ANEEL: Abdo descarta racionamento de energia em 2000 BRASÍLIA, 22 de setembro de 1999 –
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), José Mário Abdo, afirmou há pouco que não haverá racionamento de energia elétrica a partir próximo ano. Segundo ele, o governo já vem adotando procedimentos para aumentar a oferta, como a cobrança do cumprimento do cronograma das obras, e deverá anunciar novas medidas. De acordo com Abdo, o Ministério das Minas e Energia, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Aneel vêm se reunindo sistematicamente para garantir essas medidas. O secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce, confirmou a informação de Abdo. Arce disse que, com a volta da estação chuvosa e a entrada de mais 4 mil megawatts (MW) de potência no próximo ano, o atendimento será tranqüilo em 2000. O diretor de Operação do ONS, Carlos Ribeiro, disse ainda que o governo está trabalhando com critérios de "confiabilidade". Como exemplo, explicou que, se uma usina de porte grande tiver algum problema, esses critérios vão garantir que não faltará energia nas regiões atendidas por ela, mas não entrou em mais detalhes. Ribeiro lembrou também que a usina de Angra II entrará em funcionamento a partir de abril, mas deverá operar em fase experimental a partir de fevereiro. Abdo, Arce e Ribeiro estiveram presentes na assinatura de contrato da Companhia Energética de Paranapanema com a Aneel. Fonte: InvestNews (Camila Matias/TM)
Antônio Ermírio teme escassez de energia em 2000
O empresário Antonio Ermírio de Moraes, diretor-superintendente do grupo Votorantim, admitiu nesta quarta estar preocupado com a escassez de energia elétrica no País já que o Programa Plurianual do Governo (PPA) prevê aumento de 4% no Produto Interno Bruto (PIB) em 2000 e de 5% em 2001 e o consumo de energia deve crescer o dobro, o que pode fazer com que a demanda supere a produção. "Evidentemente, segundo dados do Operador Nacional do Sistema (ONS), no próximo ano os reservatórios das principais hidrelétricas estarão baixos; além disso, as novas usinas térmicas não saíram do papel, como deveriam", afirmou. "Há tempos venho falando que temos de adotar uma medida política e atacar firmemente a questão das usinas térmicas, começando a instalá-las; os problemas que existem no setor devem ser resolvidos a toque de caixa; não temos tempo a perder", disse Ermírio. Ele argumenta que o País tem falta de chuvas, reservatórios reduzidos e necessidade de elevar a geração de energia. "E isso nos leva, sem dúvida, à possibilidade de racionamento no próximo ano." Ermírio diz que todos devem se preparar para economizar energia. O empresário salientou que, no caso do Grupo Votorantim, sempre houve um planejamento estratégico neste aspecto. "Quando pensamos em ampliar a produção da Companhia Brasileira de Alumínio, verificamos antes se teremos energia para isso; por isso, agora temos condições de ampliar para até 300 mil toneladas sua produção atual." Fonte: Diário do Grande ABC
Governo quer levantamento de obras para garantir energia elétrica BRASÍLIA, 22 –
O Governo federal quer um levantamento do cronograma das obras do setor elétrico no país para realizar um cronograma que vise a assegurar o suprimento de energia elétrica e, com isso, evitar os riscos de desabastecimento. O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, José Mário Abdo, disse que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) vai informar como andam as obras dos grupos privados e das estatais. Fonte: Agência O GLOBO (Roberto Cordeiro/Sueli Montenegro)
Eletrobras compra energia para evitar racionamento no RJ Rio, 23 –
A Eletrobras irá comprar toda a energia gerada pela usina termelétrica de Cachoeira Dourada, na divisa dos municípios de Macaé e Rio das Ostras. A decisão foi anunciada nessa quarta-feira pelo ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho. Ele explicou que a garantia de compra da energia permitirá que a usina, com capacidade de 125 MW (megawatts) entre em operação a partir de fevereiro do próximo ano, evitando problemas de abastecimento no estado do Rio de Janeiro. Ele lembrou que a cada um grau de aumento de temperatura durante o verão, são necessários 100 MW de energia para atender a demanda. Rodolpho Tourinho afirmou que a Eletrobras está autorizada a fazer contratos de compra de energia das usinas termelétricas que entrarem em operação até 2003, quando começa a livre competição na compra e venda de energia elétrica. "Se não houver contrato de compra, não haverá financiamento para as térmicas", enfatizou. Com isso, o governo dá um passo decisivo para a implantação desse tipo de usina no país. O ministro admitiu que a medida é uma intervenção no mercado, durante o período de transição. Os empreendimentos termelétricos também poderão