Classe residencial manteve padrão de consumo após racionamento, diz EPE
Demanda média individual passou de 140 kWh em 2004 para 142 kWh em 2005, ainda abaixo dos 180 kWh registrados em 2001
F.Couto,CanalEnergia
O presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, disse nesta sexta-feira, 3 de fevereiro, que a classe residencial ainda não retornou aos níveis de consumo registrados antes do racionamento de energia, apesar de ter sido um dos segmentos responsáveis pela alta na demanda nacional de 4,6% verificada no ano passado, em relação a 2004. Segundo Tolmasquim, o consumo médio de cada residência teve ligeiro aumento, ao passar de 140 kWh por mês em 2004 para 142 kWh em 2005, número ainda abaixo dos 180 kWh por mês consumidos há cinco anos. “O racionamento mudou o padrão de consumo residencial, que ficou mantido ao longo de todos esses anos, desde o racionamento”, explicou. A classe residencial,que representa 25% do mercado do país,registrou aumento de 5,4% no ano passado, em comparação com 2004, ao totalizar 82.693 GWh. Segundo Tolmasquim, o principal fatorfoi a realização de 1,7 milhão de novas ligações residenciais, que envolvem novas construções e unidades atendidas por programas de universalização, como o Luz para Todos. O maior aumento no consumoverificado pela classe residencial, de acordo com os dados da EPE, ocorreu na região Nordeste, com crescimento de 7,5% no ano passado em relação ao período anterior. Em seguida, o Centro-Oeste teve aumento de 5,8% em relação a 2004. Em terceiro lugar ficou a região Sudeste, com 5,1% de expansão. O Norte verificou avanço de 4,9% na demanda residencial, enquanto oSul contabilizou percentual de 4,4% na carga consumida a mais em 2005, comparando-se com o ano anterior. Em dezembro o setor residencialteve crescimento na demanda nacional de 6,6% em 2005, em relação ao ano anterior. O maior percentual de crescimento no mês passado foi registrado pela região Sudeste, com 8,4% em 2005 em relação a 2004, enquanto o menor avançoocorreu na região Norte, ao ter demanda 1,9% maior ano passado em relação ao período anterior. Indústria – A menor atividade industrial, em especial no agronegócio e nos setores têxtil e calçadista no Sul, foi a responsável pelo menor crescimento na demanda energética industrial no país em 2005. O setor demandou 2,4% mais energia em 2005 em comparação com 2004.No entanto, afirmou Tolmasquim, o menor aumento no consumo industrial foi compensado pelos setores residencial e comercial, o que resultou numa taxa de 4,6% em 2005 comparado com o ano anterior. Em 2004, recordou, o aumento no consumo nacional de energia foi de 4,7% em relação a 2003, enquantoa demandado setor industrialcresceu 7,3%, analisando o mesmo período. A classe industrial representa 45% da demanda elétrica do país. O maior crescimento entre as regiões foi obtido noSudeste, com expansão de 3,2% em 2005 em relação a 2004. A região Norte teve aumento de 2,4%, seguida pelo Nordeste, com 2% de crescimento no ano passado, frente ao período anterior. O Sul teve crescimento no consumo industrial de apenas 1,1%. O Centro-Oeste teve retração de 2,1% na demanda no ano passado em relação ao período anterior. Tolmasquim acredita que uma das razões para o indicador é a ocorrência de febre aftosa, que impactou na atividade de empresas ligadas a abate e frigoríficos. A EPE verificou que no último mês de 2005 a indústria consumiu apenas 0,8% mais energia em comparação com dezembro de 2004. A região Sul foi a que demandou, no mês passado, mais eletricidade no segmento industrial; com crescimento de 3% em dezembro do ano passado, em relação ao período anterior. O Sudeste teve o menor percentual de crescimento, de apenas 0,3%, enquanto o Centro-Oeste verificou queda de 4,5% no consumo de energia em dezembro de2005, em comparação com dezembro de 2004. Classe comercial- O aumento da atividade portuária eo maior nível de negócios no setor de turismo ajudarama classe comercial a apresentar a maior taxa de expansão na demanda no país em 2005. De acordo com Tolmasquim, a categoria que representa 16% do mercado nacional foi responsável pela taxa de aumento de 7,2% na demanda nacional em 2005. O Nordeste foi a região com a maior taxa no segmento: 9,1% no ano passado em comparação com 2004. No mesmo sentido, Sudeste e Centro-Oeste empataram no percentual de expansão do consumo do setor comercial, ao registrarem 6,9% de índice. Logo em seguida, a Região Norte verificou 6,8% de aumento na demanda em 2005 sobre 2004, enquanto a taxa de expansão da demanda no Sul foi de 6,5%. No mês passado, o aumento no consumo do setor comercial foi de 5,8%, em comparação com o resultado obtido em dezembro de 2004. O maior avanço ocorreu na Região Norte, quando apurou crescimento de 9,2% na demanda em relação ao verificado em dezembro de 2004. A menor taxa de aumento, de 2,5% no mês passado, comparando-se com o mesmo mês no ano anterior, aconteceu na Região Centro-Oeste. Plano Decenal – Tolmasquim preferiu não fazer estimativas de consumo para 2006. A razão, segundo ele, é que a EPE está finalizando o Plano Decenal 2006/2015, cuja divulgação acontecerá brevemente. Ele reiterou que o país estará atendido energeticamente caso o país tenha crescimento do PIB de 5% em média nos próximos cinco anos, conforme previsões do governo. “Basta observar o resultado do leilão de energia nova”, destacou. Ainda de acordo com Tolmasquim, a EPE está avaliando junto com o Ministério de Minas e Energia qual será o modelo do segundo leilão de energia nova, previsto para acontecer em maio. Uma das questões, disse, envolve a licitação das usinas do complexo do Rio Madeira, que pode acontecer em conjunto com outras quatro remanescentes do primeiro leilão, realizado em dezembro, ou separadamente.