| Segurança energética UE propõe incentivo a biocombustíveis Bloco busca alternativas à sua dependência de petróleo e gás natural importados |
A União Européia apresentou ontem planos para aumentar a produção de combustíveis alternativos, como biodiesel e etanol, numa tentativa de diminuir a dependência em relação a petróleo e gás natural importados. A UE propõe investimentos e ajuda técnica para a estimular essas alternativas. Entre os planos de incentivo estão isenções fiscais para a construção de usinas de etanol, aumento da porcentagem de etanol na gasolina e ajuda extra para que agricultores continuem a plantar beterraba, colza (variedade de couve cujas sementes fornecem óleo) e canola para biocombustível. Outra forma seria fornecer auxílio para que agricultores de países pobres se dediquem a essas cultura (e à cana), disse o comissário de Desenvolvimento da UE, Louis Michel. Para ele, a opção pelas culturas que visam o biocombustível pode ajudar minimizar o impacto das reformas agrícolas aprovadas recentemente pela UE e que levaram a cortes de ajuda a plantadores de cana da África e do Caribe. A comissária de Agricultura da UE, Mariann Fischer Boel, responsável pelos planos europeus para introduzir os biocombustíveis, reconhece que o bloco ainda não fez grandes avanços nessa área. Hoje apenas 0,6% do mercado é suprido por biocombustíveis, muito aquém do objetivo da UE que é de ter 5,75% até 2010. Fischer Boel disse que essas metas estipuladas em 2003 não eram obrigatórias para os membros do bloco. Só se tornariam obrigatórias caso os governos e a Comissão Européia assim decidisse. A comissária não disse se apóia uma medida assim coercitiva, mas disse que algum tipo de decisão sobre a questão deve ser tomada neste ano. “Haverá discussões internas sobre se as metas devem se tornar obrigatórias. Vamos ver.” A comissária entretanto reconhece que a questão dos custos deve pesar num momento em que a UE mostra taxas de crescimentos pequenas, não chegando a 2% anuais. “A desvantagem dos biocombustíveis é obviamente o custo”, diz. Ela afirma que, apesar de o biodiesel conseguir competir com o petróleo por causa dos preços elevados do mercado internacional, os combustíveis que têm o etanol como base não conseguem. O etanol é um álcool obtido por fermentação de substâncias açucaradas ou amiláceas, ou mediante processos sintéticos. Segundo os europeus, é preciso desenvolver métodos de produção menos dispendiosos para baratear o etanol e viabilizá-lo como biocombustível. A Comissão Européia estima que um aumento de combustíveis de biomassa vá reduzir a emissão de gases estufa em 209 milhões de toneladas de dióxido de carbono por ano e que vá criar 300 mil empregos. E isso tudo além de cortar a dependência de importação de fontes de energia entre 48% e 42%. A busca por alternativas energéticas foi elevada ao topo da agenda européia por causa do risco de desabastecimento de gás causado pela crise entre Rússia e Ucrânia e devido à alta do petróleo. O biocombustível é uma forma de pressionar os países produtores de petróleo a reduzir seus preços. Esses temores são vividos também do outro lado do Atlântico. O presidente dos EUA, George Bush, reconheceu, no discurso do Estado da União, na semana passada, que o país está “viciado em petróleo” e propôs combustíveis alternativos |