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Reajuste da luz será maior em 2011
Publicado em 05.06, Jornal do Commercio, Recife
Usinas térmicas, que têm custo mais elevado, estão sendo acionadas para poupar reservatórios das hidrelétricas. Impacto na conta virá no próximo ano
Os consumidores pagarão mais caro pela energia no próximo ano devido à entrada das térmicas que passaram a produzir mais energia desde ontem, gerando cerca de 2 mil MW médios, o que significa quase uma vez e meia o consumo de Pernambuco. O aumento da produção das térmicas foi feito para poupar a água dos principais reservatórios do País, que estão com um nível mais baixo do que o registrado há um ano. Essa despesa extra deverá ser incluída no cálculo do reajuste da conta de luz do próximo ano. Em 2008, todos brasileiros tiveram que bancar R$ 2,3 bilhões para pagar a energia produzida pelas térmicas. No ano passado, essa conta foi estimada em R$ 800 milhões, segundo técnicos do setor.
A energia das térmicas é mais cara, porque elas usam como matéria-prima os combustíveis fósseis (gás natural, diesel ou carvão), enquanto as hidrelétricas utilizam a água.
Os reservatórios das principais hidrelétricas do País se concentram nas Regiões Sudeste e Nordeste. A média dos reservatórios do Nordeste estava em 73,2% anteontem. Há um ano, era de 97,8%. Já no Sudeste, este número ficou em 78,6% no último dia 3, contra os 82% registrados no mesmo dia de 2009.
Há três semanas, as térmicas do País estavam produzindo 700 megawatts (MW) médios, gerados principalmente no Nordeste. Só a Termopernambuco – empresa que pertence ao mesmo grupo da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) – está produzindo 494 MW médios há 21 dias.
“Com o aumento da produção das térmicas, é preservado o nível dos reservatórios das principais hidrelétricas até novembro”, diz o diretor do Instituto Ilumina Nordeste, Antonio Feijó. O Ilumina Nordeste é uma organização não governamental (ONG) que atua no setor elétrico. O período seco nos reservatórios do Nordeste e Sudeste começa em maio e vai até novembro. Num ano muito bom de chuvas, os reservatórios ficam com quase 100% da sua capacidade em maio.
ABASTECIMENTO
“Mesmo com o aumento do consumo, não há risco de desabastecimento”, diz o superintendente de operações da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), João Henrique Franklin.
O que alguns especialistas criticam é o fato da “complementação” das hidrelétricas ser realizada por térmicas, que são poluentes e geram uma energia mais cara. “Defendemos que deveriam ser feitas mais hidrelétricas com reservatórios, empreendimentos de energia nuclear e, naturalmente, geração eólica”, conclui Feijó.