REVISTA BRASIL ENERGIA nº 247 # junho de 2001 POSSIBILIDADES IMEDIATAS PARA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS Joaquim Francisco de Carvalho (*) São muito promissoraras as possibilidades de aproveitamento de fontes renov&aacut …

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BRASIL ENERGIA

nº 247 # junho de 2001


POSSIBILIDADES IMEDIATAS PARA AS ENERGIAS RENOVÁVEIS


Joaquim Francisco de Carvalho (*)


São muito promissoraras as possibilidades de aproveitamento de fontes renováveis de energia , com grandes benefícios para a atividade econômica (geração de renda , criação de postos de trabalho , etc.) e para a preservação ambiental . Daí a importância de se publicar , em nível de divulgação , notícias e informações concretas sobre o tema .




Seria desnecessário falar do mais conhecido combustível renovável , o álcool etílico , cujo uso em veículos automotivos foi um sucesso mais do que comprovado . É unânime a opinião de que os governantes que conduzem o país desde o final da década de 80 poderiam e deveriam ter feito mais pelo PROÁLCOOL , programa que chegou a conquistar admiração nos meios especializados da Europa e Estados Unidos , onde a preocupação com as questões ambientais vai-se generalizando .




Isto posto , desejo aquí lembrar certas possibilidades que só recentemente começaram a ser exploradas seriamente no Brasil , como a do emprego direto das radiações solares , seja em sistemas fotovoltaicos , para o atendimento a pequenas cargas isoladas ; seja em istalações termosolares , para o aquecimento de água de uso doméstico . Tocarei também na energia dos ventos , para o bombeamento de água e para a geração de eletricidade (turbogeradores eólicos) . Assinalarei ainda as possibilidades de outros combustíveis renováveis , que mesmo sem grande significado na escala do país podem ter ponderável importância local , em certas regiões . E mencionarei o potencial da conservação de energia .




Comecemos pelos combustíveis . Na categoria a que me refiro estão , por exemplo , os combustíveis obtidos de resíduos da indústria madeireira (pellets e cavacos de madeira, carvão vegetal, serragem, etc.) , que podem ser empregados numa grande variedade de pequenas indústrias , tais como cerâmicas , metalúrgicas leves , panificadoras e indústrias agro-alimentares em geral . A produção desses combustíveis é altamente absorvedora de mão-de-obra e não agride o meio-ambiente , pois seriam extraídos de florestas industriais , plantadas em áreas a serem especialmente delimitadas para esse fim , mediante estudos de zoneamento econômico-ecológico-florestal que podem ser feitos pelas prefeituras . Note-se que a queima desses combustíveis , tal como a do álcool , tem a vantagem de não alterar o balanço de gás carbônico na atmosfera , não contribuindo portanto para o efeito estufa . Igualmente importantes , sob os pontos de vista energético e ambiental , poderiam ser os combustíveis oriundos de lavouras de ciclo curto (cascas de arroz , palhas obtidas pela secagem ao sol de resíduos da horticultura , etc.) .




Os resíduos urbanos e industriais (lixo) também podem ser aproveitados seja na produção de biogás , seja diretamente como combustíveis , em centrais termoelétricas de pequeno porte . Para isso , aliás , há iniciativas isoladas , por parte de algumas prefeituras .

No que diz respeito aos sistemas fotovoltáicos , graças a pesados investimentos em pesquisa , importantes progressos têm sido realizados nos últimos anos , tanto nos processos de fabricação das células , como no desenvolvimento de materiais com estruturas cristalinas e "dopagens" que permitem obter maior eficiência na conversão dos fótons solares em corrente elétrica . Células com eficiências da ordem de 16% já são comuns no mercado , permitindo que o custo da eletricidade fotovoltaica seja amplamente competitivo , para a cobertura de pequenas demandas isoladas (iluminação , bombeamento de água e irrigação de pomares e hortas , em aldeias e povoamentos não cobertos pelos sistemas comerciais de distribuição , etc . )




Para o emprego das radiações solares diretas no aquecimento de água para usos residenciais , a tecnologia é das mais simples : o sistema resume-se num coletor plano (caixa com fundo de metal bom condutor de calor , no qual são colocadas canaletas ou serpentinas de cobre ou alumínio ; fechada com tampa de material transparente ao espectro solar completo , porém opaco às radiações infra-vermelhas) , que alimenta por termo-sifonamento um reservatório termicamente isolado . Cada metro quadrado de coletor pode economizar o equivalente a 55 kg de GLP , por ano . Municípios em que já existam pequenas indústrias de caldeiraria leve poderiam muito bem incentivar a implantação de indústrias de coletores solares planos , gerando renda e criando numerosos empregos industriais na fabricação dos coletores , além de firmas de prestação de serviços técnicos de instalação e manutenção dos respectivos sistemas .




Quanto à energia dos ventos , pode-se dizer que , depois das rodas hidráulicas , os conversores eólicos ("moinhos de vento") aparecem entre as mais antigas máquinas a serviço do Homem . Há notícia de moinhos de vento horizontais na Pérsia , desde o século VII . Documentos do século XII atestam sua presença no litoral francês da Mancha , de onde migraram para os Países Baixos e Dinamarca . Na época , evidentemente , tratava-se de converter energia eólica em mecânica , para o acionamento de moinhos de trigo e , em alguns casos , dispositivos de elevação de água para irrigação . Hoje em dia , países como a Alemanha e a Dinamarca depositam muitas esperanças nessa forma de energia e investem grandes somas no desenvolvimento de turbo-geradores eólicos mais eficientes , interligados às redes nacionais . No planejamento energético a médio prazo desses países , as metas para tais sistemas de geração elétrica são bastante ambiciosas , chegando mesmo a níveis entre 10% e 15% da demanda previsível .




Por fim , sobre a conservação de energia , direi apenas que estudos realizados em 1.984 pelo consultor Howard Geller , contratado pela CESP , demonstraram que se poderia economizar até 20% de eletricidade , em relação ao consumo atual , mantendo-se o mesmo ou até melhorando o padrão de vida da população ; tudo com base em tecnologias que já existem , cuja aplicação depende apenas de alguns ajustes . No entanto são muito tímidos os programas de conservação do governo federal e das secretarias estaduais de energia , cujo interesse parece concentrar-se na venda das estatais do setor elétrico .


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(*) Joaquim Francisco de Carvalho é membro do Conselho Consultivo do ILUMINA – Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Elétrico .

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