A marca registrada
O Ministro Gomide está feliz com sua obra. Hoje o Brasil tem sobra de energia. Será que os problemas do setor se resolveram por milagre? Nada disso! O orgulho do Ministro é porque, à sua moda, o governo FHC resolveu o problema da crise energética. Destruiu o mercado! Hoje, voltamos ao nível de 1999. Se não se consegue aumentar a oferta, destroi-se a demanda! Genial! Aliás não é a primeira vez que o governo emprega a técnica da "descontrução". É sua marca registrada. Parabéns Dr. Gomide! Agora, será que agora, com sobra de oferta, veremos finalmente os preços baixarem?
Gás da Bolívia aumentou 40% este ano
Preço deve subir ainda mais com a disparada recente do dólar no Brasil
NICOLA PAMPLONA
RIO – O preço do gás natural importado da Bolívia aumentou cerca de 40% desde o início do ano, inflado pelas disparadas do dólar e do petróleo no mercado internacional. A alta, que deve crescer ainda mais com o próximo reajuste trimestral, em outubro, preocupa distribuidoras e indústria, que enfrentam dificuldades para repassar os reajustes do energético.
Os contratos de gás natural importado prevêem um reajuste trimestral, com base em uma cesta de óleos no mercado externo, que vem sendo puxada pela iminência de uma ataque norte-americano ao Iraque.
Além disso, as faturas são em dólar, com pagamento feito pela cotação média do dia anterior, conhecida como Ptax. A este custo soma-se o do transporte da commodity pelo Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), também em dólar e reajustado anualmente segundo a inflação norte-americana.
Pelas contas da Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás), o metro cúbico de gás importado da Bolívia chega hoje às distribuidoras a R$ 0,3705, já incluindo o custo do transporte. No início do ano, este preço era de R$ 0,2640. Ou seja, houve um reajuste de exatos 40,34% no período. "Agora em outubro, com essa disparada do dólar e do petróleo nos últimos meses, o reajuste deve ser grande", alerta o presidente da Compagás, distribuidora que atende o estado do Paraná, Antônio Fernando Krempel.
A Compagás é uma das empresas que têm dificuldades para o repasse do aumento de custos. "Temos dois problemas: de competitividade com combustíveis alternativos e de capacidade de absorção por parte de nossos clientes", explica o executivo. Este ano, a empresa promoveu um único reajuste em sua tabela, de 13,38%, em julho.
A distribuidora adotou a estratégia de tentar mostrar aos clientes que a alta nos preços não é fenômeno isolado no gás natural, para não perder clientes, diz Krempel. "O óleo combustível e o gás liquefeito de petróleo (GLP) também subiram", observa. Segundo ele, porém, a empresa se encontra em uma "posição delicada", jpa que terá que repassar o mínimo possível no próximo reajuste.
Entre os principais consumidores do gás natural estão os fabricantes de vidros, as cerâmicas e a indústria química. De acordo com o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia (Abrace), Paulo Ludmer, as empresas também vêm enfrentando dificuldades para repassar para os preços o aumento no custo do insumo.
"Se continuar neste ritmo, acho que algumas empresas vão preferir voltar para seus combustíveis antigos", afirmou Ludmer.
Os consumidores, os distribuidores e as entidades representativas da indústria se uniram para tentar forçar uma redução no preço do combustível junto aos fornecedores bolivianos. "Tentamos mostrar a eles que todo mundo sai perdendo com o alto preço", conta o presidente da Abegás, Cícero Ernesto Dias Leite. A entidade já promoveu um encontro com os produtores na Bolívia para mostrar seu ponto de vista.
Além disso, o setor espera uma definição do governo sobre o subsídio ao transporte do gás, que representa cerca de metade do preço do produto. O assunto já motivou um pendenga entre a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e o governo, pois o órgão regulador quer estender o subsídio a todos os mercados, e não só ao gás consumido por térmicas, como quer o governo.
