Petrobrás aumenta produção de gás


153% de aumento na produção degás



É pau na máquina, diz o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella. A expressão popular, segundo ele, define o trabalho que a companhia terá nos próximos dois anos e meio para aumentar em 153% a oferta de gás natural na Região Sudeste. O chamado Plangás 2008, já aprovado pela Petrobras e com o aval do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevê o aumento da oferta dos atuais 15,8 milhões de metros cúbicos por dia para 40 milhões, em fins de 2008. Ou seja, um acréscimo de 24,2 milhões de metros cúbicos/dia. Segundo Estrella, esse volume adicional equivale ao que o Brasil importa atualmente da Bolívia.


O trabalho será feito em ritmo acelerado. Afinal, o prazo é curto para o volume de obras, plataformas, gasodutos e unidades industriais a construir. O diretor da Petrobras informou que serão investidos US$ 7,1 bilhões (R$ 15,5 bilhões) nas unidades de produção e nos gasodutos. Pelas contas feitas pela empresa a pedido do GLOBO, no pico das obras (no início de 2008) serão criados 140 mil empregos diretos e indiretos, beneficiando principalmente os estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, uma vez que a maior parcela do volume de gás virá das Bacias do Espírito Santo e de Campos.


É justamente por causa da nova política da Bolívia para o setor de petróleo e gás, anunciada recentemente pelo presidente Evo Morales, que o Brasil decidiu reduzir sua dependência das importações de gás do país vizinho. O Brasil consome em torno de 45 milhões de metros cúbicos de gás por dia, dos quais cerca de 25 milhões de metros cúbicos são importados da Bolívia.


O restante vem sendo atendido pela produção interna. Estão mantidas as importações de até 30 milhões de metros cúbicos diários daquele país, conforme contrato existente, mas a Petrobras suspendeu os projetos para aumentar o volume de suas importações, afirma Estrella:


— É um plano muito audacioso. E um desafio gigantesco. Mas é possível de realizar. O plano dará tranqüilidade para que o governo faça o planejamento energético do país.


O Plangás 2008 prevê a instalação de várias plataformas nos campos de Peruá-Canguá, e de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo. A medida vai aumentar a produção diária de gás natural em 16,7 milhões de metros cúbicos. Atualmente, a Bacia do Espírito Santo produz cerca de 1,3 milhão de metros cúbicos por dia. Da Bacia de Campos, virão mais seis milhões de metros cúbicos/dia, principalmente do campo de Marlim. Outro milhão e meio de metros cúbicos sairá da ampliação da produção do Campo de Merluza, localizado na Bacia de Santos.


— O governo quer ter o conforto energético na região em que se concentra a maior parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O gás natural não pode ser um entrave ao crescimento econômico. Ao contrário: temos que ter gás para as indústrias, residências, para o uso veicular — ressaltou Estrella.



Companhia nem cogita deixar de receber gás contratado à Bolívia


O diretor destacou ainda que em momento algum a Petrobras considera a possibilidade de deixar de receber os 30 milhões de metros cúbicos contratados com a Bolívia. Segundo ele, o Plangás 2008 tem a finalidade de dar maior segurança em termos de planejamento energético para o país. A energia não será um entrave ao crescimento da economia brasileira, acredita ele:


— É pau na máquina. A gente está aqui para brigar, não para desenrolar uma rede e tomar água de coco. É difícil e pode atrasar, mas vamos fazer o máximo para que isso não aconteça, para atingirmos as metas. R.Ordoñez, O GLOBO



Pode faltar energia?


Especialistas do setor energético consideram a corrida para antecipar o aumento da produção de gás natural da Petrobras para 2008 bastante ousado, mas temem que os projetos não consigam ser concluídos a tempo. E alertam para a principal conseqüência: o risco de não haver energia suficiente para atender à demanda em 2009.


O especialista Edmar Luiz Fagundes Almeida do Grupo da Economia de Energia da UFRJ lembra que os leilões de energia nova realizados pelo governo prevêem a entrada em operação de várias termelétricas (a gás natural) para suprimento da demanda em 2009.


O especialista da UFRJ lembra que é normal ocorrerem atrasos em empreendimentos de grande porte como esse, principalmente no momento em que a indústria petrolífera mundial está superaquecida:


— E se as obras atrasarem não haverá gás suficiente para atender à demanda a partir de 2009.


O especialista Adriano Pires Rodrigues, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE), também acha difícil a Petrobras concluir a antecipação da oferta de gás até fins de 2008. Adriano prevê um déficit de energia, já a partir de 2009, de 2,9 gigawatts médios.


Para evitar que as licenças ambientais necessárias à realização das obras não atrasem a execução do projeto, na próxima semana a Petrobras vai apresentar os detalhes dos projetos ao Ibama.


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