contar com financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio do Programa de Apoio Financeiro a Empreendimentos Prioritários do Setor Elétrico. "A correção do empréstimo será feita pela TJLP, pelo dólar ou por uma cesta de moeda, com condições abaixo das de mercado", disse Tourinho, com spread básico de 2,5% ao ano, podendo ficar em 1%, e spread de risco de 2,5% ao ano. O prazo de carência e de amortização da dívida será fixado conforme o projeto. Poderão ser beneficiados com o financiamento, os grupos nacionais que investirem em termelétricas, em construção de linhas de transmissão, em PCHs (Pequenas Centrais Elétricas), além de empreendimentos de carvão e xisto. Só no estado do Rio de Janeiro, estão previstas a construção das usinas térmicas de Duque de Caxias, Norte Fluminense e Cabiúnas. Fonte: Diário do Grande ABC
Governo reduz preço do gás para viabilizar termelétricas Brasília , 23 –
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, anunciou nesta quinta medidas para tornar economicamente viáveis a construção de 23 usinas termelétricas a gás no País, capazes de gerar 7,4 mil megawatts de energia. O ministério, a Eletrobrás e a Petrobrás decidiram reduzir o preço do gás a ser comercializado para estas usinas, em relação ao valor cobrado pelo produto importado. Haverá também uma linha de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para projetos prioritários de geração de energia. "Conseguimos reduzir o preço médio do gás dentro do que o mercado esperava", comemorou Tourinho. Para as Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste haverá um mix de preços envolvendo o gás brasileiro e o importado, cujo preço médio não deverá ultrapassar o equivalente, em reais, a US$ 2,26 por milhão de BTU (unidade térmica) para contratos de 20 anos. Assim, o gás destinado para geração térmica será 11,37%, mais barato que o boliviano, e 16% mais caro que o nacional. No Nordeste o preço médio do gás também será de US$ 2,26 para os contratos de 20 anos, mas nos primeiros cinco anos o gás será totalmente nacional, custando a US$ 1,94. Hoje o preço do gás importado está em US$ 2,55 e do nacional US$ 1,94. Tourinho admite que caberá à Petrobrás, que produz o gás brasileiro e administra o importado, assumir o risco de administrar este processo. "A Petrobrás terá o risco comercial normal de um negócio como este", disse o ministro. Os preços serão variáveis a cada ano, dependendo da maior ou menor disponibilidade do gás brasileiro. Segundo Tourinho, nas próximas semanas será definida uma fórmula permanente para correção dos valores. Tourinho também anunciou que o BNDES terá um programa especial de apoio financeiro a investimentos no setor elétrico. O objetivo é estimular a implantação a curto prazo de projetos de expansão da geração do setor. Caberá ao ministério definir quais são os projetos prioritários e dar o aval ao financiamento. Estão na relação a implantação de pequenas usinas hidrelétricas, termelétricas e linhas de transmissão de energia. A Eletrobrás também atuará para dar viabilidade financeira aos projetos de construção das usinas térmicas. O ministro determinou que a estatal irá comprar os contratos de compra de energia (chamados em inglês de PPA), fundamentais para que os investidores obtenham financiamento junto a instituições financeiras, pois dão a garantia de que a energia gerada será vendida. "A estatal só irá comprar o PPA quando não houver mais interessados e achar necessário", disse Tourinho. O primeiro projeto a ser viabilizado é a térmica de Cachoeira Dourada, no interior do Rio de Janeiro, que deverá ficar pronta até fevereiro do próximo ano e irá gerar 125 megawatts de energia. Em contrapartida, a Eletrobrás irá vender esta energia para o mercado. "Neste caso, todas as empresas distribuidoras terão de comprar esta energia, para ratear os custos da Eletrobrás", disse Tourinho. "O que temos é a possibilidade de intervenção no mercado", admitiu o ministro. Segundo ele, a população não pode ficar sem novas geradoras de energia enquanto espera o mercado de energia se ajustar. "Até 2003, quando o mercado estiver livre, teremos um período de transição que necessita de acompanhamento direto do governo", disse o ministro. Com o mesmo objetivo de tornar o mercado de térmicas atrativo para os investidores, o ministério autorizou que as usinas possam repassar integralmente os custos com a variação cambial com a compra do gás importado. Estes custos serão transferidos para a tarifa da energia que será vendida aos distribuidores. Até agora, as empresas só poderiam repassar 70% da variação cambial e o restante seria indexado ao IGP-M. Para o consumidor final, porém, o repasse deste custo só poderá ocorrer na data de aniversário dos contratos de concessão. Fonte: Diário do Grande ABC