Desenvolvimento? Onde? OBNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não faz juz ao seu título quando se olha sua relação com o setor elétrico! Do total de recursos que o banco man …

Desenvolvimento? Onde?


OBNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não faz juz ao seu título quando se olha sua relação com o setor elétrico! Do total de recursos que o banco mantêm com o setor, apenas 1/3 está comprometido com investimentos que gerarão novos kWh. Os outros 2/3 estão ligados à empréstimos para a privatização, recuperação tarifária extraordinária e Mercado Atacadista de Energia. Ou seja: quilowatt novo… nenhum! E qual é a principal fonte de recurso do BNDES? O Fundo de Amparo ao Trabalhador. Que ironia! O dinheiro daqueles que trabalham foi usado para ajudar a AES (Cayman) a comprar a Eletropaulo, desempregar 40% dos seus trabalhadores, o que diminui o FAT, e ainda por cima vai transformar o BNDES de credor em devedor!!! Qual será o limite da hipocrisia no Brasil???


AES diz que BNDES será "sócio" nas dívidas

Christiane Martinez
, Valor 16/09 De São Paulo


Quando selar efetivamente o acordo com a AES para equacionar a dívida de US$ 1,3 bilhão do grupo americano com o BNDES, no final do ano, o banco estatal vai se tornar, de certa forma, "sócio indireto" das dívidas da AES e ainda ajudará a quitar um passivo do qual era credor.


Afinal, para receber da AES US$ 1,3 bilhão, o banco concordou em trocar US$ 600 milhões da dívida por participação (50% menos uma ação) na holding Novacom. Essa holding reunirá a AES Eletropaulo; a termoelétrica Uruguaiana e a AES Tietê e sua controlada, a AES IHB, que tem dívida de US$ 300 milhões com vencimento em 2015.


Apesar de receber US$ 85 milhões em dinheiro e perdoar os juros de US$ 100 milhões se a AES cumprir o prometido, o BNDES ajudará a quitar as debêntures a serem emitidas pela Novacom de US$ 515 milhões, mesmo que não faça desembolso em espécie.


Segundo Joseph Brandt, executivo e reestruturador das dívidas da AES, 90% dos dividendos gerados pelas empresas operacionais que ficam sob o guarda-chuva da Novacom estarão comprometidos com o pagamento das debêntures. Somente depois de quitá-las juntamente com a AES, é que o banco poderá ganhar dinheiro como sócio da nova holding.


A versão de Brandt não é a mesma do BNDES. Na semana passada, o diretor financeiro, Roberto Timótheo da Costa, disse que 90% dos dividendos que a AES teria direito na Novacom (ou seja, metade do total) é que estão comprometidos com o pagamento das debêntures. E que, portanto, a parte do BNDES (a outra metade) seria repassada integralmente ao banco. Ontem, o banco não se pronunciou.


Diretamente, o BNDES não tem nada a ver com as dívidas das empresas operacionais que compõe a Novacom. Até porque, segundo Brandt, as dívidas serão pagas com o fluxo de caixa das próprias empresas. Ele mesmo admitiu, contudo, que usar o fluxo de caixa para quitar dívidas reduz os dividendos que serão remetidos à Novacom e, conseqüentemente, ao BNDES.


Ainda não está definido, mas as estimativas iniciais eram de que as debêntures seriam quitadas em 10 a 12 anos. O executivo acredita que o prazo poderá ser menor, entre 7 e 8 anos. Segundo Brandt, a antecipação do prazo deverá ocorrer porque, pelos termos previstos no memorando de entendimento, o pagamento dos vencimentos dos papéis não se dará pelo mínimo de cada parcela, mas pelo valor equivalente a 90% dos dividendos da Novacom


Ele acredita que, entre três e cinco anos, quando o setor elétrico voltar ao normal, a empresas operacionais da Novacom deverão gerar dividendos entre US$ 125 milhões e US$ 175 milhões ao ano. Pelas suas contas, apenas os juros simples das debêntures somam, ao ano, US$ 45 milhões, "fora a amortização do principal", diz. Ele considerou o pré-acordo "bom" para os dois lados, mas disse ter ficado "aborrecido" por ter pagar os US$ 85 milhões.


