CELESC e CPFL definem estratégias







CPFL define estratégia para disputar o leilão da CTEEP



Com uma situação financeira confortável, cuja aplicação do caixa ajudou a engordar o lucro líquido de janeiro a setembro em cerca de R$ 100 milhões, a CPFL Energia tem definida sua estratégia para os próximos meses. A empresa vai concentrar esforços na privatização da empresa paulista de transmissão, a CTEEP, marcada para fevereiro; não vai disputar a venda da Light e não vai participar do leilão de novas concessões de hidrelétricas previsto para dezembro.


A CPFL define esta semana o banco que será seu assessor financeiro na operação de disputa da CTEEP, considerada um filé mignon do setor, informou Wilson Ferreira Jr., presidente da companhia. “A decisão está entre dois bancos com grande experiência nesse tipo de operação”, afirmou ao Valor depois de detalhar o resultado financeiro até setembro.


A privatização da CTEEP, que não tem nada de dívida e exibe um apetitoso resultado operacional, será um grande negócio, admite Ferreira Jr. O executivo disse que a CPFL, caso seja vencedora na disputa, terá condições de alavancar recursos, pois seu endividamento está bem confortável. A relação dívida líquida sobre resultado operacional caiu para 1,8% no fim de setembro. Em 2002, era quase o triplo disso – 4,9%. A empresa poderá usar uma forma mista: aumento de capital (tem folga para atingir mínimo de 25% do Novo Mercado) e captação no mercado interno (debêntures).


Na estratégia da CPFL, da Light só seria interessante a parte de geração, afirmou o executivo. São cerca de 600 MW sem contar a parte de termoelétrica. “Em distribuição, vamos focar em ativos que tenham sinergia com nossas operações, baseadas no interior de São Paulo e Rio Grande do Sul.”


Ferreira Jr. informou que não vê atratividade para a CPFL no leilão das 13 hidrelétricas a ser feito pelo governo. “O preço teto de R$ 116 por MW para a energia dessas usinas, aliado ao seu custo e prazo de 30 anos, não traz o retorno exigido pela companhia, que é de 15%”, afirmou. Segundo ele, podem atingir no máximo 11%. Assim, o preço de venda dessa energia teria de ser entre R$ 130 e R$ 140. “Estamos tentando mostrar isso ao governo.” A geração na CPFL, com usinas de Barra Grande e Campos Novos, vai ampliar a capacidade em 75%.


(I.Ribeiro ValorS.P.)









Assembléia autoriza Celesc a vender área de geração



A Celesc (Centrais Elétricas de Santa Catarina) vai colocar à venda a divisão de geração. O aval que faltava para a efetivação do leilão foi dado ontem pela Assembléia Legislativa, que aprovou a reestruturação societária da empresa e permissão para venda desses ativos e demais participações da companhia que não estejam relacionadas à distribuição de energia.


A área de geração é pequena na estatal, voltada principalmente à distribuição. Os ativos correspondem a apenas 2,9% do que a Celesc distribui e valem, segundo dados de mercado, R$ 200 milhões.


A previsão da Celesc é colocar à venda até maio do ano que vem 12 Pequenas Centrais Hidrelétricas próprias e participações em usinas: 2,03% em Campos Novos (SC), 12,15% em Machadinho (SC), 23,03% em Dona Francisca (RS) e 40% na Usina Cubatão (SC). Esta última ainda não saiu do papel por questões ambientais. Também poderá alienar a participação de 19,9% que possui na Casan, estatal de água e saneamento.


A aprovação das mudanças, por 23 votos contra 12, acontece depois de dois dias de discussão tumultuada na Assembléia Legislativa. A proposta estava na pauta de terça-feira, mas houve protestos porque nem todos os funcionários estavam a favor do projeto, tendo que ser adiada por mais um dia.


Desde setembro, a empresa vinha defendendo a venda dos ativos de geração. Na ocasião, o então presidente da Celesc, Carlos Rodolfo Schneider, informou que, depois de realizados os estudos, constatou-se que o processo de desverticalização da companhia – com a criação de uma holding e duas subsidiárias, Celesc Geração e Celesc Distribuição -, conforme previsto em lei, e exigido pela Aneel, poderia dar prejuízos à empresa e seria mais vantajoso vender a geração. Segundo os estudos, a holding acabaria herdando um passivo judicial (em torno de R$ 90 milhões) da subsidiária que não seria facilmente coberto. Esse passivo é referente a ações cíveis e trabalhistas.

(V.Jurgenfeld ValorFlorianópolis)

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