Apesar das declarações otimistas das autoridades do setor, a situação é grave. A crise está apenas diminuída com a volta do período chuvoso. Temos dito…. Leia sobre as causa dos …

Apesar das declarações otimistas das autoridades do setor, a situação é grave. A crise está apenas diminuída com a volta do período chuvoso. Temos dito…. Leia sobre as causa dos apagões


JB 14/12/2000


APAGÃO VERÃO I

Apagão deixa 63 cidades sem energia

Pane começou na usina nuclear de Angra II. Queda de cabos na linha de transmissão das subestações piorou o problema


LUCIANA CABRAL E GABRIELA LEAL*


RIO E BRASÍLIA – O estado do Rio de Janeiro foi atingido, ontem, por uma suspensão do fornecimento de energia elétrica que durou 1h20 e deixou 63 dos 92 municípios do Rio sem abastecimento. As zonas Norte e Oeste da capital também sofreram conseqüências, assim como parte de todas as cidades da Baixada Fluminense. A causa do apagão, segundo a Eletronuclear, foi um problema em uma bomba de resfriamento da usina nuclear Angra II, por volta das 11h40, quando o sistema foi automaticamente desligado e Furnas Centrais Elétricas adotou medidas emergenciais. Somente às 15h o fornecimento de energia foi normalizado.


Agências bancárias em pane, hospitais funcionando com geradores, ventiladores parados em um calor que beirava os 40 graus e pessoas presas em elevadores. O estado mais uma vez se viu diante do risco de entrar em colapso energético. A Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj), responsável pelo abastecimento de 66 cidades fluminenses só continuou fornecendo energia para cinco municípios: Porto Real, Resende, Parati, Angra dos Reis e Mangaratiba. Os outros passaram o início da tarde sem energia. A Light, fornecedora de energia para 30 municípios, teve problemas graves em Duque de Caxias e Três Rios e suspensões parciais em sete cidades.


De acordo com a Central de Operações de Furnas, desde às 11h10 começaram a aparecer os sinais do problema na bomba de refrigeração do circuito secundário de Angra II, que fornece 1.350 megawatts ao estado. A Eletronuclear informou que a usina foi desligada automaticamente às 11h40, quando foi detectado um aquecimento do sistema. Mesmo assim o reator não parou de funcionar. Apesar de várias tentativas técnicas, até às 20h30 o sistema não pôde ser novamente sincronizado para a produção de eletricidade.


Assim que acusou o corte no fornecimento, para não sobrecarregar o sistema, um mecanismo automático em Furnas desativou as subestações de Adrianópolis, São José e Imbariê, que atendem a regiões menos populosas. A intenção era diminuir a demanda enquanto era solicitado o fornecimento de energia de outras usinas do sistema interligado brasileiro, como a de Itaipu. Operadas pela Cerj, Baixada Litorânea, Região dos Lagos, Região Serrana e Niterói ficaram sem luz. Às 13h, Furnas conseguiu regularizar o abastecimento, mas a queda de cabos entre as subestações atrapalhou e Maricá, Itaboraí, Cachoeira de Macacu, Tanguá e Rio Bonito só voltaram a ter energia às 15h.


A Light teve 11 subestações afetadas, interrompendo o abastecimento das 11h10 às 11h53 em parte da Baixada Fluminense e das Zonas Norte e Oeste. Entre 12h28 e 12h50 o desligamento da subestação São José, localizada na Baixada Fluminense e operada por Furnas, afetou nove subestações da Light e interrompeu o fornecimento em Duque de Caxias e Três Rios, parte da Zona Norte do Rio, Ilha do Governador, Paquetá e Ilha do Fundão, as três últimas localidades com interrupção total. As rápidas quedas de energia na Zona Sul não tiveram relação com Angra II, segundo a Light, que informou que houve um erro de manobra na estação de Baependi coincidentemente no mesmo horário.


*Colaboraram Lea Agostinho e Marisaura Amado

Aneel espera 15 dias por relatório

BRASÍLIA – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) vai exigir relatórios técnicos das empresas envolvidas no desligamento que atingiu, ontem, 61 municípios atendidos pela Cerj e duas cidades da área da Light – outros sete municípios foram atingidos parcialmente. A agência também quer explicações da Eletrobrás Termonuclear S/A em relação às causas da paralisação da Usina Termonuclear de Angra II, ocorrida por volta das 11h50 de ontem. As empresas têm 15 dias para enviar os relatórios à Aneel. O presidente do Operador Nacional do Sistema (ONS), Mário Santos, informou ontem que ocorreram no Estado três problemas aparentemente independentes.


Em nota distribuída à imprensa, a Aneel informou ainda que os consumidores que tenham tido prejuízos causados pela interrupção de energia devem procurar as distribuidoras da região (Light e Cerj) para solicitar o ressarcimento por danos em equipamentos eletroeletrônicos.


O primeiro problema de abastecimento do Rio, informou Mário Santos, foi o desligamento de Angra II. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, disse que a usina ficou sem funcionar de 11h50 às 15h e deveria voltar a plena carga até às 20h de ontem. Segundo ele, a usina estava operando com a capacidade de 1.360 Megawatts, mas o funcionamento foi interrompido por causa de problemas em uma bomba de resfriamento do gerador. A usina, explicou, está funcionando mesmo sem a licença definitiva, fazendo testes concluídos na segunda-feira à noite.


