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É preciso deixar bem claro que as chuvas não são as culpadas! O problema é que a demanda aumentou e os reservatórios são os mesmos. Sendo assim, esvaziam mais rápido.
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"Onde iremos parar com tudo isso? Há qualquer pessoa eleita no Estado da Califórnia que tenha respeito pela propriedade privada e pelo mercado? O que começou com uma regulamentação virou uma expropriação". (David DeRosa, professor de Finanças de Administração de Yale)
Chuvas não recuperam níveis de reservatórios
(Estado de São Paulo – 14/02)
Volume de água ainda é de 30% da capacidade e poderá chegar a 10% no pico da estiagem
ISABEL DIAS DE AGUIAR
As chuvas deste verão não foram suficientes, até agora, para elevar os níves dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Apesar de o verão estar sendo bastante úmido, o volume de chuvas está aquém das necessidades. O prognóstico dos especialistas é de que as reservas hídricas para a produção de energia elétrica deverão chegar a 10% da capacidade, em outubro.
Atualmente, não ultrapassam 30% na maioria dos reservatórios de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
No Sul, as chuvas foram abundantes e as reservas de água são consideradas safisfatórias. Não há, porém, linhas de transmissão de energia adequadas para que a produção das usinas hidrelétricas locais possa socorrer a eventual escassez nos grandes centros de consumo, como São Paulo e Rio de Janeiro, disse José Said de Brito, principal executivo da VBC, empresa de energia que reúne os grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Correa.
Mesmo assim, os empresários do setor industrial não acreditam que possam ocorrer apagões este ano. Mesmo com reservas tão baixas, as usinas têm capacidade de continuar gerando energia, afirmou o diretor do Departamento de Infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Luiz Gonzaga Bertelli.
Dificuldades climáticas como a atual poderiam ser contornadas com a execução dos projetos de construção de usinas termoelétricas, adverte Said de Brito.
Mas não há indicação de que estejam saindo do papel, acrescentou o diretor da Fiesp.
Cresce preocupação com oferta de energiaRoberto Rockmann, De São Paulo – Valor Econômico (14/02)
Com um mês de janeiro mais seco do que o usual, os reservatórios da região Sudeste, que respondem por 70% do abastecimento do país, fecharam o mês passado ao nível de 31,4%. O que significa que o sistema energético brasileiro está dependendo mais de chuvas nos próximos meses do que dependia em dezembro.
Embora o nível dos reservatórios esteja acima do apurado em janeiro de 2000 (quando chegou a 29%), os técnicos da Operadora Nacional do Sistema Elétrico (ONS) tiveram de refazer suas projeções, ao mesmo tempo em que alguns empresários, entre eles, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Base e Infra-Estrutura (Abdib), José Augusto Marques, se mostram preocupados com o problema, principalmente porque estão reticentes quanto à data de início de funcionamento das térmicas, que reduziriam a dependência do país pelo sistema hídrico.
" Em dezembro, quando olhamos para 2001, dizíamos que, se as chuvas ficassem 80% dentro da média histórica, não teríamos problemas; agora, com janeiro, esse número subiu para 85% " , diz um técnico da ONS.
Esse seria um cenário preocupante para Marques. "Não estamos em uma posição confortável; o quadro atual nos causa preocupação, já que estamos agora torcendo mais para São Pedro neste mês", afirma.
Para Pio Gavazzi, diretor da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a situação dos reservatórios não é "brilhante", mas ainda não chega a ser preocupante. "Até o início de fevereiro as chuvas não caíram como o esperado, mas só no fim de março teremos uma posição melhor", comenta.
A situação dos reservatórios está melhor do que a verificada em 2000, quando em janeiro o nível ficou em 29%, mas aumenta a expectativa de que de fevereiro a abril – meses mais chuvosos – as chuvas venham com força e aumentem o nível dos reservatórios, afastando o risco de falta de energia.
Para os técnicos da ONS, a dependência pelo sistema hídrico deve cair com a entrada das térmicas planejadas para entrar em operação no segundo semestre. Mas aí residem vários problemas, segundo os empresários: o risco cambial, a demora na concessão de licenças ambientais, a questão tarifária e o longo tempo de construção dessas usinas podem impedir a entrada das térmicas no prazo previsto.
"Com todos esses problemas, o programa de térmicas do governo ainda não está decolando, o que aumenta a preocupação quanto a 2002", comenta o diretor da Fiesp. Para atender a demanda de energia desse ano, o país prevê receber cerca de 5 mil MW a mais no sistema, sendo que cerca de 600 MW viriam das térmicas.
"Os megawatts das térmicas são fundamentais na situação em que vivemos, mas as dificuldades cambiais e tarifárias estão dificultando sua construção e aumentando a nossa preocupação ", diz Marques, da Abdib.
