GLOBO 28/09/1998 Presidente da Eletrobrás defende cisão de Furnas em 3 empresas Sueli Montenegro BRASÍLIA, 28 (Agência O GLOBO) – O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, defendeu hoje …



GLOBO 28/09/1998

Presidente da Eletrobrás defende cisão de Furnas em 3 empresas

Sueli Montenegro


BRASÍLIA, 28 (Agência O GLOBO) – O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, defendeu hoje a cisão de Furnas Centrais Elétricas em três empresas de geração, embora a Lei 9.646 estabeleça a divisão da estatal em duas. As três novas empresas resultantes da cisão da área de geração da estatal cobririam as bacias do Parnaíba, do Rio Grande e de Goiás/Minas Gerais.


Sampaio acredita que a alteração da lei que possibilitará essa divisão pode ser feita por medida provisória. Ele fez essa afirmação durante almoço com jornalistas hoje, após a assinatura do contrato de concessão da Gerasul.


Esquartejam uma empresa lucrativa e técnicamente respeitada no mundo todo, assim… Medida Provisória na mão, mudança de lei na outra. Enquanto isso, lá no mundo privado, as fusões e verticalizações correm soltas…Vai entender…

Eletrobrás quer nova divisão de Furnas

JB 29/9/98

Cisão da empresa em três partes, em vez de duas, como prevê o edital, atrairia mais empresas e investimentos, diz Firmino Sampaio

MÔNICA TAVARES


BRASÍLIA – O presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio, defendeu ontem, que o ativo de Furnas, a ser privatizado no primeiro semestre do próximo ano, seja dividido em três partes. Para ele, isto estimularia a participação de maior número de empresas na concorrência. A lei 9.646/98 prevê a cisão da empresa em duas partes para a privatização. Firmino explicou que, se governo decidir dividir a empresa em três, poderá editar uma medida provisória para agilizar o processo.


"É necessário atrair novos investidores", argumentou Firmino, ao analisar as condições para a venda dos ativos de Furnas, Chesf e Eletronorte, prevista para o próximo ano. Ele lembrou que alguns investidores americanos, espanhóis e alemães ainda não participaram das privatizações do setor elétrico. Para Sampaio, os ativos que serão vendidos "são de muito boa qualidade". O valor patrimonial de Furnas está avaliado em R$ 10 bilhões, enquanto a dívida da empresa chega a R$ 900 milhões. A dívida da Chesf equivale a 30% do seu patrimônio líquido, de R$ 16 bilhões; enquanto a da Eletronorte, está em torno de R$ 600 milhões, para um valor patrimonial de R$ 9 bilhões.


O presidente da Eletrobrás explicou ontem que os cortes nos investimentos determinados pelo governo estão sendo feitos preservando "o que estava com conclusão prevista até dezembro deste ano". O corte do orçamento de Furnas será de R$ 60 milhões; da Chesf, de R$ 140 milhões; das quatro empresas estaduais de energia que foram federalizadas (Ceron, Ceal, Cepisa e Eletroacre), de R$ 55 milhões; da Eletronorte, de R$ 70 milhões; da Eletronuclear, R$ 20 milhões; Eletrosul (transmissão), R$ 10 milhões; e Eletrobrás, R$ 15 milhões.


O presidente da Tractbel, Gil Maranhão, disse que a empresa, que comprou a Gerasul, vai investir R$ 1,3 bilhão nos próximos quatro anos no Brasil, sendo R$ 800 milhões nas usinas hidrelétricas de Machadinho e Itá e nas termelétricas de Jacuí e Corumbá. Outros R$ 500 milhões serão aplicados na construção da hidrelétrica de Cana Brava.


Ele explicou ainda que a Tractbel tem interesse em participar da licitação da termelétrica de Candiota 3, na divisa do Uruguai com o Rio Grande do Sul, e em todas as hidrelétricas ao longo do rio Uruguai. O grupo belga comprou a Gerasul por R$ 945 milhões e assumiu ainda a dívida da empresa no valor de R$ 1,2 bilhão.


Eletrobrás – O governo poderá arrecadar US$ 6 bilhões ainda este ano, com a antecipação de parte do pagamento da dívida que a Itaipu Binacional tem com a Eletrobrás. O modelo de lançamento no mercado internacional dos títulos lastreados nos crédito que a Eletrobrás tem a receber (recebíveis) já foi montado pelo Crédit Suisse First Boston, contratado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES).


O presidente da Eletrobrás disse ontem que até novembro a empresa deverá concluir o trabalho de preparação dos títulos. Porém, ele ressaltou que as condições de mercado agora para o lançamento dos papéis "foram prejudicadas" devido a crise financeira internacional.


A securitização da dívida de Itaipu foi uma das medidas do Pacote 51, lançado no ano passado pelo governopara enfrentar a crise dos mercados asiáticos. Ficou acertado que seriam lançados títulos com base nos recebíveis no valor de US$ 6 bilhões, com juros médios de 7% ao ano, mais a correção pela inflação americana.


Parte do que a Eletrobrás arrecadar com a operação será utilizada para o pagamento de dívida da empresa junto ao Tesouro, que chega a R$ 3,5 bilhões. No total, a dívida de Itaipu com a Eletrobrás está estimada em US$ 16,5 bilhões.

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