Ainda assim, para que seja selado o acordo, a AES terá de livrar as AES Tietê de garantidora de um empréstimo externo. "Vamos fazer algo que seja aprovado pelo BNDES", diz. Ele acrescentou, porém, que ainda não tem reuniões agendadas com os donos desses bônus. A expectativa é de que a AES proponha a troca de ativos na garantia dos bônus.


Brandt admitiu que a escolha de Eduardo Bernini para presidir "todas as empresas do grupo no Brasil" serviu para agradar ao BNDES. "O banco não teve poder de veto, mas a escolha de Bernini foi um exemplo de cortesia e boa fé de uma empresa que poderia se tornar sócia do banco."


Brandt, que se reuniu com a imprensa brasileira pela primeira vez ontem, negou que tenha havido desentendimento entre executivos da AES no Brasil e do BNDES. Centralizar a negociação com os executivos da matriz, segundo Brandt, serviu apenas para agilizar o entendimento entre o grupo e o BNDES. Ele confirmou que o lobista Nelson Santos ajudou a AES nas negociações.


Segundo Brandt, o BNDES tem a opção de "drag along", por meio do qual o banco (minoritário) consegue forçar o controlador a vender a empresa se receber uma oferta considerada interessante.



Eletropaulo espera R$ 737 milhões após acordo entre AES e BNDES Estado de SP 16/09


Companhia também pretende ser incluída no projeto de capitalização para o setor elétrico

MÁRCIO ANAYA e SILVIA FREGONI




A vice-presidente financeira e de relações com investidores da Eletropaulo, Andrea Ruschmann, afirmou ontem, durante teleconferência com analistas que, após o acordo final entre o Grupo AES e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – previsto para ser firmado até dezembro -, espera receber imediatamente do governo R$ 737 milhões. Desse valor, R$ 497 milhões referem-se ao adiantamento da Conta de Variação da Parcela A (CVA) e o restante (R$ 240 milhões) corresponde à terceira parcela do empréstimo do racionamento de energia. A companhia espera ainda ser incluída no projeto de capitalização para o setor, mas a executiva afirmou que o assunto ainda precisa avançar junto ao BNDES.


Segundo o vice-presidente da AES Corporation, Joseph Brandt, o BNDES não terá nenhuma obrigação com as dívidas da AES Tietê e da Eletropaulo com credores privados. "A dívida de cada uma das empresas que farão parte da Novacom será responsabilidade delas, separadamente", explicou o executivo.


Pelo acordo entre a AES e o BNDES, cada operadora da Novacom vai gerar caixa e pagar suas próprias dívidas com esses recursos, distribuindo o que sobrar em dividendos. Os dividendos que serão recebidos pela Novacom serão utilizados para o pagamento da dívida da AES com o BNDES.


Brandt disse que o grupo americano espera que as operadoras consigam geração de caixa suficiente para arcar com essas obrigações. "Se não achássemos isso possível, não teríamos fechado acordo com o BNDES e concordado em pagar à vista US$ 85 milhões ao banco." O executivo lembrou que, pela proposta preliminar acertada com o BNDES, o banco poderá assumir o controle total das empresas no caso de inadimplência.


Comando – O vice-presidente da AES Corporation informou também que o executivo Eduardo José Bernini vai presidir todas as empresas da AES que fizerem parte do acordo com o BNDES. Bernini já foi eleito presidente da Eletropaulo e assumiu o cargo em 1.º de setembro. De acordo com Brandt, a indicação do executivo foi apresentada ao BNDES antes do anúncio ao mercado. A indicação, segundo ele, foi decidida em agosto.


Brandt afirmou que o BNDES não tinha poder de vetar o nome do executivo, já que o acordo com a AES ainda não havia sido fechado.


"A consulta ao banco foi uma questão de cortesia e de boa fé de uma empresa que poderia se tornar sócia da instituição", explicou. Apesar de Bernini presidir todas as empresas que farão parte do acordo com o BNDES, ainda não foi definido se ele assumirá o comando da Novacom, a holding que englobará os ativos da AES no Brasil.


