Antes que seja tarde!
Furnas faz aliados
BH, 10 – O movimento contra a privatização da hidrelétrica de Furnas já não é uma briga isolada do governador Itamar Franco contra o governo federal e faz importantes aliados junto a lideranças políticas nacionais. No último dia 10, políticos como Leonel Brizola, Aureliano Chaves, José Genoíno, Luiza Erundina e o prefeito Célio de Castro participaram de um ato público contra a privatização da usina responsável por 43% da energia elétrica gerada no País, que reuniu cerca de 500 manifestantes no plenário da Assembléia Legislativa mineira. “Esta luta não é só de Minas, pois diz respeito à soberania nacional”, disse José Genoíno, líder do PT na Câmara dos Deputados. Segundo ele, um país que perde o poder de decisão sobre suas águas, recurso essencial à vida humana e cada vez menos abundante no planeta, perde também sua identidade política e social. “Querem esquartejar Furnas, transferir o controle de nossos rios para o domínio externo”, protestou o ex-vice-presidente Aureliano Chaves, alertando que o processo de privatização das estatais brasileiras está sendo feito contra os interesses nacionais. No caso de Furnas, ele avalia que o problema é ainda mais grave: “É inaceitável entregar ao capital externo uma hidrelétrica do porte de Furnas de mão beijada, usando crédito nacional.”
Preço alto- Para a ex-prefeita Luiza Erundina, hoje líder do PSB na Câmara, privatizar uma hidrelétrica que gera energia para 90 milhões de brasileiros é um equívoco que pode custar muito caro ao País no futuro. “Trata- se de defender os recursos hídricos do Brasil, bem de suma importância para a humanidade”, alertou ela. Em matéria de escassez de água, Erundina disse ter sofrido na pele amargas experiências. Filha de lavradores nordestinos, precisou migrar várias vezes fugindo da seca, que já ameaça transformar em desertos grandes extensões do semi-árido brasileiro. Também o ex-governador Leonel Brizola não poupou críticas à política de privatizações adotada pelo governo FHC. “Tudo isso não passa de um ato de vende pátria, uma grande traição ao povo brasileiro”, disse o líder do PDT. Ele lembrou que nos EUA e na Europa os recursos hídricos são mantidos sob rigoroso controle governamental, tendo em vista seu relevante caráter estratégico e ambiental. Por esse motivo, avalia que Minas, ao resistir à venda de sua maior usina hidrelétrica, “está escrevendo uma importante página da história brasileira”. O ato público foi apoiado por 71 dos 74 deputados estaduais mineiros, que criaram a Frente Parlamentar Jorge Hannas contra a Privatização de Furnas. Eles alegam que a usina, além de terceira estatal do País, é uma das maiores e mais lucrativas empresas da América do Sul. O grande lago de Furnas banha 34 municípios e seu volume representa sete vezes a Baía da Guanabara. Só que é de água doce, recurso que, ao que tudo indica, será o ouro líquido do próximo milênio.
Ausência notada – A ausência do governador Itamar Franco ao ato causou estranheza entre os manifestantes. Afinal, esperava-se que o governador mineiro, primeira voz oponente à privatização de Furnas, comparecesse ao ato lançado como ponto de partida de um movimento que se pretende amplo e apartidário. No momento de juntar aliados entre lideranças políticas nacionais, Itamar simplesmente mandou representante. Houve quem questionasse as reais intenções do governador mineiro nessa briga contra o governo federal: trata-se de uma defesa legítima de um recurso natural estratégico ou é mais um petardo político direcionado a seu arquiinimigo FHC? O tempo dirá se o meio ambiente tem de fato alguma importância na agenda de Itamar.
Fonte: Estado de Minas
Privatização na AL tem queda de 69%
São Paulo, 10 – Os governos latino-americanos arrecadaram US$ 12,71 bilhões nos leilões de privatização realizados em 1999, o que representa uma queda de 69% em relação ao valor arrecadado no ano anterior, de acordo com dados da Câmara do Comércio Exterior de Santiago.
A entidade informou que a receita das privatizações ficou abaixo dos US$ 51 bilhões originalmente planejados pelos governos da região. "Tumultos políticos e macroeconômicos em um número de países da região reduziu o valor de muitas das empresas estatais a serem privatizadas, obrigando os governos a adiar suas vendas", diz uma nota da Câmara. De acordo com a entidade, os governos latino-americanos planejam arrecadar, este ano, US$ 50 bilhões com o programa de privatização, sendo que 90% dos ativos a serem leiloados são do setor de energia. A maioria das vendas ocorrerá no Brasil, que responderá por mais de 80% de todos os leilões anunciados para este ano. O Brasil realizou 12 leilões de privatização no ano passado, obtendo uma receita líquida de US$ 3,89 bilhões.
A Câmara não forneceu dados comparativos de 1998. Ainda em 1999, o governo de Porto Rico arrecadou US$ 2,89 bilhões com o programa de privatização, um montante ligeiramente superior aos US$ 2,88 bilhões arrecadados pela Argentina no mesmo período. No Chile, a privatização rendeu US$ 1,43 bilhão, enquanto que o México obteve uma receita de US$ 260 milhões em 1999.O setor de energia respondeu por US$ 6,20 bilhões do total de receita obtida com as privatizações, ou 49%.
Os ativos de telecomunicações responderam por outros US$ 3,23 bilhões. Os investidores norte-americanos gastaram US$ 4,36 bilhões nos leilões de privatização realizados nos países latino-americanos durante o ano passado, ou 34% do total. Os investidores espanhóis responderam por 24% do capital gasto nos programa de privatização. Fonte: Agência Estado (Suzi Katzumata)