| Energia Estatal gastou mais de US$ 1 bilhão para não perder usinas Petrobras compra térmicas da El Paso e encerra disputa | ||||||
Esse valor não inclui pagamentos feitos anteriormente por força de cláusulas de contingência existentes nos contratos, pelas quais a Petrobras se comprometia a restituir valores referentes ao desequilíbrio econômico destas plantas. Essas contingências custaram US$ 1,005 bilhão, elevando para US$ 1,663 bilhão o gasto total. O diretor de Gás e Energia da Petrobras, Ildo Sauer, explicou que, sem as aquisições, o prejuízo da Petrobras até 2007 seria de US$ 2,1 bilhões, sem ter nenhuma usina no fim dos contratos. Mesmo assim, ele calcula que a perda efetiva da estatal tenha ficado em US$ 558 milhões. Isso porque houve a dedução de impostos quando foram lançadas despesas com os contratos e a aquisição elevou o valor dos ativos, já que as plantas têm valor calculado em US$ 800 milhões. Com o fim da disputa, a Petrobras poderá sacar R$ 518 milhões depositados em uma conta judicial em nome da empresa americana, em valores corrigidos. A El Paso informou que vai destinar US$ 225 milhões à quitação de financiamentos obtidos junto ao Desde a posse de Sauer na diretoria de Gás e Energia, a Petrobras adquiriu a participação de alguns sócios nas usinas. A Com a compra da Macaé Merchant, o portfólio de termoelétricas a gás da Petrobras sobe para 14, incluindo as que estão em construção como a Termo Açú, no Rio Grande do Norte, e a Bacia Santista Energia (Termo Cubatão), que ainda não foi construída mas já teve sua produção vendida no leilão de energia nova, em dezembro. Pelos cálculos de Sauer, ao final do processo de aquisição da térmica de Macaé, previsto para março, a Petrobras terá desembolsado US$ 1,027 bilhão com a usina, antes das deduções. Até dezembro de 2004, a estatal pagou US$ 670 milhões à El Paso a título de contribuições de contingência. A esse valor somam-se os US$ 357,5 milhões que serão pagos para encerrar a disputa judicial, que tinha sido levada a uma tribunal arbitral americano.
Essas térmicas foram construídas antes do racionamento de energia com o compromisso de a Petrobras se responsabilizar pela remuneração total dos ativos fixos e custos variáveis, caso a receita com a venda de energia fosse insuficiente. Com o racionamento e a posterior derrubada dos preços da energia, elas nunca deram lucro. Os controladores então acionaram mecanismos contratuais que obrigavam a estatal a corrigir o desequilíbrio econômico e financeiro. A primeira aquisição foi da Eletrobolt, comprada dos credores da Pela El Paso, as negociações foram conduzidas por Lisa Stewart, que ocupa o cargo de presidente Internacional de Produção e Operação Não Reguladas da El Paso. A El Paso não conseguiu tudo o que pretendia no início das negociações. Ela sugeriu uma troca da térmica por ativos de exploração e produção da estatal, mas não se chegou a um acordo. As negociações desandaram com a decisão da Petrobras de denunciar o contrato e recorrer a um tribunal arbitral internacional. Stewart reclamou da Petrobras junto à embaixada brasileira em Washington e junto aos ministérios da Fazenda, Casa Civil e Minas e Energia. Sem sucesso. |