Governo vai ajudar elétricas com R$ 4,9 bilhões


Pacote terá dois programas, um de R$ 3 bi e outro de R$ 1,9 bi, e deve beneficiar 18 distribuidoras

ALAOR BARBOSA e KELLY LIMA


RIO – O governo deve anunciar ainda esta semana um pacote de ajuda para 18 empresas distribuidoras de energia elétrica, no valor de R$ 4,9 bilhões. O pacote será constituído basicamente por dois programas: a capitalização das empresas, no valor de R$ 3 bilhões, e outro, no total de R$ 1,9 bilhão, referente à compensação às empresas pelo não-repasse integral dos chamados custos não-gerenciáveis (Parcela A).

Segundo o gerente da área de energia do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Nelson Siffert, a capitalização terá a participação dos acionistas controladores das distribuidoras, que converterão créditos em participações acionárias; de bancos privados credores, que alongarão os créditos de curto prazo; e do que subscreverá debêntures dessas empresas. O anúncio deverá ser feito em conjunto pela ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, e pelo presidente do banco estatal de fomento, Carlos Lessa.

Siffert não informou o nome das empresas participantes do programa. No mercado, as apostas são na Eletropaulo, Light, Escelsa, Cerj, Coelce, as empresas dos grupos Guaraniana (Coelba, Cosern e Celpe), Cataguases Leopoldina e Rede. Procuradas pelo Estado, as empresas não quiseram se manifestar ou não foram encontradas para comentar o assunto.

O superintendente de relações com investidores da Cemig, Luiz Fernando Rolla, disse que a empresa tentará participar do pacote de ajuda, mas enfrenta dificuldades para conseguir a participação de seu controlador, o governo de Minas Gerais. "O governo do Estado não teria como capitalizar a companhia na situação atual", afirmou.

O governo quer equacionar o endividamento das empresas distribuidoras de energia elétrica porque elas funcionam como "o caixa do sistema", conforme definiu Siffert. Cabe às distribuidoras receber do consumidor e repassar recursos para as geradoras, alimentando todo o setor elétrico. Como algumas distribuidoras estavam financeiramente fragilizadas, todo o setor estava em risco.








Novo modelo – A medida foi bem recebida no mercado. "O governo está dando um importante sinal de que acredita na reação das empresas do setor", avaliou o analista de energia elétrica do Banco Dreyfus Brascan, André Segadilha. Segundo ele, o pacote dá um grande fôlego ao setor, principalmente porque prevê a participação dos acionistas das empresas. Segadilha acredita que o governo pode vir a estender a ajuda às geradoras, que também enfrentam dificuldades.


O secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Maurício Tolmasquim, já chegou a afirmar que há a intenção, dentro do governo, de ajudar as geradoras. O problema, disse ele há cerca de um mês, era encontrar uma fonte de recursos para um novo pacote de ajuda.

Ao contrário do que afirmam empresários do setor, porém, o BNDES não considera o racionamento de energia como o fator primordial para a crise do setor. "Na nossa visão, o que afetou as empresas do setor foi o excessivo endividamento em dólares e as operações financeiras (de mútuo) com os acionistas controladores. O racionamento foi um fator de importância menos relevante", disse Siffert.

Ele acrescentou que não haverá um modelo único para a ajuda às empresas, que será analisada caso a caso. "Será avaliado o esforço de cada uma em capitalização e renegociação de suas dívidas com os bancos privados e com quanto o BNDES terá que participar dessa negociação."

A capitalização das empresas é considerada fundamental para a implementação do novo modelo do setor, em estudo no ministério. Ontem, Tolmasquim disse que o governo ainda negocia com as geradoras a questão da revisão tarifária.

As geradoras querem abrir mão da revisão tarifária a cada cinco anos, com medo de enfrentar as mesmas dificuldades das distribuidoras na hora da revisão. "Se todas as empresas assim preferirem, assim será."

"É um tiro no escuro. Elas tanto podem sair ganhando, como o consumidor pode sair ganhando mais. Mas, de qualquer maneira, há um risco grande de um dos dois quebrarem, porque no Brasil nenhum índice é tão forte por um período de 20 anos, que é o prazo para os contratos vigorarem", advertiu. (Colaboraram Nicola Pamplona e Raquel Massote)

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