Eletrobrás: parcerias e internacionalização

Eletrobrás negocia parcerias com agentes privados para leilões
Empresa quer retorno na casa dos 12% para investir. Conversas também acontecem com o BNDES


G.Oliveira,CanalEnergia


A Eletrobrás está conversando com diversos investidores privados com intuito de formar parcerias para os próximos leilões – tanto de geração quanto de transmissão. A intenção atende a estratégia da empresa de se posicionar sempre como investidor minoritário nos empreendimentos do setor, com participação de até 49%. Segundo o presidente da holding, Aloísio Vasconcelos, as conversas passam por empresas como Energias do Brasil, Neoenergia e Odebrecht. O executivo, no entanto, negou que haja qualquer negociação formal, envolvendo possíveis parcerias.


Vasconcelos disse ainda que o interesse da Eletrobrás é contribuir para o desenvolvimento do setor, mas afirmou que essa participação só se dará em projetos considerados rentáveis pela companhia. “Dependendo do projeto, uma taxa de retorno de 12% pode ser considerada boa; 10% não é bom, mas também pode ser negociável. O que não vamos fazer é aventura”, disse o executivo durante almoço-palestra nesta quarta-feira, 29 de março, promovido pela Câmara de Comércio França-Brasil, no Rio de Janeiro.


A holding também mantém conversas com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social com o intuito de buscar melhores condições de financiamento para novos projetos no Brasil e no exterior. Vasconcelos, mais uma vez, ressaltou que o objetivo das conversas é obter taxa de retorno mais atraente para empresa. De acordo com o executivo, todas as medidas visam a atender as estimativas de crescimento da economia em torno de 4% ao ano. Com esse percentual, Vasconcelos disse que a oferta de energia teria que crescer 6% ao ano. Em termos de volume, esse acréscimo seria de 8 mil a 9 mil MW por ano.


Internacional – O presidente da Eletrobrás comentou ainda sobre o projeto de internacionalização. Ele disse que a holding está com diversos estudos de construção, implementação e operação de empreendimentos em diversos países. Entre eles, o executivo citou uma hidrelétrica na divisa de Angola e Namíbia, e outras duas no Chile e El Salvador. Existe um estudo ainda sobre a viabilidade de implantar uma térmica na divisa de Brasil e Bolívia, com preço da energia a US$ 1,60 por milhão de BTU.


Outro projeto também no âmbito da internacionalização é de um sistema de transmissão entre Boa Vista, em Roraima, e Venezuela. “Mas nisso tudo só poderemos nos aprofundar após aprovação do assunto no Congresso”, comentou. Atualmente, a proposta de internacionalização da Eletrobrás está na Casa Civil, de onde seguirá para votação no Congresso Nacional. A expectativa é que os parlamentares tenham predisposição para aprovar o projeto. Vasconcelos já se reuniu com os principais líderes do parlamento.

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