Elétricas enfrentam o governo e Eletrobras fica exposta na CCEE – Valor

http://www.valor.com.br/empresas/4119664/eletricas-enfrentam-governo-e-eletrobras-fica-exposta-na-ccee

http://www.duke-energy.com.br/Paginas/DetalheNoticia.aspx?itemListaID=1127

Comentário: A reportagem mostra que a APINE (Associação dos Produtores Independentes de Energia) conseguiu liminares contra as perdas decorrentes dos déficits de geração das hidroelétricas.

Nesse assunto, um dos mais esquisitos do nosso modelo, é sempre interessante imaginarmos um estrangeiro (Mr. Sherlock Holmes) tentando entender o que é esse déficit de geração. Desculpem a mistura de idiomas do nosso convidado:

SHERLOCK HOLMES – I’m trying to understand. This déficit do geração é por defeito nas turbinas ou nos geradores das usinas?

Ilumina – Não. As usinas não têm defeitos.

SHERLOCK HOLMES – So, what kind of deficit is this?

Ilumina – É que as usinas têm que gerar uma quantidade de energia chamada Garantia Física.

SHERLOCK HOLMES – Physical Warranty? Mas se é “Physical” it is a parameter of the turbina ou no gerador? É definida pelo “owner” da usina?

Ilumina – Não é definida pelo dono. Quem define isso é o governo através de um modelo matemático complexo.

SHERLOCK HOLMES – Well….Wierd! Why “the owner” da usina não gera esse valor para avoid the déficit?

Ilumina – Porque quem decide o quanto a usina tem que gerar não é o dono da usina. É o operador do sistema.

SHERLOCK HOLMES – So, there is a solution. Mas essa decisão do operador depende exclusively from hidrologia?

Ilumina – Não. O operador pode decidir diminuir a geração hidráulica para economizar água e gerar com térmicas.

SHERLOCK HOLMES – My god! If the operator decides, de onde surge this dívida bilionária?

Ilumina – O dono da usina hidráulica tem que comprar energia das térmicas e ela chega a ser 4 vezes mais cara do que a energia da própria usina.

SHERLOCK HOLMES – Well, há “situations” onde uma usina could generate a energia necessária, mas is forced to gerar menos?

Ilumina – É isso mesmo.

MR X. – But if the operator needs economizar água agora, how he did no passado? Ele já vinha saving water?

Ilumina – Dê uma olhada nesse gráfico ai de baixo. A área cor de rosa mostra que, de 2009 até setembro de 2012, as hidráulicas geraram muito acima da sua garantia física. Nesse período, aproximadamente 150 TWh foi gerado acima dessa exigência.

SHERLOCK HOLMES – Hmm interesting clue….It seems que o operador “overused” geração hidráulica. In the graph não há outro período similar. Isso não seria responsabilidade do operator?

Ilumina – Pelas regras atuais, realmente bizarras, não. O operador decide a gestão da reserva e se houver consequências futuras dessa gestão, o dono da usina paga.

SHERLOCK HOLMES – This is strange…but, looking to the curves, everything is solved. The fabulous surplus is compensating the déficit!

Ilumina – Não. Essa sobra é valorizada baratinho. O déficit custa 12 vezes mais!

SHERLOCK HOLMES – Twelve times more? Energy markets don’t show these differences! Realmente excêntricos esses seus preços de mercado. But I was told that algumas donos de usinas don’t worry about déficit. Why?

Ilumina – Porque algumas usinas foram atingidas por um decreto que reduziu o preço delas a menos de US$ 3/MWh e, nessas, quem paga o déficit é o consumidor que recebe essa “dádiva”.

SHERLOCK HOLMES – Poor consumers! And, by the way…when this decreto was issued?

Ilumina – Em setembro de 2012.

SHERLOCK HOLMES – But, what a coincidence! In the same date the operador decidiu stopping the use of reserva and ligar os térmicas?

Ilumina – Exato.

SHERLOCK HOLMES  – I’m sorry to inform you that there is very suspicious decisions in all this mess. I give up all understanding possibilities. This is the most difficult case that I’ve ever faced!

 

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5 respostas

  1. O que não me entra na cabeça é o ONS ser uma empresa privada que nunca vai pagar a conta de nada e pode decidir tudo e CMSE é outro absurdo. Se entendi direito o CMSE é o braço político e o ONS o pseu-técnico que vai pender para o lado que….
    Outra coisa é o ONS ser despacho de carga de algumas empresas privada, total conflito de interesses.

