Redução na base de remuneração da Cemig causa apreensão no mercado

 



Comentário: Por mais que a própria CEMIG negue, não há como não relacionar esse evento com o voluntarismo da redução tarifária puramente contábil do governo. A renovação das concessões era uma opção do tipo “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. A CEMIG não aceitou? Está provando a fúria do império!

O que precisa ser lembrado nessa confusão que vai destruindo valor das tradicionais empresas brasileiras, é que os quase 40% de carga tributária continuam incólumes sobre a geração, transmissão e distribuição. Para encher as ruas de automóveis o governo zera impostos, mas, para diminuir os preços recordes da tarifa brasileira é melhor destruir valor.

Carregando esse peso morto nas costas, fica difícil ter usinas que geram até por R$ 200/MWh na tarifa. Ai inventam a “fora da ordem de mérito” que vai nos deixar uma conta de R$ 4 ou até 6 bilhões e que vai nos atacar ou pelo bolso do consumidor ou pelo do contribuinte.



 

Ações da companhia apresentaram fortes quedas durante todo o pregão, Reação surpreendeu companhia

 

Por Maria Domingues

 

A divulgação da Base de Remuneração Líquida (R$5,11 bilhões) da Cemig a ser considerada pela Agência Nacional de Energia Elétrico (Aneel) no Terceiro Ciclo de Revisão Tarifária da distribuidora – R$1,6 bilhão menor do que o previsto pela companhia, causou apreensão no mercado, o que resultou em fortes perdas para as ações da companhia mineira na BM&FBovespa. Às 15h36, a Cemig PN N1 estava cotada a R$22,56, perda de valor de 12,56%, cerca de R$2 bilhões, segundo a companhia.

 

Diante dessa reação, a Cemig realizou às pressas uma teleconferência com o objetivo de acalmar o mercado. “Estamos surpresos com a reação dos analistas e dos investidores”, disse o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla.

 

O executivo enfatizou que não são novas as discussões da aplicação da metodologia do 3º Ciclo de Revisões Tarifaria, e que a empresa já havia informado, em maio de 2012, que ocorreria uma redução de 30% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da distribuidora neste ano. “Não deveria ser motivo de surpresa para o mercado o impacto que essa revisão tarifaria traria”, completou.

 

Os analistas, porém, não conseguem entender a mudança “drástica” da Aneel em relação aos valores a serem considerados na aplicação das novas tarifas da Cemig. O valor apresentado pela Aneel no despacho n° 689 do Diário Oficial da união é R$1,6 bilhão menor que o número divulgado no início do processo de revisão tarifária da Cemig.

 

“No momento que se define uma base de regulatória menor, você está dizendo que a remuneração da empresa será menor”, explicou o analista em energia Alexandre Furado, da corretora Lopes Filho. “Estamos falando de uma diferença de R$1,6 bilhão”, frisou.

 

Para o coordenador de energia elétrica da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), Fernando Umbria, o novo cálculo da Aneel está aderente à proposta apresentada pela associação e reflete com mais precisão a realidade da Cemig.

 

“Esse resultado está próximo do que havíamos pleiteado (R$5,7 bilhões)”, disse, explicando ainda que os números da Abrace levaram em consideração as demonstrações financeiras e os relatórios anuais divulgados pela distribuidora mineira.

 

Em uma analise preliminar da Abrace, a alteração da Aneel representa um efeito menor no reposicionamento tarifário da ordem de 3,5% sobre o que havia sido proposto inicialmente.

 

Por sua fez, Rolla lembrou que todo o processo de revisão tarifária ainda está em discussão e que a Cemig tem argumentos que ainda podem ser considerados pela agência reguladora. “Temos muitos pontos a discutir e esses pontos vão levar a valores que podem modificar a estimativa de fluxo de caixa”, disse, ponderando que mesmo assim não espera uma mudança significativa que altere radicalmente o que está sendo proposto.

 

Rolla ainda afirmou que a Cemig está tranquila quanto aos rendimentos que o setor de distribuição pode trazer. Disse ainda que não acredita em uma redução da classificação de risco por parte das agências de rating, nem de dificuldade de crédito.

“Independente do resultado da revisão, a capacidade financeira e de crédito da distribuição merece a classificação de risco que tem, de duplo A, e não vai perder, independe do que vai ocorrer”, afirmou Rolla.

 

Rolla também falou que acredita na competência e independência da Aneel e afastou a possibilidade de motivos políticos terem influenciado a agência reguladora do setor elétrico. “Eu me recuso a acreditar em outras razões que não sejam técnicas”, disse. O diretor garantiu que a empresa continuará investindo no setor de distribuição.

 

A Cemig D representa 20% da geração de caixa da hollding, tem mais de 500 mil km de rede e fornece energia elétrica para 7 milhões de unidades consumidoras em 805 municípios de Minas Gerais.

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