O GLOBO 1.06.97
LIGHT QUER USINA TERMELÉTRICA DE GÁS NATURAL NO RIO
Ramona Ordoñez
A Light quer construir no Estado do Rio uma usina termelétrica a gás natural, cuja capacidade pode chegar até 600 megawatts. Uma usina desse porte representa investimentos médios da ordem de US$ 400 milhões. A informação foi dada pelo presidente da Light, Michel Gaillard, ao fazer um balanço, com exclusividade ao GLOBO, do primeiro ano da empresa sob gestão privada. A Light foi vendida no dia 21 de maio do ano passado pelo preço mínimo de R$ 2,2 bilhões para um grupo liderado pela Electricité de France (EDF); as empresas americanas Houston Industries Energy e a AES; a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), e a BNDESPar.
Satisfeito com a compra da Light, o grupo controlador quer participar da privatização de outras empresas geradoras e distribuidoras de energia. A empresa planeja, também, participar de projetos na área de gás, não escondendo o interesse pela Companhia Estadual de Gás (CEG).
– A Light está pronta para investir em projetos novos de geração, como em termoelétrica a gás – disse Gaillard.
A construção da termelétrica a gás aumentaria a confiabilidade do sistema do Estado do Rio que hoje é muito vulnerável por depender da importação de outros estados de quase 80% de toda energia consumida.
Segundo o executivo, além das obras prioritárias nas regiões mais críticas, como Baixada Fluminense e Barra da Tijuca, a empresa está investindo na modernização do seu sistema. Os consumidores, porém, reclamam muito da qualidade dos serviços da Light. Gaillard explicou que a situação permanece crítica em muitas regiões devido à falta de investimentos nos últimos anos.
– Já no fim deste ano o nosso cliente vai sentir a diferença com a melhoria da qualidade dos nossos serviços – prometeu.
O presidente do Sindicato dos Urbanitários do Rio, Luiz Carlos de Oliveira, acusou a Light de não cumprir as metas de qualidade previstas no contrato de concessão assinado com o Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (Dnaee). Segundo Oliveira, em Queimados, por exemplo, o índice que mede o tempo de duração das interrupções (DEC) foi de 56,04, superando o limite fixado pelo Dnaee, que era de 30. No Grande Rio, a freqüência do tempo de interrupção aumentou 42% em 96 em relação a 95.
Gaillard admitiu que os índices não foram bons em 96, mas disse que já começaram a melhorar. Na média, o DEC caiu 31% no primeiro trimestre, em comparação a igual período do ano passado, passando de 5,80 para 3,98.
– Este ano vamos investir R$ 255 milhões, dos quais cerca de R$ 200 milhões nas áreas de distribuição e transmissão. Temos muito serviço e isso não se faz no curto prazo – disse.