NESTE CHARCO CHAMADO BRASIL, ESTAMOS ‘ATOLADOS NA LAMA’ ATÉ A ALTURA DO NARIZ…; SE FIZER ‘MAROLA’ VAMOS MORRER AFOGADOS (‘AFOGADOS’, SÓ NA METÁFORA, POIS NA VERDADE ESTÁ, SIM, FALTANDO ÁGUA PARA GERAR ENERGIA)…
Pelo artigo do web-site do Ilumina apresentado a seguir, verifica-se que finalmente saiu a licença de instalação da hidrelétrica de Estreito, no rio Tocantins. O atraso na execução da obra da UHE Estreito já dura mais de três anos. Os atuais donos da concessão conquistaram-na ainda na época do FHC… Ou seja, de lá para cá, ficamos mais de 3 anos sem licença de instalação para construir o empreendimento. Mas como a obra é na fronteira da região Centro Oeste com as regiões Norte e Nordeste, onde os reservatórios de acumulação das usinas existentes estão cheios, os efeitos desta inépcia não se fizeram sentir ainda (talvez venhamos a nos lamentar lá para 2.009 ou 2.010)…
É o caso agora de nos lamentarmos por ainda não termos feito as usinas hidrelétricas de Campos Novos, Barra Grande e Foz do Chapecó na região Sul. As duas primeiras estão em vias de entrar em operação e a terceira ainda nem teve as obras iniciadas. Como consequência, temos agora um quase racionamento na região Sul.
Se não chover bastante nas cabeceiras dos principais rios que cortam os estados da região Sul (rios Iguaçu, Uruguai e Jacuí) nos próximos 15 dias, será muito provável termos que começar a racionar energia nos estados do Sul, pois o Sistema Interligado Nacional (SIN) já vem operando no limite da capacidade de transferência de energia do Sudeste para o Sul há algum tempo. Os reservatórios do Sul, que em comparação com o Sudeste têm uma capacidade de acumulação muito inferior, encontram-se agora com apenas 30% da sua capacidade máxima de acumulação d’água, e a situação segue piorando a cada dia para se atender a demanda da região. No Sudeste este índice está confortavelmente em torno de 90%. E como lá no Sul, da mesma forma que no Sudeste, não há gás nem para a térmica de Uruguaiana funcionar (está totalmente parada, mesmo numa situação crítica como a que estamos vivendo), e também nem para importarmos energia elétrica da Argentina via a subestação conversora de Garabi, novamente vamos voltar a conviver com o fantasma de racionamento de energia elétrica no país.
Pouca gente ficou sabendo, mas, no ano passado, mais ou menos nesta mesma época, também houve iminência de termos que conviver com racionamento de energia elétrica no Sul. Entretanto, São Pedro foi muito ‘camarada’ e brindou os dirigentes do setor eletrico brasileiro com chuvas providenciais, permitindo normalizar o nível dos reservatórios do Sul em 2.005, quando os mesmos se encontravam mais ou menos na situação atual, porém atendendo a um consumo menor do que o de hoje.
Desnecessário dizer que este contexto de racionamento iminente de energia elétrica na região Sul, se realmente vier a ocorrer, se configurará em desastre do ponto de vista político para o governo Lula.
A outra notícia publicada no web-site do Ilumina (e também reproduzida abaixo) trata do próximo leilão chamado A-5, ou seja, para licitar novas hidrelétricas que entrarão em operação daqui a 5 anos. Só que temos a seguinte situação: não são novas as hidrelétricas que deverão ir a leilão em setembro próximo, neste caso. Na verdade é uma ‘liquidação de saldos’ do último leilão A-5, realizado em dezembro passado, quando estas usinas não puderam ser ofertadas pois havia pendências de licenciamento ambiental para todas elas. Agora, com estas pendências atendidas, vão ser colocadas em oferta para ver se haverá investidores interessados em construí-las, 10 meses depois da época em que isto deveria ter sido feito. E, mesmo assim, são usinas consideradas pequenas, quase PCH, pois as maiores a serem licitadas (Mauá e Dadanelos) tem potência instalada da ordem de 300 MW.
É por estas constatações que ficamos refletindo: ou os dirigentes da EPE não estão levando muito a sério as previsões de dificuldades de atender à demanda a partir de 2.009/2.010, pois parece que não estão se empenhando como deveriam para alertar para este risco, ou estão confiando muito na boa vontade de São Pedro nos próximos anos…
Será que o problema que está sendo vivenciado pela região Sul no presente momento não está servindo de alerta??
Não é melhor ficarmos em uma situação mais confortável, do ponto de vista da oferta de energia para atender o consumo (na nossa metáfora do título, ficarmos no charco com a lama até as canelas apenas, e não até o nariz)??
EPE anuncia liberação de licença de instalação para Estreito
Com isso, usina de 1.087 MW poderá ser incluída do leilão do dia 29 de junho
Gisele de Oliveira, Agência CanalEnergia, Meio Ambiente
02/06/2006
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Mauricio Tolmasquim, anunciou nesta sexta-feira, 2 de junho, que foi concedida a licença de instalação ambiental para a hidrelétrica de Estreito (1.087 MW). O anúncio foi feito pelo executivo durante uma apresentação em um congresso em São Paulo. Com isso, a usina poderá ser incluída no leilão de energia nova, marcado para 29 de junho.
MME marca leilão A-5 para 5 de setembro
Licitação, que ocorrrerá pela internet, disponibilizará cinco novos empreendimentos com potência de mais de 805 MW
Agência CanalEnergia, Mercado Livre
29/05/2006
O Ministério de Minas e Energia marcou para o dia 5 de setembro o leilão de energia nova, na modalidade A-5, com início do fornecimento de energia para janeiro de 2011. A licitação trará algumas novidades em relação aos leilões anteriores. A primeira é que o MME estabeleceu a internet como meio de realização das disputas. A outra é que os empreendedores terão que garantir 60% das unidades geradoras funcionando até 31 de dezembro de 2011. O restante deve entrar em operação até 31 de dezembro de 2012.
O leilão oferecerá a licença de cinco novos empreendimentos com potência total de 805,43 MW. São eles: Barra do Pomba (RJ-80 MW), Cambuci (RJ-50 MW), Dardanelos (MT-261 MW), Mauá (PR-361,1 MW) e Salto Grande (PR-53,33 MW). Os empreendedores interessados em participar do leilão terão até o dia 23 de junho para requerer, à Empresa de Pesquisa Energética, o cadastramento e a habilitação técnica dos respectivos empreendimentos.
A portaria 120 publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 29 de maio, estipulou que os agentes distribuidores deverão apresentar declaração de necessidade de compra de energia até o dia 7 de julho. Segundo a portaria, as necessidades não atendidas nos leilões de energia de dezembro de 2005 e no próximo leilão A-3 de 29 de junho não poderão ser incluídas nas declarações de necessidades.
O MME definiu ainda que a energia de origem hidráulica será objeto de contrato por quantidade de energia, com prazo de 30 anos. Já no caso da fonte térmica, o contrato será por disponibilidade de energia, com duração de 15 anos.