O mercado de veículos elétricos (VE) é uma realidade em dezenas de países. No Brasil, existem várias empresas que utilizam, comercializam, fabricam e desenvolvem veículos elétricos leves e pesados e, outras, que estão iniciando suas operações ou planejando participar, de uma maneira ou de outra, desse mercado. Estudos, projetos, pesquisas e desenvolvimentos vêm ocorrendo no âmbito das universidades e das empresas públicas e privadas. Existem, também, diversas iniciativas individuais.
A venda desses veículos tem crescido bastante nos últimos anos em decorrência dos desenvolvimentos tecnológicos e dos processos de fabricação, responsáveis pela introdução de novas tecnologias e redução de preços de seus componentes principais. Os estímulos governamentais, que visam o aumento da eficiência no uso da energia e a redução das emissões veiculares, têm influenciado nas vendas. Especialistas do setor têm chamado a atenção para esse movimento, crescente e mundial.
É justamente para acelerar o crescimento do mercado dos diversos tipos de veículos elétricos no Brasil que está sendo criada a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Para quem ainda não conhece bem, o veículo elétrico é aquele que utiliza pelo menos um motor elétrico para sua tração. De maneira geral, eles combinam os benefícios da alta eficiência energética, baixo nível de emissões de ruído e custos operacionais muito competitivos.
Os veículos elétricos já têm se mostrado viáveis para certos nichos de mercado, como o transporte de passageiros em centros urbanos, frotas municipais, serviços de distribuição postal, coleta urbana de lixo e de logística de distribuição urbana. Para o futuro, após a superação das barreiras tecnológicas e econômicas, os especialistas prevêem os veículos de célula a combustível. Mas essa é uma história para mais adiante.
Na atualidade, os veículos elétricos à bateria já são uma solução tecnológica viável e vêm provando, nos últimos anos, as suas vantagens sobre os convencionais. A principal delas é o nível de emissão zero de gases com efeito de estufa nos locais onde circulam. Eles são também a solução para uma utilização mais racional de energia.
Não há dúvida que energia e aquecimento global são preocupações centrais da atualidade. O uso de petróleo e de outros combustíveis fósseis é um dos problemas que mais pressionam no mundo hoje. As consequências das emissões veiculares no meio ambiente local, regional e global, e os danos comprovados para a saúde das pessoas e do planeta vêm demandando ações urgentes. No Brasil, o setor de transporte é crucial em termos de perda de energia e de emissões de poluentes. Segundo dados do Balanço Energético Nacional de 2003, aproximadamente 56% da energia utilizada no país têm origem fóssil (petróleo, carvão e gás natural). O setor de transporte consome 51% dos derivados de petróleo. Motocicletas, carros, vans, ônibus e caminhões produzem grande parte da poluição do ar. Assim, as novas tecnologias são bem-vindas porque podem aumentar muito a eficiência do uso da energia nesses veículos e reduzir a poluição.
Para superar as diversas barreiras que limitam a opção por veículos elétricos é necessário haver cooperação efetiva das diversas empresas, entidades e indivíduos interessados nos benefícios que os veículos elétricos podem proporcionar. A França, os Estados Unidos (Califórnia) e o Japão estão na vanguarda, demonstrando que, principalmente, é preciso a mudança de mentalidade.
Nesse sentido, os defensores do VE também estão animados. O número de interessados na criação da ABVE já ultrapassa 160, dos quais 22% são pessoas jurídicas, como empresas de energia elétrica (CPFL Energia, Eletropaulo e Ampla), fabricantes de ônibus elétricos híbridos (Tuttotrasporti e Eletra), de motonetas elétricas (Evader), de bicicletas e triciclos elétricos (Electric Bike), além de diversas instituições de ensino e pesquisa (UERJ, IME, FATEC, COPPE/RJ, Veiga de Almeida, etc).
A ABVE não terá fins lucrativos e buscará promover a ampla adoção de veículos elétricos pela sociedade e pelo mercado para que o país tenha um transporte, de pessoas e cargas, limpo e eficiente. As primeiras ações da ABVE serão o debate de projetos de diversos tipos de veículos elétricos, a preparação de uma proposta de política brasileira, o desenvolvimento de normas em cooperação com os organismos brasileiros (padrões para esse novo mercado), a implantação de website que seja referência no tema, no Brasil, e a realização de atividades de promoção dos VEs.
A Associação permitirá a cooperação efetiva das diversas empresas, entidades e indivíduos interessados nos benefícios que veículos elétricos podem proporcionar. Por isso acreditamos que, em breve, os veículos farão parte do cotidiano dos brasileiros. É só uma questão de tempo. (Brasil Energia)
*Diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) e membro do Comitê de Organização da Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE) |