Luis Fernando Verissímo
O ILUMINA não resiste e, pede licença a Luis Fernando Verissímo para reproduzir seu editorial da revista BUNDAS.
Na semana passada o Brasil esteve, por um breve e fulgurante momento, na Modernidade. Foi, mesmo, o país mais adiantado do mundo na área das comunicações, ultrapassando tudo o que existe em centros mais adiantados inclusive o que ainda está sendo tstado em laboratórios. Fomos além da telefonia sem fio e chegamos à telefonia sem linha. As experiências sendo realizadas na John Hopkins University com telepatia, que eventualmente substituirá todas as outras formas de comunicação à distância, que ainda não deram resultado porque eles não sabem se os ratos conseguiram trocar mensagens telepáticas ou combinaram tudo antes e estavam fingindo, foram aplicadas no Brasil e funcionaram. Todas as pragas dirigidas telepáticamente a autoridades em Brasília cheram ao seu destinatário, tanto que o Pimenta da Veiga passou varios dias dizendo bobagem sem parar, o que não é do seu feitio, claramente para abafar as vozes coléricas que invadiam sua cabeça, vindas de todo o Brasil. Os sucessivos tapas, socos e pontapés dados em aparelhos telefonicos em todo o território nacional acabaram produzindo avanços inesperados, como o do orelhão em São Paulo que, cansado de tanto apanhar, revidou, sugerindo a possibilidadede telefones com autodefesa, que não apenas xingam quem os ofende como, se for o caso, partem para a briga, o que abre novas perspectivas na luta contra o vandalismo.
Esse progresso inédito na telefonia apenas deu sequência a uma tradição brasileira de vanguardismo. No campo das privatizações, temos dado exemplo atrás de exemplo de ineditismo. Mudamos o argumento principal em favor desestatizações: na versão brasileira, o governo deve vender as estatais para poder se dedicar a sua verdadeira função, que é dar dinheiro a quem quer comprar estatais. O que não deixa de ser uma forma revolucionária de "cuidar do social". Somos o único caso conhecido de privatização estatal. A nação paga para grupos privados ficarem com o lucro das estatais e ninguem duvida que pagará de novo se eles tiverem prejuízo. Tabém estamos na frente de todo o mundo na privatização do petróleo. Um grande comprador no recente leilão de terras para prospectar petróleo foi a Petrobrás, que até o leilão tinha o monopólio da exploração do petróleo. Quer dizer, a Petrobrás paga para ficar com o que já era dela. Fomos o primeiro país a começar a implantação do ideal neoliberal do govêrno mínimo pela inteligência: o resto do govêrno continua do mesmo tamanho, mas o cérebro diminui muito. Vanguarda é isso.
Luís Fernando Veríssimo