PODEMOS SER AUTO-SUFICIENTES EM GÁS NATURAL? Apesar de todo o alvoroço provocado pela iniciativa do governo da Bolívia de nacionalizar suas reservas de gás natural e das tentativas dos lobistas e críticos de plantão de aproveitar o momento para colocar mais “gás na fogueira” das relações entre o Brasil e os nossos parceiros latino-americanos, ao que tudo indica, voltamos a ter a tranqüilidade necessária para “torcermos” pela nossa seleção na Copa do Mundo. No entanto, muita coisa foi dita por analistas, técnicos, autoridades e políticos e o momento de calmaria agora é bom para que possamos refletir sobre a seguinte questão: O Brasil pode alcançar a auto-suficiência em gás natural ? Segundo os dados disponíveis hoje temos uma produção aproximada de 48 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural, que descontados os volumes utilizados na reinjeção, no consumo próprio e aquele não aproveitado, permite disponibilizar para o mercado, perto de 26 milhões de metros cúbicos por dia. Esta produção interna é hoje acrescida de aproximadamente 24 milhões de metros cúbicos por dia de gás importado da Bolívia, totalizando em números redondos 50 milhões de metros cúbicos diários que são ofertados aos diversos segmentos de consumidores. A demanda nacional continua crescente e chega a ser de 15% a.a., motivo pelo qual o Governo sinaliza com a previsão de um consumo de 100 milhões de metros cúbicos por dia em 2010. Se considerarmos que não temos previsão para acréscimos significativos de geração hidrelétrica após 2008 e que a Petrobrás pretende investir cerca de US$ 16 bilhões para: a) aumentar de imediato a produção da Bacia de Santos em mais 2 milhões e colocar após 2008 mais 15 milhões de metros cúbicos por dia disponíveis de outros campos da mesma Bacia; b) aumentar a oferta da Bacia de Campos em mais 6 milhões de metros cúbicos por dia; c) colocar em produção mais 16 milhões de metros cúbicos por dia na Bacia do Espírito Santo, chegaremos no ano de 2010 a uma oferta de gás nacional de aproximados 65 milhões de metros cúbicos por dia, volume que, para os mais otimistas, pode chegar a 80 milhões de metros cúbicos diários. Feitas as contas, serão necessários em torno de 35 a, no mínimo, 20 milhões de metros cúbicos por dia de gás natural importado. Não havendo restrições ao consumo, os números mostram que a auto-suficiência não é factível, pelo menos, nos próximos 6 anos. No quadro abaixo pode-se visualizar esses dados: (em MM m³/dia) NACIONAL: 26 † demanda crescente 15% aa †† de 65 a 80 IMPORTADO: 24 † nacionalização na Bolívia em 1/5/06 †† de 35 a 20 TOTAL: 50† PREVISÃO PARA 2010 †† 100 É claro que existem outros aspectos que devem ser considerados nessa questão. O mais importante deles, na atual conjuntura, é que pode não ser interessante para o Brasil a auto-suficiência em gás natural, pois, com tantas reservas na Venezuela, Bolívia e Perú, a sua importação em volumes que complementem a produção nacional, pode ser o elo para a sonhada integração latino-americana. ILUMINA