Califórnia confisca empresas de energia
Los Angeles, 12 – O governador da Califórnia, Gray Davis, deve ficar acordado à noite pensando em novas maneiras de confiscar a indústria de eletricidade do Estado. O governador estabeleceu esta segunda-feira como o prazo final para o decreto de uma legislação destinada a revitalizar a Pacific Gas & Electric, da PG&E Corp., e a Southern California Edison, da Edison International. Essas companhias estão sufocadas sob uma montanha de dívidas no valor de US$ 11,5 bilhões, acumulada durante a suposta desregulamentação da indústria de serviços de eletricidade californiana. Davis acredita que o Estado deve fazer alguma coisa para levar as companhias ao que ele chama de "viabilidade financeira". Mas a bondade do governador não é gratuita. Davis quer sua parte – ele exige que as empresas concedam ao Estado uma participação acionária nos negócios. É óbvio que qualquer financiamento feito pelo Estado às empresas terá que ser pago. A participação acionária é um bônus.
Desregulamentação – Como podemos falar sobre isso de maneira educada? Tony Soprano (referência ao mafioso do seriado de TV Família Soprano) ficaria orgulhoso desse acordo! Em primeiro lugar, a Pacific Gas e a Southern California Edison estavam perfeitamente bem até que o Estado da Califórnia atingiu-as com a desregulamentação fajuta – fajuta porque somente desregulamentou o lado atacadista da indústria. Isso efetivamente forçou essas companhias a vender no varejo a preços estritamente controlados, ao mesmo tempo em que os custos da compra de eletricidade dos fornecedores, ou seja, o lado atacadista, aumentaram. Assim sendo, tendo quebrado as duas empresas, o Estado agora quer uma compensação pelo socorro. E já que as companhias não têm a quem recorrer para obter o dinheiro essencial à sobrevivência, há que se pensar se não há nesse meio um elemento de extorsão. Mesmo assim, o governador
Davis pode ter tropeçado em um item de ordem legal. Na última quarta-feira, o jornal San Francisco Chronicle chamou a atenção para o Artigo 16, Seção 6 da Constituição californiana, que diz que o Legislativo "não tem o poder de autorizar o Estado, ou qualquer subdivisão política, a fazer subscrição de ações ou tornar-se acionista de qualquer corporação". Opa! O senhor precisa ler a Constituição, governador, antes de fazer tão grandes planos. Mas não é necessário ficar preocupado. Esta é a era dos derivativos, não? Algum esperto banqueiro de investimentos ou advogado encontrará um meio para superar este inconveniente artigo através de uma estrutura financeira compatível à lei. Nesse meio tempo, considere a magnitude do conflito de interesses. A Califórnia, que sob o programa do governador deteria participação nas empresas de serviços de eletricidade, tem o poder de estabelecer as taxas que os consumidores pagam pela energia. O ciclo de expropriação pelo Estado ficaria completo.
Mais taxas – A senadora californiana democrata Barbara Boxer, que ficou surpreendentemente muda em relação aos problemas energéticos do Estado, anunciou que irá apresentar um projeto de lei no Congresso para criar uma taxa sobre as companhias de geração de eletricidade que tenham lucros além do que a Comissão Estadual de Empresas de Serviços Públicos e a Comissão Federal de Regulamentação de Energia considerem razoáveis. O porta-voz da senadora, David Sandretti, tornou isso bem claro quando disse que qualquer uma com lucro excedente seria taxada em 100%. As taxas sobre geração, é claro, são outra forma de confisco pelo Estado. Onde iremos parar com tudo isso? Há qualquer pessoa eleita no Estado da Califórnia que tenha respeito pela propriedade privada e pelo mercado? O que começou com uma regulamentação virou uma expropriação. (David DeRosa, professor de Finanças de Administração de Yale) Fonte: Jornal do Commercio EUA:
Distribuidoras de energia querem descongelar preçosSão Paulo, 12 – As duas maiores distribuidoras de energia da Califórnia, a Pacific Gas & Electric e a Edison International, tentam hoje passar em tribunais regionais seus processos contra a California Public Utilities Commission (CPUC), órgão que regulamenta a distribuição de energia na Califórnia. As duas empresas querem acabar com o congelamento de tarifas imposto desde a desregulamentação do setor, em 1996. O principal objetivo das duas maiores distribuidoras do estado é obter o direito de repassar aos consumidores os aumentos dos preços nos custos energéticos. Desde a desregulamentação, as duas empresas acumulam dívidas de quase US$ 12 bilhões. O governador californiano, Gray Davis, declarou que não concorda com o repasse, alegando que seria injusto para os consumidores, já que a lei de 1996 previa a manutenção de baixos custos de eletricidade. Em 24 horas, termina o prazo dado pelos bancos credores à SoCal Edison para o pagamento de US$ 206 milhões, parte da dívida pela emissão de bônus de cinco anos. Com um aumento de 30% em três anos, ou 10% anuais, nas atuais tarifas de eletricidade cobradas no estado, a SoCal Edison declarou que poderia recuperar cerca de US$ 3,5 bilhões dos custos excedentes que teve na compra de energia. Fonte: Gazeta Mercantil (Sylvia Miguel)