Seminário debateu situação da energia no Brasil


Pinguelli avalia que PAC não terá todos os projetos executados
Ex-presidente da Eletrobrás avalia que biomassa pode ser adotada como fonte de complementação hídrica ao traçar panorama do setor elétrico brasileiro


Victor Barros, da Agência CanalEnergia, Negócios

O coordenador do Programa de Planejamento Energético da Coppe da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa, avalia que o Programa de Aceleração do Crescimento trouxe ânimo para o setor produtivo, mas é muito genérico no sentido de realizar todos os projetos previstos. O especialista, ex-presidente da Eletrobrás, debateu sobre o PAC,apagão e Angra 3entre outros temas,num seminário sobre o setor elétrico no governo Lula, realizado na última quinta-feira, 8 de fevereiro, no Rio de Janeiro, pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico.


“O PAC é uma lista de projetos. Não vão ser feitos todos, mas se a metade for feita, já está de bom tamanho”, afirmou. Sobre os investimentos previstos no programa (R$ 503,9 bilhões até 2010, sendo R$ 274,8 bilhões direcionados para o setor energético), o coordenador acredita que o montante é um bom número, masressalta queo governo tem de demonstrar o que é possível fazer. Pinguelli descarta a possibilidade de apagão em 2010,desde que as obras de novos empreendimentos para geração de energia não atrasem.


Em relação às alternativas para atender a demanda de energia no país, Pinguelli comentou que a hidrelétrica é a melhor solução, mas haverá necessidade de complementação térmica. Para ele, a biomassa seria uma alternativa viável.”Talvez a biomassa, no Brasil, seria uma boa solução, porque nós temos bagaço de cana sobrando epode ser usado para geração elétrica”, diz Pinguelli,acrescentando que a energia eólica também poderia ser utilizada para complementação.


O especialista conta ainda que em debates envolvendo a Chesf levantou-se a hipótese de se fazer a complementação da hidrelétrica de Belo Monte (PA, 11.181 MW, em duas fases)comeólicas no Nordeste, evitando, assim, o uso de termelétricas que são poluentes. Já com relaçãoà possibilidade de se construir Angra 3(RJ, 1.350 MW) para complementação energética, Pinguelli explica que a energia nuclear não serve para esse fim, pois o reator nuclear leva dias para entrar em operação e só pode ser desligado para manutenção.


De acordo como coordenador,Angra 3 não terá um papel imediato, caso o governo decida pela sua construçãodevido ao prazo da obra, de cinco anos. Ele conta queItaipu gera 12 vezes mais energia que a produção de Angra 3 geraria, o que tornaria a usina nuclear dispensável.


Sobre as demoras na liberação de licenças ambientais, Pinguelli afirmaque a legislação deveria sofrer algumas mudanças. Na visão dele, o principal ponto negativo da atual legislação é que o técnico que assina a licençaé responsável criminalmente pelos eventuais problemas decorrentes dos empreendimentos. “Não se pode jogar toda a responsabilidade na mão de um técnico”, afirma Pinguelli.


Leilões de energia- O coordenador abordou ainda o leilão de energia velha em 2006. A iniciativamelhorou momentaneamente a situação das geradoras federais, que antes do leilão recebiam R$ 18 por MWh pela energia hidrelétrica que era vendida por R$ 140 por MWh,portermelétricas contratadas, mas que ficavamdesligadas. As geradoras federais venderam energia a preços muito baixos por longo prazo, perdendo capacidade de investimento, em particular em hidrelétricas.


Outra questão tratada foi o primeiro leilão de energia nova no ano passado. Das 17 hidrelétricas previstas, o governo só conseguiu emitir licença ambiental para seis empreendimentos,num total de cerca de 400 MW médios. Entre os problemas, Pinguelli destaca que a participação privada foi menor que a esperada pelo governo, com grande parte da energia vendidapor estatais. Além disso, lembra, entraram no negócio usinas a carvão e a diesel, energia considerada cara e poluente. “O Brasil está na contramão da história porque está deixando de adotar energia limpa para ficar com a poluente”, completou.



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