Mais uma fita desvenda os bastidores das trapalhadas do govêrno FHC. O ILUMINA, em conjunto com a COPPE tem sistematicamente denunciado a total inviabilidade do modelo de privatização adotado no Brasil.
Estado de São Paulo 04/6/99
Aberto inquérito contra modelo de venda da Cesp
Procurador alega que as regras vão prejudicar a parte da empresa que permanecerá pública e o consumidor
JAIR ACEITUNO
Especial para o Estado
BAURU – O modelo de privatização adotado pelo governo paulista para a privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) é alvo de inquérito civil público aberto pelo procurador Rodrigo Valdez de Oliveira, na regional de Bauru do Ministério Público Federal. O objetivo é evitar que a parte rentável da empresa seja repassada à iniciativa privada e a não rentável permaneça pública, causando prejuízos ao consumidor de energia e a outros e a serviços prestados pela estatal.
Oliveira tem informações de que, pelo modelo proposto para a privatização, o setor de transmissão, que permanecerá público, ficará fragilizado e sem condições de fazer os investimentos necessários à expansão da infra-estrutura, o que poderá ter graves conseqüências para o consumidor e para o sistema
nacional de energia.
Essa tese é reforçada por uma fita de vídeo – que o procurador tem em mãos – onde o presidente da Cesp, Guilherme Augusto Cirne de Toledo, aconselha os trabalhadores da empresa a não optar por trabalhar na empresa de transmissão, pois ela não terá recursos nem para o pagamento dos salários.
Ao mesmo tempo em que requisita o edital de privatização e o cronograma de sua execução, o procurador também está solicitando aos pesquisadores Luís Pinguelli Rosa e Maurício Tolmasquim, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um estudo sobre a Cesp. Eles escreveram um livro sobre privatizações na Europa, Argentina, Israel e Chile, onde dizem não ter encontrado um sistema de privatização como o que está ocorrendo no Brasil.