HE no Tocantins começam ainda em 2006








Tractebel tira hidrelétricas do papel




A Tractebel, maior empresa privada de geração de eletricidade no país, pretende dar início neste ano às obras de duas das principais hidrelétricas programadas pelo governo para impedir um provável apagão em 2009: Estreito, com 1087 MW, e São Salvador, com 280 MW, ambas no rio Tocantins. As usinas exigirão da Tractebel R$ 1,8 bilhão nos próximos cinco anos.


Para sair do papel, as hidrelétricas só estão à espera do próximo leilão de energia, previsto para o dia 12 de junho, segundo explicou o presidente do conselho de administração da empresa, Maurício Bähr.


São Salvador é a única hidrelétrica de médio porte prevista para entrar em operação em 2009 e o governo tem um leilão programado exatamente para a oferta de energia a partir daquele ano.


Já Estreito, segundo o executivo, está passando por um processo de renegociação de contratos junto aos fornecedores de equipamentos e os empreiteiros que irão construí-la. O objetivo é fazer com que o preço da energia de Estreito fique mais competitiva no leilão.


São Salvador é a mais adiantada e já tem licenciamento ambiental completo. Estreito tem licença prévia, mas tudo indica que ainda no mês de abril saia a licença de instalação do projeto.


O licenciamento ambiental foi um grande problema para que as hidrelétricas de São Salvador e Estreito saíssem do papel. A concessão de Estreito foi arrematada pela Tractebel em 2002 e até hoje as obras não foram iniciadas por falta dos documentos ambientais. No caso de São Salvador, cujo leilão de concessão foi em 2001, a licença ambiental saiu no fim do ano passado.


Há pouco mais de um mês a Tractebel aumentou sua participação na usina de Estreito comprando parte das ações que a mineradora australiana BHP Billiton detinha no consórcio para a construção da usina. A Tractebel aumentou sua participação de 30% para 40,7% no projeto. A Alcoa passou de 19,08% para 25,49%. A Billiton possuía 16,48% de Estreito.


As outras sócias, a Vale do Rio Doce e a Camargo Corrêa, não exerceram o direito de preferência e continuaram a deter os mesmos percentuais anteriores, de 30% e 4,44%, respectivamente.


Com a saída de BHP Billiton, o desembolso da Tractebel vai aumentar em US$ 100 milhões, para cerca de US$ 400 milhões.


Devido às características hidrológicas do rio Tocantins, as obras da usina de São Salvador precisam ser iniciadas até junho para que se possa oferecer energia no leilão. Mantido esse cronograma, a hidrelétrica estaria pronta para operar em 2009. Já Estreito, caso as obras comecem ainda em 2006, é provável que a usina entre em operação comercial a partir de 2011.


Além dos entraves ambientais, ainda faltam alguns ajustes, segundo Bähr: O principal deles seria com relação ao Uso do Bem Público (UBP), taxa estabelecida no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nas privatizações do setor elétrico. O problema é que o novo modelo não utiliza mais a UBP, mas essa taxa virou um ônus para quem comprou usinas pelo modelo antigo. “Estou confiante que haverá uma solução em breve com relação à UBP”, disse Bähr.


Para o executivo, a compra da fatia da Billiton em Estreito e o início das obras de duas importantes hidrelétricas nesse ano refletem a disposição da Tractebel em investir no país. “Esta previsão de investimentos é resultado de uma estratégia que adotamos e que deu certo. Em novembro de 2005 ingressamos no novo mercado de ações da Bovespa dando seqüência à série de medidas adotadas ao longo do ano para aproximar a empresa ainda mais no mercado de capitais”, afirmou. Com a operação, a Suez, controladora da Tractebel, captou R$ 400 milhões.

L.Coimbra, Valor,São Paulo

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