O GLOBO 29.08.97
Pane em Furnas deixa 63 cidades sem energia
Um blecaute provocado por problemas em duas subestações de Furnas Centrais Elétricas
deixou ontem 63 municípios do Estado do Rio e parte do Espírito Santo sem luz entre
12h02m e 12h30m. Furnas limitou-se a informar que, por razões ainda não esclarecidas,
houve pane na linha de 345 kW que interliga a subestação de Adrianópolis, em Nova Iguaçu,
à de Campos, no Norte Fluminense. Essa linha distribui energia para as subestações da
Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro (Cerj) e da Espírito Santo Centrais
Elétricas S.A. (Escelsa). Dos 65 municípios abastecidos pela Cerj, apenas dois – Angra dos
Reis e Resende – não foram afetados pelo blecaute porque são servidos por outra linha de
Furnas.
Em Campos, técnicos da Cerj disseram que houve uma sobrecarga na transmissão – o
chamado “distúrbio de tensão” – e o sistema desarmou automaticamente, atingindo também
a subestação de Rocha Leão, em Macaé. Campos foi a cidade mais atingida pelo blecaute,
que lá durou 45 minutos. Os hospitais foram obrigados a acionar geradores de emergência
e, como medida de prevenção, as cirurgias eletivas foram suspensas. Leonel Martins,
diretor-geral da Cerj que ontem foi a Campos avaliar a situação, afirmou que o sistema
nunca esteve tão vulnerável.
– Estamos sob o fantasma do colapso de energia elétrica, principalmente entre 18h e 22h,
quando a demanda aumenta – afirmou Martins. Segundo ele, a falta de energia atingiu cerca
de um milhão de estabelecimentos, entre empresas e residências, que correspondem a
90% dos consumidores da empresa.
No Rio de Janeiro, a falta de luz atingiu apenas o Aeroporto Internacional, que ficou sem
energia por dez minutos. Segundo a assessoria de imprensa da Infraero, assim que o
fornecimento de energia foi interrompido, a central de emergência, alimentada por óleo
diesel, foi acionada. A falta de luz, de acordo com o Infraero, não afetou o movimento de
pouso e decolagem dos aviões e não causou qualquer incidente na área do aeroporto.
Em Niterói, uma das maiores cidades atingidas, a falta de luz não passou de um fato
rotineiro – desde que a Cerj foi privatizada, a população do município vem reclamando de
constantes cortes de energia, principalmente nos bairros mais distantes, como Pendotiba,
Várzea das Moças, Itaipu e Piratininga. O Corpo de Bombeiros não chegou a ser acionado,
nem para resgatar pessoas presas em elevadores.