Prejuízos e mordomias

 



Comentário: A reportagem da Isto é provocou uma resposta da empresa FURNAS. O ILUMINA publica essas explicações logo após a reportagem deixando aos leitores a avaliação da sua propriedade.



 

Com as contas no vermelho, a direção de Furnas prometeu cortar despesas, mas gasta milhões em regalias e festas para a cúpula da estatal

 

Josie Jeronimo – Isto é 07/06/13

 

Depois de terminar o ano de 2012 com um prejuízo de R$ 1,3 bilhão, o presidente de Furnas, Flávio Decat, anunciou que a estatal entraria em uma era de austeridade. Para colocar em ordem as contas da empresa de economia mista, contratou a consultoria internacional Roland Berger. A primeira orientação foi demitir um terço dos funcionários, reduzindo em 22% a folha de R$ 1,4 bilhão. O corte de pessoal foi feito, mas, contrariando as recomendações da empresa de consultoria e o discurso do próprio presidente da estatal, Furnas aumentou em R$ 395 milhões as despesas com a administração, que incluem contratações de terceiros, prestadores de serviços, gastos com viagens e eventos. No histórico de gastos da estatal obtido por ISTOÉ, constam extravagâncias para uma empresa que precisa equilibrar seu orçamento e não fechar mais um ano no vermelho.

 

No mês passado, a estatal fechou contrato de R$ 2,3 milhões com empresa de telefonia e distribuiu 700 iPhones 5 e 300 minimodens aos chefes do escritório central do Rio de Janeiro. Como havia mais celulares do que chefes, ex-diretores e servidores aposentados também receberam o aparelho. O preço de mercado do iPhone 5 gira em torno de R$ 2,5 mil. Se o plano fosse contratado sem a doação de aparelhos de última geração, a despesa poderia ter ficado R$ 1,5 milhão menor, avaliaram técnicos do mercado de telecomunicações ouvidos por ISTOÉ.

 

Na contramão da retórica de austeridade, a estatal também não poupou recursos para contratação de artistas e patrocínio de ações culturais. Só em abril, foram gastos R$ 375 mil em cachês. No mês passado, contratou por R$ 142 mil os shows de João Bosco e Moraes Moreira. O cantor Diogo Nogueira também embalou o festival musical de Furnas, que custou R$ 128 mil em setembro. Em coquetéis para funcionários, a empresa gastou R$ 600 mil ao mês. Um dos atores preferidos pela companhia é Tony Correia. Contratado pela estatal, ele roda as regionais fazendo apresentações.

 

Na gestão atual da empresa, os diretores de Furnas também não precisam comprar ingressos para torcer por seus times do coração. No estádio Engenhão, a estatal dispõe de um espaço exclusivo e, durante os clássicos, fornece transporte e alimentação para a cúpula acompanhar os jogos de camarote com a família.

 

Preocupados com o plano de demissão voluntária, estabelecido pela atual gestão, muitos empregados de Furnas se mostram contrariados com as gastanças da sede, afirma o diretor do Sindefurnas Miguel Ângelo de Melo. “Estão fazendo os cortes de baixo para cima. Gastam com banquetes e economizam com palitos. Há exageros nos escritórios. Existe em Furnas a tradição de muita mordomia.” A assessoria de Furnas foi procurada, mas não respondeu até a publicação desta edição. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Energia do Rio (Sintergia), Jorge Luiz Vieira da Silva, afirma que os gastos com funcionários concursados estão sendo equilibrados, mas ainda há discrepância nas remunerações pagas a especialistas. “Eles só querem cortar no pessoal, mas os custos da diretoria continuam muito altos”, constata.

 

 



Resposta da Empresa FURNAS.



 

Com relação à matéria “Prejuízos e Mordomias”, publicada na última edição da IstoÉ, em 08/06, Furnas informa que, procurada pela repórter Josie Jerônimo, prestou todos os esclarecimentos necessários à revista dentro do prazo solicitado pela jornalista. Contudo, tais explicações não foram consideradas na reportagem.

 

Furnas repudia veementemente as informações infundadas publicadas na matéria e que foram contestadas pela empresa. Seguem abaixo as perguntas formuladas pela jornalista, as respostas apresentadas, e as informações adicionais que estão sendo enviadas à revista:

 

1- Qual foi o critério adotado pela empresa na distribuição dos 700 aparelhos iPhones do contrato de R$ 2,3 milhões com a Claro? Qual era o valor do contrato encerrado – com a Vivo – e o modelo dos aparelhos distribuídos anteriormente?

