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No mesmo jornal, no mesmo dia, apenas algumas páginas distanciam essas duas notícias tão conflitantes e por isso mesmo tão próximas. Vejam o que diz o ONS sobre investimentos do govêrno no setor elétrico. Perguntamos: Se é para o govêrno investir, para que vender e cindir FURNAS? Não é mais fácil manter a estrutura de uma empresa que já mostrou ser capaz de investir na expansão e ainda dar lucro ? Afinal, a privatização não era para "aliviar" o estado desse papel?




Globo 26/3/99

Só a venda de Furnas está confirmada para este ano

Roberto Cordeiro, Aguinaldo Novoe Wagner Gomes*

BRASÍLIA e SÃO PAULO. O Governo federal não deverá conseguir privatizar todas as geradoras de energia elétrica este ano, admitiu ontem o diretor de Desestatização do BNDES, José Luiz Osório. A previsão do Governo era arrecadar R$ 7,1 bilhões em 1999 com a privatização de todas as geradoras de energia elétrica. Mas o Conselho Nacional de Desestatização (CND), segundo Osório, decidiu na reunião de ontem continuar o processo de venda de Furnas Centrais Elétricas SA e deixar para abril qualquer decisão sobre a Companhia Hidro-Elétrica do São Francisco (Chesf) e a Eletronorte. O leilão das geradoras de Furnas continua previsto para ocorrer entre agosto e setembro.


O CND marcou para 28 de abril a assembléia dos acionistas que aprovará a cisão de Furnas. Os ativos de geração da estatal serão separados dos de transmissão (estes permanecerão sob o controle da Eletrobrás). No caso de Chesf e Eletronorte, por questões políticas o Governo decidiu esperar que a privatização seja mais bem assimilada para contornar críticas de parlamentares do Norte e do Nordeste que são contrários à venda dessas estatais.


Sobre a privatização das geradoras de energia, o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse que as hidrelétricas de Sobradinho e Itaparica poderão ser excluídas dos ativos da Chesf. O Governo decidiu ainda cindir a Eletronorte em mais de uma geradora e os recursos obtidos com os leilões poderão ser usados em investimentos nas áreas de distribuição, geração e transmissão da Região Norte. Segundo Tourinho, só o dinheiro da venda da Usina de Tucuruí vai para o caixa do Tesouro Nacional:


– As usinas e os reservatórios permanecerão sob o controle da Chesf até que seja definida uma política de utilização de recursos hídricos para o país.


No caso da Eletronorte, está praticamente decidido que a empresa será fatiada em até três geradoras. A proposta inicial era vender uma só empresa formada por Tucuruí e os sistemas elétricos de Amapá, Acre e Rondônia.


Hoje, a Companhia Energética de São Paulo (Cesp) tem assembléia geral extraordinária para aprovar a cisão da estatal, como parte do processo de privatização, em três companhias: uma de transmissão e duas de geração. Os serviços da empresa de transmissão (concentrados na Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista) continuarão sob controle do Governo do estado. As de geração e a Cesp, já dividida, vão a leilão em junho. Avaliação preliminar da Secretaria de Energia de São Paulo indica preço mínimo de R$ 2,4 bilhões por 30% do controle acionário das empresas.

Os data-rooms serão abertos aos investidores segunda-feira.


Na reunião de ontem, além da análise da venda de Furnas, os integrantes do CND tomaram conhecimento, por meio do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, do processo de licitação das rodovias federais. E o BNDES deve tornar disponíveis para investidores as informações sobre a privatização do IRB Brasil Resseguros SA. A venda da estatal deve ocorrer entre junho e julho. O CND confirmou para 23 de junho a data do leilão da Datamec, empresa de processamento de dados da Caixa Econômica Federal.


Em São Paulo, o presidente da Comgás, Júlio Lapa, disse que os grupos que manifestaram interesse em disputar o leilão da empresa abriram mão de possível linha de financiamento do BNDES. Segundo Lapa, as empresas "têm meios de levantar sozinhas o dinheiro". O valor mínimo de venda da Comgás, marcada para 14 de abril, é de R$ 753,4 milhões. Já visitaram o data-room da Comgás dez das 14 empresas inscritas, a maioria grupos estrangeiros de peso, como Shell, British Gas, Agip e PanAmerican.

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