas as possíveis influências corretoras que o Ilumina poderia ter tido nos grandes tópicos, que caminharam mal, no setor elétrico. Realmente, nesse sentido e só nesse sentido, nossa atuação pode ser qualificada de “modesta”.

 

 

3 – O Núcleo do Nordeste e a colaboração do engenheiro Roberto D’Araujo

Sem nenhuma dúvida, o engenheiro José Antonio Feijó no nordeste foi o elaborador dos grandes textos de análise e defesa dos grandes tópicos em que o Ilumina se envolveu desde 2005. Esse fato foi comentado pelos signatários em diversas ocasiões. Cristalino.

O engenheiro Roberto D’Araujo, por decisão própria, se desligou do Ilumina em 2004. Apesar de ter deixado de ter ligações formais com a entidade, foi prestigiado como o grande analista e conhecedor técnico do setor. Publicou diversos excelentes artigos na página eletrônica e esteve presente em diversas mesas redondas e seminários, onde era nomeado como diretor do Ilumina. Sempre bem-vindo.  

A página do Ilumina foi colocada à disposição de todos os outros membros desse grupo, mas NINGUÉM enviou qualquer colaboração ou análise, mesmo em artigos assinados.

 

4 – MIFU

Outro candidato à revitalização do Ilumina, como presidente da MIFU, teve uma reunião com os signatários há cerca de 1 ano. Tentou argumentar, muito bem intencionado, em favor da paz, tão necessária em face de objetivos estratégicos mais importantes. Com plena confiança pessoal foram-lhe narrados os eventos nada edificantes ocorridos em 2002. Foi convidado com ênfase a, como presidente da entidade de acionistas minoritários, colaborar com a página do Ilumina, fazendo uma análise da situação do setor, análise essa até hoje não enviada.

 

 

5 – Outros Tópicos:

 

Ao propor alguns nomes para a diretoria e conselho fiscal, o grupo, que se pretende revitalizador, deveria examinar com mais cuidado indicações de candidatos que tiveram más atuações gestionárias em empresas do setor ou nas suas Fundações de Previdência e no próprio Ilumina. Infelizmente nossa entidade não criou ainda o Conselho de Ética como outras entidades já o fizeram.

 

– Na introdução ao programa de prioridades da chapa, afirmam uma verdade indiscutível. Lula / Dilma teriam “maquiado” em 2004, o modelo mercantil de FHC. Só ressaltamos um detalhe: ouviram ou leram esse termo em artigo do diretor do núcleo nordeste, engenheiro José Antonio Feijó.

 

– Dos candidatos propostos para a diretoria e Conselho Fiscal, Carlos Kirchner, Paulo César Fernandez, Nestor de Oliveira e Otavio Madeira ainda são diretores e conselheiros desde 2005. Kirchner sempre esteve pronto a colaborar. Mas reside a 300 km de S. Paulo e não pode participar como gostaria. Paulo César ausentou-se a partir do momento em que se transferiu de Furnas para a Eletrobrás.

 

– A atuação do Ilumina desde 2005 não foi nada modesta. Limitada, sem dúvida pelo cuidado nos dispêndios e no uso das reservas aplicadas e também com a evasão de sócios contribuintes pessoas físicas, numa situação de déficit crônico. Com o grupo que agora se reapresenta, salvo as exceções já comentadas, negando-se a colaborar com as campanhas levadas a cabo pela entidade.

 

– Foi mantido um canal direto com o movimento sindical através da FNU, INTERSUL, Plataforma/MAB e FISENGE, tendo o Ilumina participado de diversos eventos na região sul, e na Cúpula dos Povos no Rio, onde se posicionou a favor da renovação das concessões e contra a privatização das empresas públicas de energia.

 

– Um ponto da maior importância para a diretoria que encerra agora seu mandato foi a ética e transparência no uso dos recursos financeiros da entidade, que sempre foram usados a serviço da mesma.

 

 

 

P/ Diretoria

 

Luiz Pereira A. Filho       Olavo Cabral R. Filho

Editor da página             Secretário Executivo

 

 

Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2012.

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