Não é necessário o ILUMINA fazer denúncias sobre as expectativas de lucro dos capitais privados totalmente incompatíveis com setores de serviço público e de infraestrutura. Os próprios investidores, abertamente, declaram sua intenção de dobrar o valor de sua tarifa! Quanto ao ágio pago (29%) na venda da CESP, é bom lembrar que essa quantia não representa receita líquida para o Estado e sim crédito tributário para o comprador. Pasmem! Leia reflexão do ILUMINA.
Globo 28/10/99
Tarifas em São Paulo devem subirSÃO PAULO. A privatização das geradoras de energia elétrica deve elevar os preços para o consumidor. O presidente da AES no Brasil, Luiz David Travesso, já avisou que quer equiparar os preços de toda nova energia que a Cesp Tietê gerar daqui para a frente aos preços internacionais, que chegam a US$ 32 por MWh. Hoje, a geradora vende sua energia a US$ 18 por MWh e essa cifra será mantida pelo menos nos próximos 12 meses.
– As tarifas no Brasil estão defasadas em relação à média do mercado internacional, sobretudo depois da desvalorização do real – argumentou.
Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), toda "energia nova" produzida pelos controladores por meio da expansão de capacidade terá valor estipulado pela concorrência. No contrato de concessão da Cesp Tietê, o novo controlador é obrigado a aumentar a capacidade produtiva em 15% em oito anos.
O ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse ontem que concorda com a reclamação de que os preços da energia no Brasil estão defasados, mas adiantou que o Governo não pretende autorizar novos aumentos.
A Aneel regula os preços da energia elétrica nas distribuidoras que vendem o serviço para o consumidor final. A agência reguladora tem mecanismos que limitam os repasses de aumentos e, com isso, pretende minimizar e diluir, ao longo do tempo, possíveis reajustes. Por causa desse limitador, na avaliação da Aneel, as distribuidoras tenderão a comprar energia das geradoras que oferecerem os melhores preços.
AES admite que aumentará tarifas de energia elétrica
São Paulo, 27 – A American Electric Power (AES), vencedora do leilão da Companhia de Geração de Energia Elétrica Tietê, a Cesp Tietê, já anunciou que aumentará os valores das tarifas de energia elétrica. Segundo o presidente da AES no Brasil, Luiz Travesso, após a expansão da empresa, o preço da tarifa nacional deve ser equiparado ao da internacional. Ele afirmou que há uma defasagem de 100% no mercado interno. A companhia, representada pela corretora Brascan, ofereceu R$ 938,066 milhões e comprou a Cesp na manhã desta quarta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo. O ágio foi de 29,97%. A Tractebel, única concorrente da empresa norte-americana a apresentar proposta de compra no leilão, ofereceu R$ 761 milhões, pouco mais que o valor mínimo de R$ 721,7 milhões. Também participaram as corretoras Ágora, representando a Gerasul (cujo nome fantasia é Centrais Geradoras do Sul do Brasil); Bradesco, representando o grupo VBC (Draft V Participações, nome fantasia).
A AES Corporation, fundada em 1981, a maior companhia de energia do mundo, fortaleceu sua posição no Brasil com a compra da Cesp Tietê. A AES já estava no Brasil participando do controle da Eletropaulo, Light, Cemig e na Termoelétrica de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. A empresa não se atemorizou com sua situação na Cemig, onde enfrenta o governo de Minas, que é contrário a sua participação, da Southern e do Opportunity como minoritários com poder de veto. A AES tem investimentos em 100 usinas, gerando cerca de 35 mil megawatts no mundo. Como distribuidora de energia está presente na América Latina, além do Brasil, na Argentina e em El Salvador. A companhia opera com gás, hidroelétricas e usinas de combustíveis sólidos. Emprega mais de 40.000 pessoas no mundo todo. Seus projetos espalham-se pelos Estados Unidos, Índia, Reino Unido, Hungria, Casaquistão, Austrália, Polônia, Uganda, México e China, além de participar em atividades de desenvolvimento empresariais contínuas em mais de 35 países.
No Brasil, a empresa vai construir a Usina Termoelétrica de Uruguaiana, que terá um investimento de US$ 300 milhões: a nova usina vai consumir o gás natural argentino e gerar 600 MW, o que representa um terço da oferta existente atualmente no Rio Grande do Sul. A AES tem cerca de US$ 8 bilhões em financiamentos para aplicar em investimentos em vários países e seus ativos são superiores a US$ 10 bilhões. Fonte: Diário do Grande ABC