Apesar das declarações otimistas das autoridades do setor, a situação é grave. A crise está apenas diminuída com a volta do período chuvoso. Temos dito…. Leia sobre as causa dos apagões
Apagão Verão II
RIO, 13 (Globo On Line) – O apagão provocado por uma pane na subestação Frei Caneca da Light ocasionou problemas em três subestações do Metrô. Toda a linha 2 ficou paralisada e o trecho da Linha 1 entre as estações do Estácio e Flamengo também ficou parado por 11 minutos. Os trens conseguiram chegar às estações e ninguém ficou preso nos vagões. O tráfego no Metrô nesse momento já está normalizado.
Segundo a Light, o apagão durou 11 minutos e atingiu todo o Centro e bairros da Zona Sul, de Botafogo à Glória.
Pessos ficaram presas nos elevadores de vários prédios do Centro, segundo o Corpo de Bombeiros. O setor administrativo do Hospital Souza Aguiar ficou sem luz mas o resto da unidade funcionou com gerador.
Algumas lojas na Rua Sete de Setembro no Centro do Rio baixaram as portas durante alguns porque houve medo de arrastão. Quem estava dentro das lojas, cheias devido ao período de compras de Natal, não pôde sair. Filas se formaram do lado de fora das lojas. O movimento voltou ao normal após o restabelecimento da energia.
Novo apagão atinge oito bairros
O segundo blecaute em menos de 24 horas foi provocado por um problema na subestação da Light, na Frei Caneca
CRISTIANE DE CÁSSIA E LUCIANA CABRAL
Um dia depois do blecaute que atingiu 63 dos 92 municípios do Rio, a cidade voltou a ficar sem luz. Desta vez, o apagão durou 12 minutos. O apagão atingiu o Centro da cidade e os bairros do Flamengo, Glória, Catete, Santa Teresa, Largo do Machado, Laranjeiras e parte de Botafogo entre 13h40 às 13h52. ”O blecaute foi provocado por um desarme acidental na subestação da Rua Frei Caneca, no Centro”, explicou José Márcio Ribeiro, assistente-executivo de Operações da Light, sem dizer o que causou o acidente. Para o vice-diretor da Coppe, Luiz Pinguelli, o fato pode ser um sinal de instabilidade no sistema. ”Há algo no ar além dos aviões de carreira, pode ser um aviso do caos”, alertou.
Por coincidência ou não, na terça-feira, durante o apagão provocado por Angra II, outra subestação da Light, a de Baependi, teve um problema técnico que deixou parte da Zona Sul sem energia por três minutos. A Light informou que não houve sobrecarga no sistema em ambos os casos e que os blecautes não tiveram relação com o caso de Angra. Segundo a empresa, a subestação da Frei Caneca está em obras há dois anos e o que causou o blecaute foi o desligamento da barra de 138 mil volts, responsável pela distribuição de energia para sete subestações, que abastecem o Centro e Zona Sul.
De acordo com a Light, ainda que não há um planejamento específico para o verão como forma de evitar os blecautes, que o sistema prevê o aumento de consumo para esta época do ano e está preparada para atender todas as estações do ano.
Transtornos – Para o carioca, mais uma vez o blecaute trouxe transtornos para o trânsito, que ficou complicado nos bairros afetados pela queda de energia. Vários sinais de trânsito pararam de funcionar, mas nenhum acidente foi registrado. De acordo com a Central de Operações do Corpo de Bombeiros, também não houve qualquer chamado de emergência, como resgates em elevadores.
No Largo do Machado, na Zona Sul, pelo menos uma loja teve que suspender o atendimento na hora do almoço. ”A loja estava cheia. E não tínhamos como preparar os sanduíches, já que as chapas só funcionam com energia elétrica. A máquina de refrigerante e de sorvete também parou de funcionar. Mas, felizmente, não houve tumulto”, contou o gerente Christiano Teodoro Silva.
