Desobedecendo a natureza

Vejam que confusão! Quem tem razão? O Governador do Paraná ou a Ministra Dilma? A nossa opinião é que não é assim tão “sem conseqüências” a não participação da COPEL no “pool” da CCEE. Afinal, aquele estado consome cerca de 5% da eletricidade do sistema, e, além disso, tem, graças à eficiência da COPEL, excelentes usinas, bem construídas e baratas. A saída do pool é uma perda para o pool.



Então, o Governador do Paraná tem razão? O sistema brasileiro é tão complexo que fica difícil entender como uma visão pode estar certa e errada ao mesmo tempo. A visão está correta quando o Governador quer direcionar a eficiência de seu parque gerador para seu estado, pois, afinal, essa situação foi conseguida pela sociedade paranaense. Entretanto, não se pode esquecer que a energia associada às usinas do Paraná, não é gerada exclusivamente naquele estado. Ela é uma parcela da energia assegurada do sistema que, por um critério bastante subjetivo, convencionou que pertence às usinas da COPEL. Mas, é preciso ficar claro que, quando o governador “seqüestra” suas usinas para seu estado está também levando parte do sistema interligado que fica no Pool. Aliás, as usinas do Sul se beneficiam bastante da coordenação de outros ativos do sistema. Ah, mas isso é apenas a operação, não tem nada a ver com o resto – dirão alguns. Não é assim tão inócua a discrepância entre a visão comercial e a operacional, pois há ajustes no curto prazo e o sistema foi expandido para que as usinas da COPEL se integrassem de forma ótima ao parque. É no mínimo estranha a falta de isonomia resultante dessa situação.



Problemas gerados pela desobediência ao caráter do monopólio natural do sistema brasileiro.






Governo do Paraná consegue liberar Copel de participação no “pool” de energia



O governo do Paraná conseguiu na Justiça o direito de retirar a Copel das regras do novo modelo do setor elétrico. Ontem, o governador do Estado, Roberto Requião, anunciou que obteve liminar da 4ª Região do Tribunal Regional Federal (TRF), de Porto Alegre, liberando a estatal elétrica do Paraná de participar do “pool” de energia até dezembro 2015. As novas regras do setor determinam que todas as geradoras de energia do país vendam sua produção para o “pool”, agora batizado de CCEE. Esse “pool”, por sua vez, ficará encarregado de fazer um “mix” de todas as fontes de geração existentes (mais caras e mais baratas) e revender a energia por uma única tarifa a todas as 64 distribuidoras do país. Desde o início do governo Lula, quando a ministra Dilma anunciou a intenção de regulamentar o “pool”, Requião vinha negociando a retirada da Copel das novas regras. (Valor – 01.12.2004)



Dilma: Aneel entrará com recurso para derrubar a liminar do governo do Paraná



A ministra Dilma Rousseff disse que a Aneel entrará em breve com recurso para derrubar a liminar. Segundo Dilma, a saída da Copel do “pool” não trará maiores conseqüências ao modelo. Ela disse que, na realidade, o Paraná conseguiu na Justiça o direito de prorrogar os contratos iniciais feitos no passado pela Copel Geração com a Copel Distribuição até 2015. Mas, independente disto, a companhia terá que comprar ou vender sobras ou excessos destes contratos na CCEE. (Valor – 01.12.2004)



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