O Globo On Plantão 29.07.97
CERJ QUER REDUZIR PERDAS EM CINCO ANOS
RIO, 29 – Pior que a Cerj, só a Cerj. Esta frase foi usada pelo gerente de relações
corporativas da empresa, José Luis Echenique, para mostrar a situação caótica em que
encontrou a empresa após sua privatização, em novembro do ano passado. Ele informou
que, do índice de perdas de 29,1%, a companhia conseguiu recuperar apenas 0,6% até
agora. A meta é fazer com que chegue em 12% nos próximos cinco anos.
Já em três anos após a privatização, o executivo acredita que esse número terá sido
reduzido para 14%. O índice atual de perdas é o maior do sistema Eletrobrás e consome
R$ 150 milhões anualmente dos cofres da Cerj. De acordo com Echenique, desse total,
20% dizem respeito a roubo de energia (“gatos”) e os 9,1% restantes são perdas
técnicas.
– O sistema estava muito caótico – afirmou o executivo da Cerj.
Segundo ele, desde novembro de 1996, vários inquéritos policias foram abertos para
apurar os roubos de energia, sendo que 50 deles só nas áreas industrial e comercial. Um
exemplo interessante no segmento residencial foi o de uma casa no bairro Ingá, que tinha
até heliporto, mas a eletricidade era obtida através de ligações clandestinas.
– E o pior era que o heliporto estava construído em um terreno da própria Cerj –
complementou o executivo, acrescentando que, entre abril e junho desse ano, foram
feitas 85 mil inspeções que propiciaram 10 mil novos clientes.
No período de março a julho foram trocados 75 mil medidores e a meta para 1997 é
chegar a 200 mil aparelhos, conforme Echenique.
– Vamos levar luz para a região Norte do estado e outras áreas que não têm energia
elétrica, principalmente a zona rural – enfatizou, ressaltando que até o final de 1998, 140
quilômetros de linhas serão instalados na região Norte e mais 60 quilômetros na região
Sul fluminense.
A composição acionária da Cerj é a seguinte : Enersis (30,6%), Chilectra (29,4%),
Eletricidade de Portugal (30%), Endesa (10%), Eletrobrás (13,30%) e outros (16,15%).
Esses percentuais se aplicam sobre os 70,26% das ações arrematadas pelo consórcio,
que pertenciam ao Governo do Estado do Rio.