Pela proposta da ANP, o preço cairia para todos os consumidores, possibilitando o desenvolvimento do mercado de gás como um todo, disse recentemente, em artigo publicado na imprensa, o diretor-geral da agência, Sebastião do Rego Barros.
Gás nacional – O mercado de gás agora volta suas baterias também para o preço do gás nacional, que deve ser reajustado pela Petrobrás.
Executivos da empresa já chegaram a dizer que há espaço para um reajuste de até 21% no preço do gás produzido no País, que abastece principalmente os estados do Nordeste, Rio e Espírito Santo. Nesta semana, representantes da Abegás estiveram na Petrobrás para tentar evitar um reajuste desta dimensão.
"A fórmula de reajuste trimestral, que balizou os preços nos últimos anos, não está mais em vigor. Temos que definir uma nova sistemática de reajustes", disse o presidente da Abegás, afirmando que um aumento de 21% seria "um desastre", pois inviabilizaria o gás natural veicular (GNV), uma das âncoras de expansão do uso do combustível.
Gomide: "Brasil vive momento de evidente abundância de energia elétrica"
Segundo o ministro, constatação deixa o governo federal tranqüilo para aguardar a entrada das usinas emergenciais
Redação, OeM
27/09/2002
O ministro de Minas e Energia, Francisco Gomide, garantiu nesta sexta-feira, dia 27 de setembro, no Rio de Janeiro, que o Brasil vive hoje "um momento de evidente abundância de energia elétrica, que garante o consumo do país para os próximos três a quatro anos".
Segundo o ministro, essa constatação deixa o governo federal "absolutamente tranqüilo" pelo tempo necessário para que possa aguardar a entrada em operação das usinas do Programa Emergencial de Termeletricidade, que vem sendo posto em prática. Para tranqüilizar ainda mais a situação, o ministro lembrou o fato de que o consumo atualmente encontra-se em um patamar abaixo do período anterior ao racionamento.
Dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) confirmam as declarações do ministro de Minas e Energia. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste onde há a maior demanda por energia o consumo de energia em 2002 foi 7% inferior ao de 2000 e 1,5% menor do que o verificado nos primeiros oito meses do ano passado, apesar do racionamento.
Estudo da Abdib revela que sistema elétrico receberá 16.150 MW no período 2002/2004
Esse volume representa uma diferença de 5 mil MW à estimativa feita pelo governo, que prevê uma inserção de 21.130 MW no mesmo período
Redação, Expansão
27/09/2002
Um estudo elaborado pela Abdib (Associação Brasileira da Infra-estrutura e Indústrias de Base) revela que, entre 2002 e 2004, sejam instalados 16.150 MW no sistema elétrico nacional, uma diferença de 4.980 MW à estimativa feita pela Câmara de Gestão da Crise de Energia (CGSE), que aponta uma inserção de 21.130 MW neste período.
Segundo a associação, em 2003, a diferença de previsões alcança 2.361 MW, energia suficiente para atender sete milhões de habitantes. O governo prevê a entrada de 8.244 MW no sistema, enquanto a Abdib estima 5.883 MW. De acordo com José Augusto Marques, presidente da entidade, a diferença reflete a decisão de alguns investidores em postergar projetos em geração de energia por conta das incertezas do mercado.
A associação mostra que as projeções de implantação de térmicas são o principal motivo para a diferença entre os dois órgãos. Pelo estudo da Abdib, no período de 2002 a 2004, devem entrar 5.497 MW no sistema. Nos cálculos do governo, o volume previsto é de 8.087 MW. A comparação não levou em consideração a contratação de energia emergencial em ambos os estudos.
"Este resultado também está relacionado ao fluxo de investimentos no setor, que também apresentou uma redução neste período", explica Marques. Pelos cálculos do executivo, este fluxo apresentará uma redução de US$ 4 bilhões no período de 2002 a 2004.