Califórnia "retoma" setor energético
A Califórnia está aprendendo da maneira mais dura possível: Racionamento e intervenção do Estado. Qual a lição desse processo? Por mais que se transfira serviços públicos para a iniciativa privada, o peso é sempre do estado, pois não se consegue privatizar a responsabilidade pública. O ILUMINA pergunta: Afinal, qual foi o custo para a sociedade Californiana de um sistema que se diz eficiente e empreendedor? E ai? Vamos pelo mesmo caminho?
Quem quiser ler o discurso do Governador da Califórnia ou se aprofundar na colossal crise, é só clicar nos endereços abaixo:
http://www.governor.ca.gov/state/govsite/gov_
Long Term Reasons Why California is in this Mess, Part 1
Valor Econômico 10/1/2001
James Sterngold | The New York Times, de Sacramento
Classificando de "fracasso colossal e perigoso" a experiência, iniciada há dois anos, de desregulamentação do setor de eletricidade na Califórnia, o governador Gray Davis propôs uma série de medidas para garantir o controle do Estado sobre o mercado de energia. Entre elas, destacam- se a criação de uma nova agência estatal de energia, que poderá construir ou comprar usinas.
No discurso anual ao Legislativo estadual, na segunda-feira à noite, o democrata Davis também prometeu que não permitirá a falência das duas maiores concessionárias da Califórnia, ao dizer que usará todos os poderes do Estado, inclusive assumir o controle das usinas e dos sistemas de transmissão, caso necessário, para manter o sistema em funcionamento. "Retomaremos o controle da energia gerada na Califórnia e a comprometeremos com o bem público", disse.
As propostas de Davis serão debatidas pelo Assembléia estadual, que já estudou medidas ainda mais duras para conter os enormes aumentos de eletricidade no atacado e a falta de energia em muitas partes do Estado.
Os planos do governo representam uma grande virada em relação ao clima político de quatro anos atrás, quando o plano de desregulamentação foi aprovado na Assembléia por unanimidade. Acreditava-se que as forças do mercado reduziriam os preços da eletricidade, o que se revelou um enorme erro de cálculo. As propostas de Davis surpreenderam os analistas, porque ele é um governador centrista, conhecido por seu pragmatismo cauteloso e por acreditar mais nas forças de mercado do que no controle do Estado.
Alguns membros do Legislativo estadual, de maioria democrata, disseram que querem ir além da criação de uma agência de energia que possa se tornar uma geradora de eletricidade. "Também vamos considerar outras medidas", disse o presidente do Senado estadual, John Burton. "Situações drásticas exigem medidas ousadas."
O próprio Davis sugeriu que pode considerar atitudes mais fortes. "Todos devem entender que há outras medidas, mais drásticas, que estou disposto a tomar, se isso for necessário", disse.
O governador, porém, não disse o que fará, no curto prazo, para melhorar a situação das duas maiores concessionárias do Estado, Pacific Gas and Electric e Southern California Edison.
Ele criticou as empresas de fora do Estado, que vendem energia para o mercado desregulamentado da Califórnia, e o governo federal, que no mês passado aumentou o teto dos preços da eletricidade no atacado. "Rejeito a noção irresponsável de que podemos permitir a falência de nossas principais concessionárias", disse. "O nosso destino está ligado ao destino delas."
Os preços pagos pelas concessionárias no atacado estão subindo, mas os que elas cobram dos consumidores são limitados por um teto estadual. As concessionárias dizem que já perderam mais de US$ 11 bilhões e que podem falir. Davis foi ontem a Washington para negociar com o governo federal um novo limite para os preços da eletricidade no atacado.