O segundo problema, informou Santos, foi com duas importantes subestações do Estado, a de São José e a de Adrianópolis, a principal do Rio. ” Com os problemas nas duas subestações, cerca de 1,1 MW, ou 20% do mercado, deixaram de ser transmitidos. O problema durou meia hora. As linhas apresentaram defeitos às 12h26, afirmou Mário Santos. O terceiro problema foi causado pela queda de cabos de linhas de transmissão de Furnas, na subestação de Magé.


A Aneel quer saber se os três problemas estão interligados. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, informou que a energia de Angra II estava sendo integrada ao sistema por causa da fase de teste. Para Firmino Sampaio, a Aneel não deverá aplicar punição à usina, porque o problema foi gerado por falha em equipamentos.


Falta de entrosamento

Para explicar a demora na volta do abastecimento de energia, Furnas e Cerj deram informações desencontradas sobre de quem era a responsabilidade. De acordo com Furnas, desde 13h o problema foi resolvido e teve início a religação das subestações. No entanto, apenas às 15h10 tudo voltou ao normal. A geradora, através de sua assessoria, revelou que a Cerj acusou problemas em sua subestação em Magé e pediu que Furnas não ligasse a estação de fornecimento de Rocha Leão.


A Cerj nega essa informação e disse que a culpa foi de Furnas, que só voltou a fornecer energia às 14h15 para a subestação de Magé, por causa da queda de um cabo da geradora na linha de transmissão Adrianópolis-Magé e São José-Magé. Furnas, no entanto, diz que este cabo de 138 kV pertence à Cerj e assumiu apenas a responsabilidade pelo rompimento de um outro cabo pára-raio que também caíra na mesma linha de transmissão.


Um comunicado oficial do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informa que o Esquema de Controle de Emergência da Área Rio agiu corretamente ao preservar cargas com o desligamento de subestações e diz que os cabos que apresentaram problemas pertencem a Furnas.


Colaboraram Júlia Duque Estrada, Léa Agostinho e Marisaura Amado

Um dia de caos em Niterói

Niterói viveu um dia de caos com a falta de energia por mais de quatro horas. A pane trouxe transtornos aos motoristas que tiveram de utilizar as principais vias do centro. Os sinais de trânsito ficaram apagados, sendo necessária a presença de policiais militares para controlar o engarrafamento. Os pontos de maiores retenções foram registrados na Avenida Amaral Peixoto, Ruas da Conceição, Jansey de Mello e Feliciano Sodré, além de toda a orla de Icaraí. Foram registradas pequenas colisões.


Vários estabelecimentos comerciais tiveram que fechar as portas. Foi o caso do McDonalds, no centro de Niterói, que teve três bobinas queimadas e foi obrigado a interromper o atendimento na hora do almoço. Alguns bancos também pararam de funcionar durante o apagão.


Consulta- A dona de casa Lygia de Oliveira, 80 anos, que sofre de hidrocefalia, não pode ir ao médico. Ela teria que descer 14 andares do prédio onde mora na Rua Otávio Carneiro, em Icaraí e ainda subir 17 andares do consultório no mesmo bairro, no Shopping Icaraí. ”Tive que remarcar o neurologista para sexta-feira. O problema é que a medicação deste mês já venceu. Não podia ter perdido essa consulta”, lamentou.


Já o prejuízo do gerente Murilo Gonçalves, do açougue Gaúcha Carnes, em Icaraí, foi financeiro. Dez lâmpadas fluorescentes do açougue queimaram e tiveram que ser substituídas. ”Gastei mais de R$ 60 com as lâmpadas novas. A minha sorte é que o frigorífico tem capacidade de conservar a carne por mais de três horas”, contou.


Depois do restabelecimento da energia, 90 operadores e agentes de trânsito da Prefeitura foram deslocados para as principais ruas de Niterói. Eles ficaram de prontidão nos cruzamentos com o objetivo de evitar novos transtornos caso houvesse uma nova queda de energia.


Em São Gonçalo, houve duas quedas de energia. A primeira, que durou quinze minutos, ocorreu por volta das 11h45. A segunda foi por volta das 13 horas e durou cinco minutos.


Na Baixada Fluminense, os moradores também sofreram com a falta de luz, que atingiu, principalmente, as ruas Parque Duque e Vinte e Cinco de Agosto, em Duque de Caxias, e Vilar dos Teles, em São João de Meriti.

Cedae pára por duas horas

A falta de energia elétrica que atingiu vários pontos do Rio na tarde de ontem, também comprometeu o abastecimento de água da cidade. De acordo com informações da Cedae, a Elevatória do Lameirão, responsável pelo bombeamento de 80% da água produzida pela Estação de Tratamento do Guandu, teve o seu funcionamento suspenso por cerca de duas horas.


Em decorrência da interrupção no fornecimento de energia elétrica, o abastecimento ficou prejudicado em todo o município do Rio de Janeiro, com exceção da Zona Oeste e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Bairros localizados em pontos de elevação, como Santa Teresa e parte da Tijuca, e em finais de rede, como Urca e Leme, foram os mais prejudicados. A previsão da Cedae é que o abastecimento seja normalizado hoje.


As 22 unidades da rede estadual, entre hospitais, postos de saúde e institutos não foram prejudicados com a falta de energia. De acordo com o superintendente da secretaria estadual de Saúde, Oscar Berro, não houve risco para os pacientes, já que geradores foram acionados. Os bombeiros receberam várias chamadas para salvamento de pessoas que ficaram presas nos elevadores. Só em Niterói foram registradas cinco chamadas seguidas.


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