ETANOL, acordo mais político que técnico
Brasil e EUA estão anunciando uma parceria que visa a pesquisa e o desenvolvimento de biocombustíveis, e também para criar um mercado global para o etanol numa tentativa de reduzir as dependências do petróleo. Fala-se também em tratar o etanol como uma “commodity” energética mais que um produto agrícola.
Não faz muito tempo o presidente Bush declarou que a América, leia-se EUA, é viciada em petróleo. No original “America is addicted to oil”. No seu recente discurso ao Congresso lançou um programa de energia para reduzir 20% do consumo total de gasolina no país, nos próximos 10 anos.
O projeto de parceria já tem um plano piloto que, segundo se anunciou, surgiu do encontro entre a ministra brasileira da Casa Civil, Dilma Rousseff, ex-Ministra de Energia, com a subsecretário de Estado norteamericano para Assuntos Políticos, Nicholas Burns, que decidiram criar um comitê técnico para desenvolvê-lo, coordenado por Dilma. A primeira tarefa do comitê será desenvolver um programa de padronização do etanol a fim de facilitar o comércio mundial do produto.
O caráter político do acordo ficou bem claro nas entrelinhas das declarações de ambos os lados. O americano declarou que “a energia tende a distorcer o poder de alguns Estados que nós achamos que têm um peso negativo no mundo, como a Venezuela e o Irã. Quanto mais diversificarmos nossas fontes de energia e nos tornarmos menos dependentes do petróleo, melhor ficaremos”.
Os dois parceiros anunciaram que vão escolher um país da América Central para desenvolver o projeto piloto de conversão do consumo de petróleo em etanol.
A Venezuela, colocada agora no “eixo do mal”, é hoje o quarto maior fornecedor de petróleo para os EUA e o Irã, com quem está com relações diplomáticas rompidas, é terceiro produtor mundial do combustível.
Ficou bem claro em todo o processo que o governo neoliberal de Lula está se associando com o republicano Bush para diminuir as dependências do “império” com o “muy amigo companheiro” Chavez.
Luiz Pereira
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