A Notícia abaixo mostra que no Brasil, mesmodepois de uma queda de mercado de aproximadamente 20%, nem precisa vender mais energia para que a receitalíquida das distribuidoras aumente. A razão é simples! Com aumentos tarifários indexados pelo IGPM numa economia que no máximoacompanha o IPC, não há como perder.
Uma boa oportunidade para rever o que aconteceu na Inglaterra (*). Após a privatização e a implantação do modelomercantil os preços de energia elétrica declinaram. Ahaha, diriam os neo-liberais! Estão vendo como o mercado funciona? Só que, examinando os detalhes, vê-se que as razões principais do declínio de preços nada têm a ver com a competição ou mercado. Na realidade houve uma mudança de critério (**)do regulador na metodologia que determina a receita permitida das distribuidoras inglesas. A história se repete. Lá, para valorizar os ativos na venda das empresas também se adotou um “Retail Price Index” e um fator X que, na prática, fez a parcela das distribuidoras dispararem. Ai, pasmem os senhores mercantis,o regulador praticamente abandonou a metodologia inicial e passou a adotar um critério muito semelhante ao custo do serviço, justamente a filosofia anterior à privatização. Desse modo se conseguiu reduzir a mordida das distribuidoras. O outro motivo da queda de preços foi a substituição de usinas a carvão pelas mais eficientes usinas a gás. Aqui, na prática, substituimos hidráulicas, cuja eficiência ultrapassa 90%, por térmicas cuja eficiênciaque não ultrapassam 60%. Com certeza não teremos a mesma alegria dos consumidores ingleses.
(*) The British Model in Britain: Failing slowly – Thomas, S. Public Service International Research Unit – University of Greenwich
(**) Ué! Instabilidade de regras lá na terra do paradigma do mercado?
Receita das elétricas subiu 16,6% até março (Estado de São Paulo 19/05/04)
RENÉE PEREIRA