Para os professores… Zero, para os funcionários públicos…Zero, para os aposentados… Zero, para as multinacionais comprar a COPEL…Crédito Emergencial! Socorro Bin Laden!
BIN LADEN E O LEILÃO DA COPEL
Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni
Ontem , por falta de interessados , o leilão da COPEL foi adiado. Pelo menos cinco liminares impediam , de qualquer forma , a sua realização.
Numa delas , o Presidente da Assembléia Legislativa é obrigado a repetir a sessão irregular que por um voto, engavetou um projeto de Lei assinado por 140 mil paranaenses, que proibia o leilão, colocando em cheque toda a desatinada obsessão do governo estadual em vender a empresa.
Outra liminar anula contratos lesivos que a COPEL firmou com sociedades criadas por seus dirigentes e políticos aliados ao Sr. Lerner para lucrarem antes e depois privatização . Afinal as leis exigem que as empresas públicas sejam saneadas, limpas e expurgadas de atos e contratos irregulares, antes de serem vendidas.
Noutra liminar o Sindicato dos Engenheiros é autorizado a acessar documentação da COPEL sem pagar os 35 mil dólares exigidos pelo governo estadual de quem queira conhecer detalhes da venda da empresa .
Apesar de tudo isso, nem uma palavra foi pronunciada sobre o tema em um grande telejornal da noite , no dia em que o centro do Rio foi tomado por uma operação militar digna de cinema , por causa do leilão da COPEL. Nem uma simples palavra. Nem mesmo acompanhada daquele olhar de desaprovação , já tão conhecido.
Omitir fatos , distorcer a realidade e faltar à isenção é prática da mídia mundial. Mas o preço a pagar é muito caro. E dele , um simpático casal televisivo já nos deu notícia ontem mesmo. De terrorista confesso , assassino de civis , Bin Laden está passando a santo , venerado como herói por quem não tem outra alternativa à versão oficial senão acreditar fanaticamente em qualquer um que a ela se oponha.
Aqueles que trabalham com Energia sabem como este é um assunto sério demais para ser distorcido por verbas publicitárias, pois afeta a industria , o emprego e a segurança das pessoas. O "apagão" no Brasil e na Califórnia provaram isso.
À mídia cabe mostrar problemas e propiciar a sua discussão. Ou então levará uma surra atrás da outra das novelas mexicanas e , o que é pior , até das argentinas.
Pelo menos até alguém perceber quanto seria barato e como daria lucro , vender informação que mostre os fatos por todos os seus lados, não só os do "Bem" e do "Mal". Inclusive sobre temas difíceis de explicar como o da energia.
Ivo Augusto de Abreu Pugnaloni , engenheiro , consultor em energia. enercons@enercons.com.br
Crédito emergencial do BNDES pode ser alternativa para salvar leilão da Copel
Financiamento estatal é visto por analista como saída estratégica para o processo, no lugar da mudança do preço mínimo de venda da empresa
A mão amiga do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), especializada em preencher lacunas financeiras de empresas em dificuldades e de negócios arriscados, pode entrar em ação para salvar o processo de privatização da Copel (Companhia Paranaense de Energia), adiado por falta de garantias das empresas pré-qualificadas.
A linha de crédito emergencial do governo federal, ainda um rascunho embrionário dentro da cúpula paranaense, pode ganhar força a medida em que a fuga das empresas habilitadas para a disputa se torna cada vez mais latente. O acordo seria costurado entre o governo do Paraná e o governo federal.
Nesta quarta-feira, a Tractebel, através de um comunicado oficial assinado por Jacques Van Hee, da área de Relações Externas da matriz belga, deu sinais claros que também está deixando a disputa, na qual era apontada como favorita e sócia majoritária num provável consórcio único. A empresa considera alto o preço mínimo de R$ 5,069 bilhões.
Mas apesar do choro ininterrupto das empresas, a chance de revisão do preço mínimo estipulado para a empresa é praticamente mínima, como afirma Sérgio Tamashiro, Unibanco Corretora. "Mudando o preço, os bancos responsáveis pela avaliação da empresa teriam que refazer todo o processo de análise da companhia, e o governo teria que publicar um novo edital, compondo novas regras para o processo. Isso levaria um tempo enorme", avalia.
Mudança de texto – Uma alteração no valor mínimo da empresa, continua Tamashiro, também daria razão a todas as ações impetradas na justiça contra a venda da empresa, que têm como principal argumento a dilapidação do patrimônio público, em função da subvalorização da empresa.
Um financiamento do BNDES pode ser a alternativa mais rápida, e talvez única, para a venda da empresa, segundo Tamashiro. A liberação em caráter de urgência de uma linha de crédito, direcionada aos três grupos pré-qualificados, para a aquisição das ações, pode ganhar corpo nos próximos dias.
O analista da Unibanco Corretora acredita que a medida, em caráter emergencial, pode ser tomada já nos próximos dias. "Dependendo das condições de caixa do banco, esse financiamento pode chegar a US$ 900 milhões, o equivalente à metade do valor mínimo estipulado" estima. "O banco também pode contrair empréstimos internacionais, junto a outros bancos de desenvolvimento", diz.
A medida, apesar de emergencial, encontra precedentes no próprio BNDES. Em 1998, o banco aportou cerca de US$ 1 bilhão para a Lightgás, durante o processo de compra da Metropolitana de Energia, de São Paulo, por exemplo.