O GLOBO 28.12.97 Light opera no seu limite máximo em áreas do Rio O presidente do Sindicato das Indústrias de Energia Elétrica do Rio, Sérgio Malta, afirmou ontem que, em alguns pontos da cidade, a …

O GLOBO 28.12.97



Light opera no seu limite máximo em áreas do Rio


O presidente do Sindicato das Indústrias de Energia Elétrica do Rio, Sérgio Malta, afirmou ontem que, em alguns pontos da cidade, a Light opera hoje no máximo de sua capacidade. Segundo Malta, o consumo de energia no Rio subiu 7% em 1996 e mais 7% em 1997.

– Só para ter uma idéia, a taxa de crescimento, em países desenvolvidos, fica em torno de 0,2% ao ano. O que está acontecendo no Rio significa ter quase que dobrar o fornecimento em sete anos. Com este crescimento, de fato, em algumas áreas o sistema está em situação limite – disse Malta, que também ocupa o cargo de superintendente da Light.

A empresa teve que explicar, por telefone e por carta, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) – órgão do Governo federal que fiscaliza as concessões no setor – quais as razões dos problemas no fornecimento de luz às vésperas do Natal. A Light começou exibindo o consumo de energia no dia 23: às 23h, foram 4.300 megawatts por hora, o maior já registrado nos 90 anos de existência da empresa. Por causa da sobrecarga, 126 transformadores explodiram ou desligaram-se automaticamente, deixando mil casas às escuras.

O presidente do sindicato, porém, garantiu à diretoria da agência que não houve blecautes – o que tecnicamente significaria deixar às escuras bairros ou regiões inteiros -, mas sim problemas em pontos isolados da cidade. Ele também afirmou que nenhuma das mais de 80 subestações da empresa apresentou algum problema e que todos os consumidores tiveram a luz religada em pouco tempo. Entre as providências para que os apagões não se repitam no réveillon, a Light listou o aumento do número de equipes de emergência no plantão de fim de ano, de atendentes no telefone 196 e a troca de 200 transformadores até o dia 30.

Vinte técnicos da Aneel fizeram uma auditoria na Light entre os dias 26 de novembro e 12 de dezembro últimos. Pelo contrato de concessão, a agência checa anualmente a situação contábil, financeira, comercial e técnica das concessionárias. O relatório deve estar pronto em 60 dias.

Segundo o presidente do sindicato, em 1997 a Light investiu R$ 300 milhões na melhoria do sistema e a Cerj mais de R$ 150 milhões. As duas estariam construindo dez novas subestações (uma em Botafogo, duas em Jacarepaguá, três na Baixada Fluminense, duas na Região dos Lagos e mais duas no Vale do Paraíba) e reformando outras tantas.

– É o maior investimento em muitos anos, mas só terá efeito a médio prazo – argumentou.

Os investimentos nos anos anteriores, segundo Malta, não acompanharam, nem de longe, o crescimento de demanda.

– O consumo só cresceu. Há dez anos, o pico de energia foi de 2.500 megawatts e hoje já batemos 4.300! – comentou.

Com os problemas ocorridos no Natal já resolvidos, ontem foram registradas poucas falhas no fornecimento de energia. De manhã, os fusíveis de um transformador na Rua Campos Sales, no Rio Comprido, queimaram, mas foram trocados logo. Na Rua Gilles Villeneuve, em Jacarepaguá, um poste caiu às 21h de anteontem, quando uma empreiteira ligada à Light fazia a manutenção do transformador. Até o fim da tarde de ontem, os moradores continuavam sem luz.






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