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Um sistema de mercado modelado às pressas e espelhado em experiências de países com um parque energético radicalmente diferente do Brasileiro, só pode criar dívidas fantasmas. Nenhum tribunal é capaz de entender a complexidade das questões envolvidas nesse caso. Com a oscilação de preços do "spot" no Brasil, decorrente da tropicalidade do nossos rios e da maneira inadequada de modelar o custo marginal, se essa grandeza significar um sinal para os investidores, dirá: Investir… Não Investir….Investir…Não Investir….



Folha de São Paulo 28/12/2000


ENERGIA


Credores podem dar resposta até o dia 10 de janeiro


Agora, Eletrobrás quer pagar à vista dívida de Furnas com geradoras


RICARDO GRINBAUM DA REPORTAGEM LOCAL


A Eletrobrás apresentou ontem nova proposta para quitar a dívida de outra estatal, Furnas, junto a 12 geradoras de energia. Trata-se de um débito de R$ 578 milhões, contraído entre setembro de 1999 e agosto deste ano.


Essa dívida está paralisando os negócios entre as companhias de geração, distribuição e comercialização porque deixou contas pendentes. Com a proposta de ontem, os credores têm até 10 de janeiro para dar uma resposta. Se tudo der certo, o acordo será assinado em 15 de janeiro e o pagamento efetuado em 30 de janeiro. "Ainda não é uma proposta perfeita, mas é o mais próximo de uma condição ótima que conseguimos chegar", disse Eduardo Bernini, presidente do comitê executivo do MAE (Mercado Atacadista de Energia), que reúne todas as empresas do setor.


A proposta da Eletrobrás prevê uma novidade em relação às negociações anteriores. Enquanto nas últimas rodadas de negociação a Eletrobrás queria parcelar a dívida e pagar parte do débito com títulos, agora a estatal resolveu quitar o débito à vista. A dívida se originou de falhas e atrasos na operação das usinas nucleares Angra 1 e Angra 2. Com os problemas em Angra, Furnas teve de comprar energia de outras geradoras para atender os clientes e garantir os contratos.


A compra, efetuada como se fosse em caráter de emergência, custou caro. Furnas pagou R$ 578 milhões a outras geradoras de energia. A mesma quantidade de energia, que seria fornecida por Angra 1 e Angra 2, havia sido negociada com os clientes de Furnas por R$ 273 milhões. É essa diferença entre os dois valores, correspondente a R$ 305 milhões, que será paga pela Eletrobrás.


Ontem, a Eletrobrás anunciou seu plano de quitação do débito prevendo pagamento para as geradoras privadas até 30 de janeiro do ano que vem, no valor de R$ 185 milhões. O resto da dívida (R$ 120 milhões) não será pago imediatamente porque os devedores também são estatais e haverá negociação em separado.


Outro ponto discutido pelos membros do MAE foi o preço que será pago em futuras compras de energia para substituir o fornecimento de Angra 1 e Angra 2 em caso de novas falhas. A proposta é que a Aneel (agência que regula o mercado de energia) determine a tarifa, num valor que atenda fornecedores e distribuidores.

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