 

Resposta:

 

O contrato atual, fruto de licitação por pregão eletrônico, engloba maior quantidade de serviços e tecnologia mais avançada que o anterior, por um preço menor. O contrato anterior era de R$ 3,767 milhões para 610 aparelhos. Os aparelhos usados neste contrato são cedidos em comodato pela operadora e distribuídos para os gerentes e empregados com atribuições necessárias e específicas, conforme instruções normativas da empresa.

 

Informações adicionais:

 

Furnas possui instalações de geração e transmissão em 16 estados situados em todas as regiões do país e necessita de um sistema eficiente e moderno de transmissão de dados e comunicação de voz, assim como todas as corporações do seu tamanho e importância, públicas e privadas, para suas atividades de gestão, operação, manutenção e construção.

 

O atual contrato, resultado de um processo de licitação por pregão eletrônico aberto a todas as grandes operadoras de telefonia brasileiras, engloba um completo pacote de serviços, no qual se destacam: (i) assinatura geral do plano; (ii) sistema de gestão do pacote de serviços; (iii) ligações gratuitas entre os aparelhos;  (iv) tarifas reduzidas para ligações de fixos para celulares, para celulares externos ao plano, roaming, serviços de SMS, caixa postal para todos os aparelhos; (v) pacote de dados, e (vi) serviço de acesso à Internet de 5 GB.

 

Adicionalmente ao pacote, os aparelhos iPhone 5 foram cedidos em comodato pela operadora, para devolução no final do prazo do contrato, que é de dois anos.

 

O valor total do contrato, de R$ 2,274 milhões, é 40% inferior ao anterior (R$ 3,768 milhões), que igualmente utilizava aparelhos com tecnologia smartphone e também havia sido contratado por licitação pública, realizada há 2 anos.

 

Não é verdade que os aparelhos recebidos em comodato foram também distribuídos a empregados aposentados. Os aparelhos foram distribuídos segundo as regras normativas da empresa. Quanto aos ex-diretores, só receberam aparelhos aqueles que continuam trabalhando em Furnas e se enquadram nas normas da companhia.

 

2- Qual é o montante mensal reservado para gastos com contratação de artistas para festas no escritório central e regionais?

 

Resposta:

 

Não existe um montante mensal reservado para tal fim, mas, sim, a manutenção do Espaço Furnas Cultural, inaugurado em 2003 na sede da empresa, em Botofago (RJ), que nasceu do desejo de estimular novos talentos e acolher artistas ainda desconhecidos do grande público e sem oportunidade para expor seus trabalhos. Atualmente é um centro cultural reconhecido no circuito das artes como referência de acolhimento e qualidade, e uma opção gratuita de lazer para a população.

 

Por meio de editais específicos, a empresa seleciona projetos para compor a programação do Espaço. Em 2012, Furnas recebeu 380 inscrições de projetos de todo o Brasil para ocupação de seus ambientes, por meio do Edital 2012/2013, com a verba de recursos próprios de R$ 1,3 milhão.  A seleção dos projetos foi feita por uma comissão mista formada por especialistas externos e técnicos da empresa.

 

Ao longo desses 10 anos nada menos que 70 mil pessoas prestigiaram os eventos do Espaço Cultural. Desta forma, Furnas vem contribuindo para construção da identidade cultural brasileira, valorização da cultura popular e inclusão social, considerando a descoberta de novos talentos, regionalização e interiorização da cultura, beneficiando através do seu apoio e patrocínio a promoção de múltiplas manifestações culturais.

 

Informações adicionais:

 

Não é verdade que a empresa gaste R$ 600 mil ao mês com coquetéis para empregados ou mesmo promova festas para seus dirigentes.

 

O ator Toni Correia, por meio da empresa ADEPI – Arte, Desenvolvimento Profissional e Interpessoal Ltda, apresenta um módulo de treinamento de gestão de mudanças e adaptação a novos desafios através de trabalho em equipe, que está sendo utilizado por Furnas, em suas áreas regionais desde 2011.

 

3- Por que, apesar de Furnas ter feito corte de funcionários, o montante da folha de pagamento bruta cresceu de 2011 para 2012?

 

Resposta:

 

O quadro de empregados de Furnas está sendo reduzido mediante um plano de desligamento incentivado, cujos custos associados são incluídos no item de “despesa de pessoal”. Uma vez encerrado o plano, o custo destinado a esta despesa específica será reduzido.