No Centro, donos de restaurantes reclamavam dos prejuízos causados pelo apagão de 12 minutos. ”Quando passamos por falta de energia, não é apenas a falta de luz que nos preocupa. O exaustor deixa de funcionar e a fumaça invade o restaurante, além do risco da comida estragar. Vários clientes saíram do restaurante e ainda não sabemos se os equipamentos vão apresentar defeitos”, lamentou Darcílio Junqueira, responsável por um restaurante na Rua da Alfândega.
Para quem trabalha em escritório, o problema foi outro. ”Perdi todas as planilhas que estava fazendo no computador”, disse Cíntia Figueiredo, administradora. Quem precisava da linha 2 do metrô teve que esperar porque do Estácio à Pavuna as viagens foram suspensas. Na linha 1, do Estácio a Copacabana, as estações também ficaram sem energia e as composições circularam em baixa velocidade. Segundo a assessoria da concessionária Opportrans, que administra o Metrô, ninguém ficou preso nos trens e não houve a necessidade de evacuar as estações.
A Cedae informou que a Elevatória do Lameirão, responsável pelo bombeamento de 80% da água produzida na Estação de Tratamento do Guandu, que na terça-feira teve o funcionamento suspenso por duas horas, não foi afetada com o apagão de ontem. De acordo com a empresa, todo o sistema foi recuperado e o abastecimento de água, normalizado. (JB 14/12/2000)
O sistema está vulnerável”
Enquanto o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) garante que os procedimentos adotados por Furnas Centrais Elétricas durante o apagão de terça-feira foram corretos, o vice-diretor da Coppe/UFRJ, Luiz Pinguelli Rosa, alerta para um ”caos” no fornecimento de energia no país. ”O sistema está vulnerável, se funcionasse do jeito que sempre foi seria automático a recomposição da carga. Não é normal que, por causa de um sistema em teste, aconteça tanto transtorno”, disse Pinguelli, se referindo ao blecaute em 63 dos 92 municípios do Rio. O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, não foi localizado por sua assessoria para comentar as declarações.
Segundo Pinguelli, são comuns falhas no sistema, mas não é ”aceitável” que Furnas demore 1h20 para recuperar as cargas perdidas com o desligamento da usina nuclear Angra II – provocado por um defeito em uma das bombas de refrigeração. ”Se fosse uma linha de transmissão derrubada por tempestade, justificaria a demora em encontrar a solução. Mas não um problema interno”, afirmou Pinguelli, que levou ao Ministério das Minas e Energia um relatório mostrando que há um déficit de 15% na geração de eletricidade no país – que até pouco tempo era de 5%. O ministério ainda não se pronunciou sobre o documento .
O ONS, que coordena as operações de geração e transmissão de energia elétrica da rede básica do Sistema Interligado Nacional, informou, através de nota oficial, que ”atuou no sentido de agilizar a recomposição de cargas”. Para Pinguelli, isso indica que não tinha energia disponível no momento do acidente e por isso foi preciso desligar três subestações de Furnas – Adrianópolis, Imbariê e São José – até que fossem localizadas novas fontes de eletricidade. ”Como não houve uma política de expansão e o Brasil cresce demográfica e industrialmente, estamos operando sem reservas e em risco de sofrer blecautes”, afirmou Pinguelli.
De acordo com o vice-diretor da Coppe, desde 1978, quando terminou o governo do presidente Ernesto Geisel, os investimentos em energia elétrica deixaram de ser prioritários para o país. ”Não ampliamos o que tínhamos, fizemos apenas algumas pequenas obras ou terminamos outras, como Angra II, que só ficou pronta após 25 anos”, explicou Pinguelli. Com a aproximação do verão, segundo ele, os riscos de novos incidentes como os que aconteceram nas subestações da Light ou a dificuldade de Furnas em reestabeler o fornecimento serão acentuados. (JB – 14/12/2000)