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Estado de São Paulo (3/6/98)
CPFL planeja ampliar produção de energia
MILTON F. DA ROCHA FILHO e EDUARDO A. DE LIMA
A privatização do setor de energia elétrica deverá estimular a construção de novas hidrelétricas ou termoelétricas no País, de acordo com o empresário Antonio Ermirio de Moraes , do Grupo Votorantim. Ele anunciou ontem que a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) tem planos de ampliar a produção de energia, podendo chegar a 30% das suas necessidades, ante 3% atualmente.
Os investidores anunciam planos de expansão que ampliam o grau de verticalização do negócio de exploração de energia, ao contrário do que estabelece o novo modelo institucional do setor que pretende separar atividades afins apenas para adotar um modelo importado. O ILUMINA também pensa assim, entretanto é estranho que uma distribuidora pretenda dominar, nessa extensão, o segmento de geração. Até parece que desconhece, ou despreza, as alterações institucionais promulgadas pelo Govêrno…
Ermirio afirma que, no setor eletrico a questão não é só privatizar, mas também criar condições de atrair investimentos para a produção de energia.
Várias companhias que compram estatais preocupam-se, de início, em gerir seus novos ativos, reestruturar a administração e ser mais competitivas. Elas não pensam em construir hidrelétricas ou termoelétricas”, afirmou Carlos Figueiredo, presidente da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia Elérrica (Abrace).
Como sempre ressaltamos, o programa de privatização, ao contrário do que proclama o govêrno, desestimula o aumento da capacidade de geração. É mais fácil comprar uma fábrica que já funciona do que construir uma nova. Aqui está um depoimento insuspeito da ABRACE.
Os grandes grupos internacionais estão hoje mais interessados em adquirir sistemas de geração de energia, comprando companhias como a Gerasul, uma subsidiária integral da Eletrosul, ou mesmo uma das companhias de geração da Companhia Energética de São Paulo (Cesp).
Consultorias já constataram que hoje há mais interesse do investridor internacional em adquirir empresas de geração do que de distribuição. Uma das causas dessa atraçào é o fato de o consumidor dar pouca atenção a essa atividade. 0 caso Light do Rio de Janeiro reflete bem essa situação. 0 consórcio que adquiriu o controle da LIght, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), não realizou o programa de emergência no atendimento e, com isso, não impediu vários blecautes no Rio. A companhia acabou sendo considerada um péssimo exemplo de privatização.
É no mínimo estranho essa preferência por empreendimentos “mais distantes” do consumidor. Será que o investidor teme a vigilância da sociedade? Estaria mais protegido com uma empresa de geração? Considera que a ANEEL será menos vigilante nesse segmento ?
0 secretário-adjunto de Energia de São Paulo, Mauro Arce, entende que, na nova lei que rege o setor e cria novas funções para a Eletrobrás, está o mecanismo que vai propiciar o estimulo à construção de novas termoelétricas e hidrelétricas. “A Eletrobrás vai transformar-se em um novo banco de investimentos, especialmente para o setor de energia elétrica, e isso vai facilitar a vida de quem desejar construir novas usinas”, observou.
Pasmem! A privatização era necessária para desobrigar o Estado desses dispêndios! Entretanto o que se observa é que na peculiar maneira de privatizar brasileira, é mais uma vez o Estado que deve financiar os pesados investimentos em hidroelétricas.
0 presidente da VBC Energia S.A., a holding formada pelos grupos Votorantim, Bradesco e Camargo Corrêa, José Guimarães Monforte, considerou que o interesse pela geração cresceu de fato e hoje se está prestando mais atenção à possibilidade de aumentar o uso do gás natural. “Isso ampliaria a matriz energética nacional, mas lembro que o gás que vamos receber ainda é pouco para as necessidades que temos”, disse. “Novas fontes de fornecimento de gás devem ser olhadas com atenção daqui para a frente, como a vinda do gás da Argentina, por exemplo.”
Atualmente existem projetos de 18 termoelétricas, 80% dos quais a partir do aproveitamento do gás que virá da Bolívia. 0 restante ficará por conta de termoelétricas; em que a parceira da iniciativa privada é a Petrobrás.