Rio-Minas compra 80%da Light
Valor a ser pago pelo grupo é de US$ 319,809 milhões, segundo Cemig
G.Oliveira,CanalEnergia
O Consórcio Rio-Minas comprou79,57% do capital social total da Light (RJ), segundo informou a Cemig (MG), uma das sócias no consórcio, em comunicado divulgado nesta terça-feira, 28 de março. A EDF ficará com 10% do capital total. Além da concessionária mineira, fazem parte do consórcio Andrade Gutierrez Concessões, JLA Participações e Pactual Energia Participações. De acordo com o contrato, assinado nesta terça-feira,com a francesa EDF, o grupo pagará US$ 319,809 milhões pela participação da EDFI na holding carioca. O valor total dos ativos a serem adquiridos atinge cerca de US$ 1,758 bilhão.
Ainda segundo a Cemig, estão sob controle integral da holding Light, entre outras empresas, a distribuidora Light Serviços de Eletricidade e a geradora Light Energia. O negócio está sujeito ainda à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica, da Comissão Francesa de Participações e Transferências e credores da Light. Segundo a EDF, a transação é mais um passo na implementação do seu plano de desenvolvimento, com foco no mercado europeu e também em outros países.
Vendaprecisa de anuência da Aneel
A.Canazio,CanalEnergia
A compra do controle acionário da Light (RJ) pelo consórcio Rio-Minas, composto por Cemig (MG), Andrade Gutierrez, Banco Pactual e Aldo Flores, terá que ter a anuência da Agência Nacional de Energia Elétrica. Segundo a assessoria da Aneel, a Light terá que entrar com pedido de anuência prévia da agência assim que a operação for oficializada.
As empresas não poderão acumular mais de 20% do mercado nacional ou 25%, do regional, na área de distribuição. A Cemig tem 8,38% do mercado nacional e 10,84% do regional; a Light tem 7,12% do nacional e9,20% doregional.Os dados são referentes ao terceiro trimestre de 2005.
A agência irá requisitar uma série de informações sobre a transferência do controle da EDF para o consórcio. As informações serão analisadas pela área econômico-financeira e as conclusões enviadas para a diretoria. O processo será analisado pela diretoria da Aneel em reunião ordinária. A Aneel informou que não há prazo para a análise dos procedimentos.
Os novos controladores estão assumindo também uma dívida de US$ 1,5 bilhão
A Light afundou numa crise provocada pela desvalorização cambial de 1999 e pelo racionamento de energia, agravada por problemas na gestão. A Light detém 7,12% do mercado nacional e 9,20% do regional.
A estatal francesa comprou a Light em 1996, no leilão que estreou o processo de privatizações no setor de energia elétrica do governo Fernando Henrique Cardoso. A decisão pela venda foi tomada em meados do ano passado, mas o processo vinha sendo conduzido com extrema cautela para evitar algum tipo de mal-estar na relação entre os governos brasileiro e francês.
A EDF continuará sócia da Light mesmo após a negociação, segundo o secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer. Ele disse que recebeu essa informação diretamente da EDF.
Segundo Victer, os novos acionistas da Light farão um aporte de capital na distribuidora de energia elétrica. Ele não soube informar qual será a composição final do capital nem o montante de recursos que os novos sócios investirão.
O que está garantido, segundo ele, é que o governo do Estado do Rio terá um assento no Conselho de Administração, a sede da empresa continuará no Rio, não haverá demissões e a empresa vai rever a sua política de terceirização de serviços. (Estadão)