Gerasul negocia compra de participação na usina de Itá
MILTON F.DA ROCHA FILHO
A Gerasul, controlada pela belga Tractebel, negocia a compra de participação de um parceiro
na hidrelétrica de Itá, que está sendo construída em Santa Catarina, segundo o executivo da
Tractebel, Victor Paranhos, que deixou a presidência da Gerasul para assumir a da Companhia
Energética do Mercosul, que administra a hidrelétrica de Cana Brava, em construção em Goiás. A
Tractebel tem um plano de investimento no País de US$ 3 bilhões em cinco anos.
O parceiro de quem a Gerasul compraria a participação em Itá pertence ao Grupo Odebrecht,
que pretende atuar nas áreas de concessões, construção e petroquímica. Paranhos somente
confirmou que há uma negociação em andamento, mas não revelou o nome de quem está
negociando com a Gerasul, que desde ontem tem um novo presidente, Manoel Zanoni Torres.
Paranhos disse que a Tractebel vai continuar investindo na área de geração de energia no País.
"Temos um plano de investimentos, mas, como outros investidores, queremos que o setor
tenha regras claras e objetivas; faltam ações regulatórias para que o investidor se sinta à vontade
para aplicar seus recursos; esperamos que essas indefinições sejam superadas logo", disse.
A Companhia Energética do Mercosul, a ser presidida por Paranhos, conseguiu no BNDES
um financiamento de R$ 325 milhões para a hidrelétrica de Cana Brava, sendo que o custo total da
obra é de R$ 550 milhões, nos próximos tres anos. (AE)
MILTON F.DA ROCHA FILHO
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) fez uma associação com a Endesa espanhola
para a criação de uma companhia que trará 2.000 megawatts da Argentina. A nova empresa terá o
nome de Companhia Internacional de Energia (Cien) e será controlada pela Endesa, com
participação de 51%. Segundo o presidente da Copel, Ingo Hubert, serão investidos US$ 30 milhões
na Cien.
Hubert lembrou que o crescimento no consumo de energia no País está bem acima do PIB.
Nos primeiros três meses do ano, este setor cresceu 4%. "Enquanto o mercado na Argentina está
estável, aqui continua em evolução. Há sobras de energia na Argentina e podemos aproveitar bem",
disse.
"Inicialmente, traremos para o Brasil 2.000 megawatts a um custo muito baixo. Não vamos
construir uma hidrelétrica com essa capacidade de produção, a idéia é investir somente em uma
estação de transformação da freqüência, que na Argentina é de 50 hertz, ante os 60 hertz do Brasil",
afirmou Hubert. A energia da Argentina entrará no País por meio de Uruguaiana, no Rio Grande do
Sul, e chegará até Itá, em Santa Catarina, quando então será transmitida para o Paraná. O presidente
anunciou ainda a construção da nova hidrelétrica de Foz do Chopin (com 26 megawatts de
potência), por uma empresa formada com a DM Construções, na qual a Copel também será
minoritária, com 49% de participação. (AE)