Descoberta uma terceira bomba em torre da Itaipu
Elza Oliveira e Geraldo Magella
Enviado especial
NOVA TEBAS (PR) e CURITIBA. Uma nova bomba foi descoberta no fim da tarde de ontem enterrada junto à base de uma torre da linha de transmissão de energia da usina de Itaipu no município de Pitanga, região central do Paraná, a 380 quilômetros de Curitiba. O artefato, que será desativado hoje por peritos da Polícia Federal, está a cerca de 20 quilômetros do local onde uma torre foi derrubada,na madrugada do último domingo, pela explosão de uma bomba. É a terceira ocorrência na região, onde anteontem foi desativada outra bomba, numa torre próxima à que caiu.
Um telefonema anônimo, recebido ontem pela empresa Furnas Centrais Elétricas, responsável pela transmissão da energia de Itaipu, informava sobre a existência de 12 bombas nos linhões que cortam o Paraná.
– Estamos preocupados. Não sabemos o que está ocorrendo. Ninguém assume a autoria e nem explica o que se trata – disse o engenheiro José Maurício Zaroni, chefe do Departamento de Produção de Furna.
O engenheiro contou ainda que a ligação foi feita para o telefone de um assessor administrativo na sede da empresa em Foz do Iguaçu, na fronteira do Brasil com o Paraguai.
– Como o aparelho não possui Bina (equipamento que identifica o telefone do qual partiu a ligação), não foi possível fazer a localização da chamada. O homem disse que não devíamos apressar o reparo da torre de Nova Tebas (explodida na madrugada do último domingo) porque havia mais 12 bombas espalhadas entre Foz e São Miguel do Iguaçu – afirmou Zaroni.
Segundo Zaroni, a Polícia Federal em Foz do Iguaçu foi acionada logo após o telefonema. Equipes da PF e de Furnas inspecionaram, de início, as 80 torres das quatro linhas de transmissão à procura de explosivos. Foram verificadas, ao todo, cerca de 320 torres,distribuídas em 45 quilômetros de linha. O engenheiro de Furnas pôs em plantão permanente os 213 funcionários da empresa no estado.
Os técnicos de Furnas decidiram não desligar a linha de corrente contínua onde foi localizada ontem a nova bomba para não prejudicar o abastecimento das regiões Sul e Sudeste, normalizado no fim da manhã com a recuperação da torre destruída domingo.
O cabo da Polícia Militar Rosaldo Sutil de Oliveira, do município de Manoel Ribas, a 13 quilômetros do local onde foi encontrada a bomba, foi um dos primeiros a chegar à propriedade do agricultor Avelino Roither. O artefato havia sido descoberto por um filho do dono da propriedade, que estava preparando o solo para o plantio com um trator e passou perto da torre, a cem metros da casa da família.
– A bomba parece estar lá há algum tempo porque há indícios de que tomou chuva. É possível ver respingos de lama e há dois dias não chove na região. Aparentemente, o artefato é semelhante aos outros encontrados. Dá para contar três latas de leite em pó enterradas ao pé da torre de onde saem alguns fios em direção a outra parte, colocada mais na base de metal – contou Oliveira.
A família que mora na propriedade informou que não percebeu qualquer movimentação estranha na região.
A área foi isolada por policiais militares, civis e dois agentes da Polícia Federal que estão investigando a autoria do atentado na região. Segundo o subdelegado de Manoel Ribas, Luiz Carlos dos Santos, a bomba está a 300 metros da pista da BR 487, que liga NovaTebas a Pitanga. Os outros explosivos foram encontrados às margens da estrada.
Outra coincidência é o fato de a nova bomba estar junto a uma torre estaiada, ou seja, o tipo de estrutura que tem apenas uma base fincada ao chão e é sustentada por quatro cabos. Foi uma torre semelhante que caiu em Nova Tebas no domingo.
– Não temos como vistoriar tudo no Paraná, onde existem três mil quilômetros de linhas de transmissão com cerca de sete mil torres – disse o engenheiro Zaroni.
O chefe da equipe de manutenção de Furnas, João Carlos Ribeiro, que comandou os trabalhos de reparo em Nova Tebas, estava pronto para ir embora no fim da tarde de ontem, mas a notícia da descoberta de outro artefato interrompeu a folga dos 80 trabalhadores que ficarão de prontidão para atender a qualquer ocorrência.
Os peritos da PF devem chegar a Manoel Ribas durante a madrugada e iniciarão o desmonte da bomba logo que amanhecer o dia. Um deles afirmou não ter dúvidas de que quem colocou as bombas planeja uma espécie de atentado em série. A PF acredita que quem instalou e armou as bombas é especialista em explosivos.
Na segunda-feira foram gastos 50 minutos para desarmar o outro artefato que, na opinião do perito Argeu Bezerra, não explodiu devido à umidade ou a uma falha no mecanismo de tempo.
Em Nova Tebas, a equipe de manutenção de Furnas terminou ontem o trabalho de reconstrução da torre atingida pela explosão no domingo. A última etapa foi a instalação dos cabos elétricos, concluída às 10h38m. Às 11h08m, a transmissão de energia entre a Usina de Itaipu e as regiões Sudeste e Centro-Oeste foi religada pela subestação de Ivaiporã. Segundo o chefe da equipe de manutenção de Furnas, a antecipação do trabalho de reconstrução da torre em um dia acabou gerando uma economia de aproximadamente R$ 50 mil para a empresa.