Assume o sr. Luiz Carlos Santos a "presidência" de FURNAS. Trata-se de um eufemismo. Um presidente de uma empresa como FURNAS deveria liderar grandes investimentos. Que importantes obras fará o Sr. Luiz Carlos Santos? Nenhuma! Assume para dilacerar e alienar um patrimônio da sociedade brasileira que provávelmente jamais se recuperará! Esse tipo de função não deveria se denominar "presidência". Mais parece com a função do Dr. Morte ou do auxiliar de enfermagem que apressa a morte do doente para a alegria das funerárias. Vale a pena reler Elio Gaspari.
JB 13/05/99
Furnas já tem novo presidente
ILIMAR FRANCO
BRASÍLIA – O ex-líder do governo e ex-ministro Luiz Carlos Santos (PFL) será o próximo presidente de Furnas. O presidente Fernando Henrique Cardoso comunicou sua escolha ao presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e ao líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), antes de embarcar para os Estados Unidos na semana passada. Na
terça-feira, Luiz Carlos Santos foi recebido pelo ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e sua nomeação deverá ser formalizada na reunião do Conselho de Administração da empresa, quarta-feira.
A nomeação de Luiz Carlos Santos para a presidência de Furnas foi reivindicada pelo PFL durante a formação do governo para o segundo mandato, mas não tinha sido feita até agora devido a resistências do PSDB paulista. Os tucanos não perdoam o fato de Luiz Carlos Santos ter sido vice na chapa de Paulo Maluf, do PPB, que disputou o governo de São Paulo, contra o governador Mario Covas. Os pefelistas estavam insatisfeitos com a demora do presidente em nomeá-lo, pois quando seu nome foi apresentado Fernando Henrique não fez nenhuma objeção.
O próprio Luiz Carlos Santos estava incomodado com o crescente questionamento à sua capacidade para dirigir Furnas. "Sou do setor. Fui secretário de Energia de São Paulo e na época o atual presidente da Agência Nacional de Petróleo, David Zilberstein, integrava minha equipe", disse. Ontem, após ser recebido no Planalto pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o líder do PFL, Inocêncio Oliveira, disse que "o presidente contornou os
problemas com o PSDB".
A nomeação de Luiz Carlos Santos para Furnas, como também a do ex-deputado Wagner Rossi (PMDB) para a presidência da Docas de Santos, na semana anterior, estão contribuindo para reduzir a tensão entre o governo e seus aliados no Congresso.
Itamar insiste em assumir FurnasROSELENA NICOLAU E MÔNICA TAVARES
BELO HORIZONTE E BRASÍLIA – Pela primeira vez, o governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), assumiu publicamente a decisão de participar do leilão de privatização de Furnas Centrais Elétricas, caso não consiga barrar a venda na Justiça. "Temos a expectativa de que podemos vencer nos tribunais e na luta política. Se de fato isso não acontecer, a Cemig entrará no leilão", enfatizou.
O governador destacou que primeiro trabalhará "à exaustão" para que o leilão de Furnas não aconteça. "Nós vamos lutar até o fim para que Furnas não seja privatizada", disse. Ele lembrou que o governo mineiro está trabalhando em duas frentes com esse objetivo. A primeira iniciativa foi instalar a comissão de juristas presidida pelo ex-advogado-geral da União José de Castro Ferreira, para analisar a legalidade e a constitucionalidade do projeto da privatização do setor elétrico desencadeado pelo governo federal.
Em Brasília, o subsecretário de Energia do Estado do Rio de Janeiro, Marco Antônio Abreu, disse que, no próximo verão, a indicação de déficit de energia elétrica no Rio de Janeiro é bastante grave e já está se tentanto uma série de medidas emergenciais. O subsecretário participou ontem de um debate sobre a privatização de Furnas na Comissão de Infra-estrutura do Senado. Para ele, a venda da empresa poderá piorar ainda mais esse quadro.
As duas empresas de geração, que serão criadas com a cisão de Furnas, lembrou, serão produtoras independentes, permissionárias, e portanto, não terão obrigações de expandir a geração de energia. Para ele, independentemente da venda de Furnas, o governo precisará investir em geração e transmissão de energia no país.