 

Informações adicionais:

 

Anteriormente à análise deste item, é importante informar que a empresa está implantando o Plano de Readequação do Quadro de Pessoal (PREQ), que contempla demissões voluntárias e incentivadas dos empregados do quadro próprio, cujas verbas indenizatórias estão incluídas no total das despesas da empresa contabilizadas em 2011, 2012 e 2013.

 

Em relação ao número atribuído à variação entre “despesas com a administração” de 2011 e 2012, no valor de R$ 395 milhões, informamos que este valor não é correto, segundo as demonstrações financeiras auditadas da empresa. Estas demonstrações apresentam uma variação de 2011 para 2012, para custos de pessoal, material, serviços e outros de R$ 88 milhões, base junho de 2012. Esta diferença é constituída pelo pagamento da multa de 50% do FGTS, férias, 13º salário, contribuições trabalhistas e de previdência privada para os empregados desligados no PREQ (Plano de Readequação do Quadro de Pessoal).

 

O montante pago a título de salário base é o indicador que melhor reflete a evolução dos custos de pessoal da empresa. Este indicador apresentou uma redução de R$ 30,5 milhões para R$ 29,9 milhões, entre 2011 e 2012, a valores de junho de 2012. Comparativamente a abril de 2013, este valor se reduziu para R$ 27,3 milhões, na mesma base de preço, representando uma redução real de 10,8%. Para 2014, considerando as saídas incentivadas já confirmadas, o valor  mensal estimado será de R$ 25,2 milhões, correspondente a uma redução de 17,6%.

 

O impacto financeiro da redução de pessoal proveniente do PREQ só não foi maior devido à contratação, através de concurso público, de 364 empregados para as áreas essenciais da empresa, de modo a não comprometer a qualidade e a segurança da operação e manutenção do sistema elétrico sob responsabilidade de Furnas, uma vez que estes empregados requerem um treinamento prévio para assumir importantes funções.

 

Adicionalmente, haverá o desligamento de 1.305 empregados terceirizados, em função de acordo homologado no Supremo Tribunal Federal, entre 2014 e 2017.

 

Todas as medidas adotadas para otimização de processos, redução de cargos e readequação do quadro de pessoal, desenvolvidas sob orientação da consultoria internacional Roland Berger, alinhadas às orientações do Governo Federal, no sentido de dotar Furnas de modernos padrões de gestão e eficiência operacional, se traduzirão em economias permanentes para a empresa. Nesta linha, o Conselho de Administração aprovou recentemente a redução de 82 cargos de chefia na nova estrutura organizacional de Furnas.

 

4 – Quando a empresa fecha o ano financeiro com prejuízo os funcionários recebem PLR? Qual parcela das receitas é considerada no cálculo?

 

Resposta:

 

A PLR relativa ao exercício de 2012 paga aos empregados considerou, na sua apuração, indicadores de desempenho operacionais e financeiros acordados para todas as empresas do Grupo Eletrobras, dentre os quais o Resultado Operacional da Companhia, que foi positivo em R$ 882 milhões, superando em mais de 100% o do exercício de 2011.

 

5- Qual é o custo anual de manutenção do Camarote Exclusivo de Furnas no Engenhão?

 

Resposta:

 

O camarote não tem custo para a empresa, pois trata-se de contrapartida do projeto de publicidade de Furnas no Campeonato Carioca de Futebol. Além disso, o camarote não é exclusivo, mas sim dividido com os demais patrocinadores do Campeonato Carioca, onde Furnas tem direito a convites por jogo.

 

Informações adicionais:

 

Não é verdade que a empresa gasta R$ 120 mil por ano na manutenção do camarote, que não tem custo para a empresa, pois se trata de contrapartida do projeto de publicidade de Furnas no Campeonato Carioca de Futebol. Além disso, o camarote não é exclusivo, mas sim dividido com os demais patrocinadores do Campeonato Carioca, no qual Furnas tem direito a convites por jogo. Como política corporativa, os convites são sorteados entre empregados.

 

Mensagem final

 

Furnas lamenta que empregados que provavelmente estão se sentindo prejudicados pelas medidas de austeridade que vêm sendo tomadas, tais como redução de quadro de pessoal, diminuição de número de chefias, eliminação de gabinetes fechados, transparência em licitações, otimização de despesas de custeio, entre outras, tenham agido de forma desleal para com a empresa, fornecendo informações inverídicas a um veículo externo.

 

Furnas reitera seu compromisso de empresa cidadã, com seus mecanismos de estímulo às artes, ao esporte e à cultura brasileira, e renova sua firme determinação na manutenção de sua política de inserção social.

 

A Diretoria

 

10/06/2013

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