O que não está explicado é que o risco continua sendo alto. A possibilidade de utilização da energia emergencial , custando 7 vezes o que custa a geração no Brasil normalmente, é uma prova disso. Se o risco fosse baixo, como era antes da trapalhada do governo, esse "seguro" não seria necessário. Para ser suscinto pode-se dizer, racionamento ou tarifa cara. Algo parecido com "a bolsa ou a vida!".
Sobretaxa e bônus acabam com racionamento (GloboNews 31/01)
BRASÍLIA – O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, José Guilherme Reis, afirmou que o governo vai suspender a concessão de bônus nas contas de energia elétrica assim que acabar o racionamento de energia. Ele explicou que o governo não vai mais cobrar a sobretaxa para quem consome acima das metas fixadas e, conseqüentemente, não terá como bancar o pagamento de bônus.
O governo federal descartou nesta quinta-feira a possibilidade de o racionamento de energia elétrica continuar em março. No dia 19 de fevereiro, a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGE) se reúne com o presidente Fernando Henrique Cardoso para definir a data do fim do racionamento. A hipótese de fim do racionamento antes do carnaval foi praticamente descartada.
– É muito provável que o racionamento termine em fevereiro – afirmou hoje o ministro Pedro Parente, coordenador da CGE.
De acordo com as projeções do Operador Nacional do Sistema (ONS), os reservatórios do Sudeste vão atingir o nível de segurança de 52% entre os dias 14 e 28 de fevereiro. No Nordeste, esse nível de segurança também deve ser alcançado entre o período de 9 e 24 de fevereiro. Parente explicou que várias medidas precisam ser tomadas com antecedência antes de se anunciar o fim do racionamento. O ministro, no entanto, não forneceu detalhes de quais seriam essas ações.
Ele citou que ainda é preciso observar com atenção o comportamento de alguns reservatórios. No Sudeste, por exemplo, o governo aguarda ansiosamente chuvas concentradas para cheias nos rios Paranaíba e Grande. Alguns reservatórios, como Emborcação (30%), Nova Ponte (28,45%) e Furnas (43,15%) ainda não atingiram o nível de segurança. Em contrapartida, o governo está animado com a situação de Itaipu, que verteu muito ontem.
Pedro Parente ressaltou que o nível de segurança considera a situação bianual dos reservatórios. Ou seja, o Ministério de Minas e Energia terá que monitorar diariamente a situação dos reservatórios e será obrigado a despachar energia termelétrica, mesmo que mais cara, para controlar a utilização da água dos reservatórios.
O ministro lembrou que o governo traçou um nível de segurança dos reservatórios que considera uma curva superior e outra inferior. Se o nível dos reservatórios ultrapassar a curva superior, o governo afirma que sequer será necessário utilizar como recursos o fornecimento da energia termelétrica.
Parente afirmou que a CGE vai funcionar até meados do ano, mesmo que o racionamento acabe em fevereiro. Segundo Parente, a CGE conseguiu equacionar os problemas emergenciais e evitar os apagões, mas ainda há vários problemas no setor.
Parente disse que o monitoramento que será feito pelo Ministério de Minas e Energia nos reservatórios praticamente afasta a possibilidade de um novo racionamento no país. O governo vai monitorar o nível de segurança dos reservatórios e utilizará energia termelétrica quando o volume de água for abaixo do esperado.
Mônica Tavares, do jornal O GLOBO