Ver nova observação ao final do post.
O ILUMINA aproveita a edição do relatório Infomercado de Março da CCEE para mostrar como é fácil classificar a situação atual como “equilibrada” e descartar qualquer risco de racionamento no mundo virtual da Garantia Física.
A figura abaixo mostra o consumo comparado à “garantia física” das diversas formas de geração. Como se vê, está tudo às mil maravilhas! Consumo = 64.643 MW médios. Garantia Física Total = 66.336 MW médios. Folga = 1.692 MW médios. Folga de 2,5%!

Mas….não é bem assim!
Vamos revelar o mundo real que estava ocluso do lado direito do gráfico. Vejam abaixo:

Na realidade, quase todas as classes térmicas geraram abaixo da sua “garantia física”. Reparem no Carvão, Gás, Óleo e Outras. A exceção é a Nuclear. A “desculpável” é a Biomassa, com sazonalidade conhecida. Mas, se a Biomassa diminui sua geração de forma previsível, é preciso explicar porque não substituir essa redução por outra geração térmica!!
A pergunta seguinte é: Afinal, quem gerou no lugar dessas garantias físicas não cobertas por kWh real? Entre as duas colunas está assinalado quem gerou acima ou abaixo da garantia física. O que é impressionante é que as hidráulicas assumiram 71% do total da deficiência de geração térmica!
Se esse quadro ocorresse num outro mês de alta hidraulicidade ou alta reserva, não se poderia estranhar. Afinal, as hidráulicas geram no lugar das térmicas para diminuir custos. Mas, no quadro atual? Com reservatórios do Sudeste com 34% da reserva?
O ILUMINA gostaria de esclarecer que, por trás da estranheza de hidráulicas gerando mais do que sua garantia física enquanto térmicas geram abaixo, mesmo sob hidrologia ruim e reserva baixa, há um modelo matemático que estima o custo marginal de operação (CMO), uma espécie de medida do stress do sistema.
O setor elétrico tem um critério aprovado pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (Resolução CNPE nº 9) que estipula que um sistema está em equilíbrio quando o CMO médio de várias simulações é igual ao Custo Marginal de Expansão (CME) que é o custo médio da energia de uma nova usina. Esse valor foi fixado em R$ 108/MWh. A lógica é óbvia: Quando o sistema está estressado, (CMO médio >>> CME), é mais barato construir novas usinas.
O sistema brasileiro está com sintomas de stress desde setembro de 2012, quando também estranhamente, a energia térmica passou repentinamente de um patamar de 9% da carga para cerca de 20% e, desde então permanece assim. O CMO oscila acima de R$ 400/MWh e agora permanece em R$ 822/MWh.
O indicador que mostra que o que garante está “tudo bem” não é a comparação das “garantias físicas” com o consumo.
O correto é demonstrar que o CMO médio = CME. O ILUMINA tem a obrigação de denunciar que o sistema está em desequilíbrio estrutural.
Se as autoridades discordam, demonstrem o contrário.
Portanto:
Que equilíbrio é esse?
Que “garantia física” é essa que nem física e nem garantida é?
Com a palavra as autoridades do setor.
3 respostas
O fundamental é sustentar um modelo institucional absurdo, especulativo, perdulário (energia), inconsequente. O povo paga até no batom. Cosméticos energéticos!
O ILUMINA está corretíssimo.
É claro que o sistema não está em equilíbrio.
Senão o CMO não estaria nos preços atuais.
Derepente como tudo está mudando no Brasil
estão mudando os critérios e modelos no setor eletroenergético mas só o Governo sabe disso.
Risco de 18 % agora por decreto é de 5%.
E ainda dizem que o ONS é privado.
Salvem as estatais!!!!!!
A argumentação do ILUMINA é simples, clara e insofismável. A suposta “garantia físicas” na prática não é nem física nem garantia de coisa nenhuma.
O sistema está desequilibrado? Ou a operação não estaria correta? Quem poderia responder?
Parabéns para o ILUMINA.