  2. Roberto

    Seus comentários bem humorados sempre nos ajudam a compreender a confusão em que o sistema elétrico brasileiro foi mergulhado por uma sucessão de medidas sem norte técnico-econômico.
    No caso das garantias físicas, acho importante deixar claro que essa é uma jabuticaba criada por consultores brasileiros (!).
    A garantia física foi solução sugerida por aqueles que desejavam preservar o despacho centralizado das centrais. Ela foi recebida com entusiasmo por aqueles que desejavam acelerar a privatização do parque gerador hidrelétrico.
    Explicando: Ao remover o risco hidrológico, a garantia física aumentou significativamente o apetite dos investidores na aquisição das centrais hidrelétricas. (O que explica o inconformismo dos geradores hidrelétricos, caso se pretenda que eles venham a assumir esse risco. Na prática, isso significa que seus ativos sofrerão forte desvalorização.)
    Primeiro problema: Para que as garantias físicas das hidrelétricas pudessem se efetivar, era preciso operar com um parque gerador térmico capaz de preservar níveis elevados de energia acumulada nos reservatórios hidrelétricos. Vale dizer, o despacho térmico deveria ocorrer regularmente nos períodos secos.
    Segundo problema: O despacho térmico onera obviamente as tarifas. Esse problema não seria relevante caso o parque gerador térmico fosse estruturado para operar com combustíveis de baixo custo. Infelizmente, essa não foi a opção adotada no planejamento setorial.
    Adotando como premissa que o parque gerador térmico deveria ser construído para operar em situações críticas, foi induzida a contratação de centrais com custos operacionais extremamente elevados.
    Terceiro problema: A postergação do despacho térmico para evitar aumentos tarifários foi opção adotada pelo comitê de monitoramento do setor elétrico (CMSE). Essa escolha embutiu o risco de esgotamento dos reservatórios hidrelétricos, situação que inviabiliza a oferta de garantias físicas pelas hidrelétricas no patamar de custo estimado pela EPE. (Em outras palavras, as garantias físicas outorgadas às hidrelétricas estão superestimadas!)
    Sintetizando:
    1. A garantia física para hidrelétricas operarem em mercado concorrencial é jabuticaba criada por brasileiros.
    2. O parque gerador térmico atual é economicamente incompatível com as garantias físicas outorgadas às centrais hidrelétricas.
    3. Acredito que as hidrelétricas têm boa base jurídica para argumentar que sua incapacidade de oferecer as garantias físicas que lhe foram outorgadas decorre da má gestão dos reservatórios hidrelétricos (esgotamento precoce) realizada pelo CMSE.
    4. O CMSE tem bons argumentos para indicar que sua má gestão foi condicionada pela inadequação do parque gerador térmico às garantias físicas outorgadas.
    5. Não seria o caso de responsabilizar os que tomaram essas decisões pelos seus custos?
    6. Não teria chegado a hora de remover essa jabuticaba (garantia física) do arcabouço regulatório do sistema elétrico brasileiro?

    1. Adilson:

      Sherlock com certeza diria: Of course my dear Watson. It is obvious that the only Physical Warranty brazilians have in their singular system is the Power Capacity! MW instead of MWh.
      Grato pelo comentário!

  3. Roberto
    Não há mais nada a esclarecer. Você já fez o serviço. Foram dois pesos com duas medidas. Aliás, me parece que seja uma situação inusitada e imprevista, que uma usina seja penalizada por não gerar quando podia, e isto para encher os reservatórios. Essa conta devia ir direto para os consumidores (coitados) mas aí temos a modicidade tarifária que não deixa. Afinal, isso não é ESS? Se você ainda não o fez, poderia calcular quanto se deixou de pagar por conta do consumo evitado de combustível graças ao esvaziamento dos reservatórios, a preço baixo. A turma parece que pensa que os reservatórios sempre vão encher quando lhes convém. É o caso de uma apresentação recente na qual se mostrava que para que os reservatórios cheguem ao final de novembro com 10% do armazenamento bastará uma hidrologia de cerca 67% da MLT. E se o verão for seco? Os banqueiros que emprestaram dinheiro à Grécia não fariam melhor. Et tout va très bien, Madame la Marquise, tout va très bien.
    Abraço
    Pietro

  4. Roberto,

    Você sabe que gosto muito de sátiras e ironias,.

    Sugiro até que ao sensacional dialogo fosse incluída a descrição de um cenario e acrescentado
    um coro que recitasse falas de horror e surpresa.

    Algo como a mini peça “O MEETING” que, tenho certeza você conhece há bastante tempo.

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