O governo FHC dá duas boas notícias para o consumidor: Com a queda da tensão, seus aparelhos podem pifar, mas em compensação, a tarifa de energia vai ficar mais cara. A justificativa do aumento é a proteção das distribuidoras, que, coitadas, não sabiam da crise, foram pegas de surpresa e afinal, o que é que elas têm a ver com a crise?
Tarifa de energia vai subir mais 5%
Aumento adicional vai atingir consumidores das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste pelos próximos dois anos
BRASÍLIA – As tarifas de energia elétrica dos consumidores das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste vão ficar cerca de 5% mais caras pelos próximos dois anos, além dos reajustes anuais previstos nos contratos de concessão firmados com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Esse aumento adicional é mais uma conseqüência da escassez de energia nessas três regiões do país, atingidas pelo racionamento desde o início deste mês.
Na próxima semana, o governo decide de que forma esse reajuste será aplicado, mas a tendência é que seja pela edição de uma Medida Provisória. A justificativa para o reajuste é que as distribuidoras terão de comprar energia através de leilões.
”Na verdade, esse assunto será discutido na próxima reunião da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE)”, afirmou o ministro das Minas e Energia, José Jorge. A energia vendida é aquela ainda não contratada e que também resulta de ofertas de curto prazo, como usinas térmicas embarcadas. Essa energia é mais cara que a dos contratos iniciais firmados entre geradoras e concessionárias.
Insumo em falta – Neste ano, a Aneel já autorizou reajuste para 20 concessionárias das regiões Sudeste e Nordeste. O aumento médio foi de 15,97%, contra o IGP-M de 11,05% acumulado nos últimos 11 meses. O IGP-M baseia os contratos de concessão para exploração da distribuição de energia.
O preço da energia está ainda mais alto por causa da falta desse insumo no país. O valor estabelecido para o Mercado Atacadista de Energia (MAE) é de R$ 684 o Megawatt (MW), contra cerca de R$ 50 por MW nos contratos iniciais, de longo prazo. O aumento de 5% vai vigorar por dois anos, prazo de duração dos contratos para a energia comprada nesses leilões.
No caso dos consumidores do Rio, o próximo aumento além desse percentual já anunciado, será em novembro para os consumidores da Light, e em janeiro para os clientes da Cerj. Já em junho do próximo ano será a vez dos consumidores da Cenf enfrentarem o peso do reajuste.
Em novembro do ano passado, a Light recebeu autorização para aumentar em 15,75% suas tarifas e mais 1,55% em fevereiro, em razão do aumento do Cofins. O IGP-M de novembro de 1999 a outubro do ano passado foi de 13,57%.
Na Cerj, a autorização foi concedida em janeiro deste ano, com percentual de 8,58%. O IGP-M de dezembro de 1999 a novembro de 2000 foi de 11,24%. O último aumento autorizado para a Cenf foi no dia 18 de junho, da ordem de 16,25%. De junho de 2000 a maio deste ano, o IGP-M foi de 11,04%. JB 22/6
Tensão elétrica menor
GABRIELA LEAL
BRASÍLIA – Os consumidores devem se preparar para mais um efeito negativo do racionamento: a redução do nível de tensão da energia, medida que o governo prepara como uma tentativa de se garantir a redução de 20% do consumo e evitar o apagão no Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste
A tensão menor será adotada até novembro deste ano para dar um ganho de 1% no nível de água dos reservatórios. O governo está preocupado com a evolução do racionamento. A economia de luz no Sudeste e Centro-Oeste caiu de 18,1% no domingo para 17,9% na quarta-feira, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). No Nordeste, a economia caiu de 19,1% no domingo para 18,9%.
A redução de tensão foi discutida ontem entre o Grupo de Preparação do Programa de Corte de Carga e o núcleo executivo da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE). Essa é uma das medidas do Plano B, que estuda cortes programados, os chamados apagões.
Feriado semanal – Outra possibilidade é a adoção do feriado semanal. Tudo isso para evitar o apagão, confidenciou um integrante da Câmara. As concessionárias de energia elétrica vão distribuir a energia no nível mínimo de tensão permitido, disse um integrante da Câmara, garantindo que isso não trará problemas técnicos aos eletrodomésticos. Mas se a tensão cair abaixo do mínimo exigido, os problemas podem ocorrer.
Os técnicos da GCE garantem ser possível identificar quando um aparelho está operando de forma irregular por causa das variações de tensão. Um dos sinais é um barulho diferente. Residências e fábricas localizadas no fim do sistema de distribuição já estão acostumados com a queda de tensão, lembram os técnicos. Falta ainda explicar o que devem fazer os consumidores eventualmente lesados.
O grupo também apresentou à GCE alternativas sobre o que fazer se os reservatórios ficarem com menos água do que as previsões do ONS. Se os apagões forem adotados, não poderão ser inferiores a duas horas nem passar de quatro. Deverá haver intervalos iguais entre o período de desligamento e de abastecimento da luz, explicou o integrante do grupo.
Cidades grandes, com mais de 200 mil ou 500 mil habitantes, não terão apagão nos horários de pico para evitar transtornos no trânsito. Também não pode haver apagão de madrugada porque o consumo já é tão baixo que a interrupção pode causar pane na própria transmissão. JB 22/6