Petrobras rebate críticas e diz que supergasoduto da Venezuela é viável
O diretor da área de gás da Petrobras, Ildo Sauer, defendeu hoje o supergasoduto que está sendo planejado pelo governo e que ligaria Venezuela, Brasil e Argentina. Segundo ele, a Venezuela consegue sustentar o mercado sul americano no longo prazo.
Fontes do setor afirmam que o gasoduto não é viável economicamente. O próprio secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis, João Souto, afirmou ontem em seminário no Rio que o projeto só sairia do papel se fosse realmente viável economicamente.
Segundo Sauer, quem fala que o gasoduto é inviável “não fez conta ou não conhece a indústria de gás”. Ele destacou que saem da Sibéria gasodutos de mais de oito mil quilômetros de distância para atingir a Europa levando um volume de gás semelhante com condições mais difíceis do que aqui.
“Os grupos de trabalho junto ao Ministério de Minas e Energia, da Petrobras e da PDVSA indicam que é viável, mas não é um projeto para agora”, disse. De acordo com as previsões do diretor, o gás venezuelano só chegaria a Buenos Aires em 2014.
O diretor afirma que a proposta para a América do Sul é similar ao que já foi feito na Europa, que tem cinco fontes principais de produção de gás e ainda é complementada por GNL (gás natural).
Sauer descartou o risco político de colocar o fornecimento de gás nas mãos da Venezuela e afirmou que em outros momentos da história quem apostou contra a integração energética errou. “A integração e a cooperação conduzem a mercados com boa escala. Ninguém fica na mão de ninguém, cria-se uma interdependência onde um país depende de receitas e o outro depende da energia”, disse.
Segundo o diretor, para a PDVSA o gasoduto é um excelente negócio. O país dispõe de 250 TCF (trilhões de pés cúbicos) de reservas prováveis e 150 TCF de reservas provadas e um gasoduto que consegue consumir 40 TCF. “Eles vão conseguir fazer um gasoduto que é um compromisso permanente de entrega e recebimento, que é fixo e vão ter ao mesmo tempo capacidade de desenvolver mercado flexível de GNL”, disse.
J.LAGE,Folha Online