Integração energética entre Brasil e Uruguai


Países vão construir linha de transmissão eexplorar petróleo




Brasil e Uruguai anunciaram a construção, a partir de 2007, de uma linha de transmissão de energia elétrica com capacidade de transportar mil megawatts (MW) entre os dois países, em projeto orçado em US$ 150 milhões. O investimento será feito pelo governo uruguaio, que buscará parcerias com o setor privado para estender a linha entre San Carlos, no Uruguai, e Candiota, no Rio Grande do Sul, em trajeto de 400 quilômetros.

Construída em 500 quilovolts de tensão, a linha permitirá que o Brasil exporte ou importe energia do Uruguai. Técnicos dos dois países vão concluir os estudos sobre o projeto, de acordo com determinação de memorando de entendimento assinado, ontem, no Rio, pelos ministros de Minas e Energia do Brasil, Silas Rondeau, e de Indústria, Energia e Mineração do Uruguai, Jorge Lepra. O documento tem o objetivo de desenvolver a integração energética entre os dois países.

Estamos materializando compromissos assumidos no Mercosul“, disse Rondeau.

Ele informou que na quarta-feira um grupo de trabalho se reunirá em Montevidéu para dar andamento ao projeto do linhão. Em 60 dias, o grupo apresentará uma conclusão e será definido um cronograma para os trabalhos.

Lepra acrescentou que o governo uruguaio pensa lançar licitação internacional para realizar o projeto, mas adiantou que a estatal de energia elétrica uruguaia, a UTE, deverá construir sozinha as conversoras, necessárias para converter a freqüência da energia elétrica na passagem pela fronteira. No Brasil, a freqüência é de 60 hertz e no Uruguai, de 50 hertz. O ministro uruguaio previu que a linha de transmissão poderá entrar em operação 24 meses após o início das obras.

O trecho brasileiro do linhão, com cerca de 60 quilômetros, poderá ser construído pela gaúcha CEEE, disse Rondeau. Ele afirmou que a linha se estenderá até Candiota porque ali opera um pólo de geração térmica (à base de carvão).

Brasil e Uruguai já têm em operação sistema de interligação energética, via Santana do Livramento, no Brasil, e Rivera, no Uruguai, com capacidade de transportar 70 MW.


Gás e petróleo

No encontro de ontem entre autoridades dos dois países também ficou acertado que a Petrobras trabalhará com a Ancap, estatal uruguaia do petróleo, para avaliar ações na área de exploração e produção off shore de gás e óleo no Uruguai.

A Petrobras também poderá vir a participar da ampliação e conversão da refinaria de La Teja, da Ancap, para processamento de óleo pesado. No Uruguai, a Petrobras participa da distribuição de gás natural e adquiriu, recentemente, rede de 89 postos de distribuição de combustíveis que pertencia à Shell.

Discutimos projetos para ampliar a presença da Petrobras no Uruguai como também a parceria com a Ancap no desenvolvimento do mercado integrado de energia naquele país, incluindo exploração e produção, distribuição, refino e gás natural“, disse José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras.

Segundo ele, a Petrobras tem interesse de levar óleo Marlim (pesado) para ser processado na refinaria da Ancap com os derivados sendo vendidos nos mercados do Uruguai e Argentina. Daniel Martinez, presidente da Ancap, disse que a ampliação da refinaria de La Teja vem sendo discutida com a PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, e que a Petrobras poderá incorporar-se ao projeto.

Martinez estimou que os investimentos na refinaria, que tem capacidade para processar 50 mil barris de petróleo por dia, podem situar-se entre US$ 400 milhões e US$ 500 milhões. Ele disse que foram encontrados indícios de gás livre (metano) na costa uruguaia em estudos feitos para solicitar às Nações Unidas a extensão do mar territorial uruguaio. São informações preliminares que não dão certeza sobre a possibilidade de achar reservas economicamente viáveis.

O Uruguai importa 100% do petróleo que consome e, em 2005, gastou US$ 900 milhões com compras da commodity. Cerca de 60% do petróleo é importado da Venezuela. Martinez disse que a Ancap não pode oferecer participação em seu capital à Petrobras por uma restrição legal, mas tem condições de fazer parcerias com a estatal brasileira em áreas de negócios.

F.Góes, Valor


F,Couto,Agência CanalEnergia


O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, e o ministro da Indústria, Energia e Minérios do Uruguai, Jorge Lepra, assinaram nesta quarta-feira, 5 de julho, convênio que prevê a implantação de uma interconexão entre os dois países. O projeto envolve a construção de uma linha de transmissão de 400 quilômetros de extensão e em 500 kV, entre San Carlos e Candiota, além da implantação de uma estação conversora de freqüência (60 Hz-50 Hz). O volume de investimento previsto para o empreendimento é de US$ 150 milhões, que será totalmente custeado pelo governo uruguaio.


Na assinatura do acordo, ocorrida na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, Rondeau ressaltou que a iniciativa é o desdobramento de uma integração com o Uruguai iniciada com a interconexão que hoje é capaz de transportar até 100 MW. A linha de transmissão a ser construída tem capacidade de transportar até 1 mil MW – o equivalente à carga média total uruguaiana.


Rondeau destacou ainda que está prevista a formação de um grupo de trabalho sobre o projeto, que iniciará atividades na próxima quarta-feira, 12, com o objetivo de debater o cronograma de implantação do projeto. A previsão é que as obras tenham duração de 18 meses. A gestão técnica do projeto ficará a cargo da UTE – estatal uruguaia de energia. Segundo o ministro uruguaiano, a construção da linha será feita por meio de parceria pública privada, em fase de formatação.


Lepra disse ainda que a parte brasileira corresponde a um trecho de 60 quilômetros de extensão, que será tratada como ponto de conexão pelo governo uruguaiano, sem ônus para o Brasil. A integração teve início a partir da assinatura dos acordos Marco sobre Complementação Energética Regional entre os Estados Parte do Mercosul e Estados Associados, ocorrida em dezembro de 2005, e Quadro de Interconexão Energética entre Brasil e Uruguai, assinado em março deste ano.


Bolívia


Além da assinatura do acordo entre Brasil e Uruguai, Rondeau anunciou que a Petrobras e o governo uruguaiano manifestaram intenção de formar parceria para a ampliação de atividades da estatal brasileira no país vizinho, em especial na área de refino. Segundo o ministro, a medida não tem nenhuma relação com os impasses comerciais entre a Petrobras e a Bolívia, nem visa à substituição de investimentos feitos no país e alterados em função dos desdobramentos da crise.


Com relação ao gás natural, Rondeau afirmou que desconhece qualquer iniciativa do governo brasileiro com o objetivo de negociar os preços do gás natural. “Essa questão está nas mãos da Petrobras e da YPFB – estatal boliviana”, disse Rondeau. O ministro salientou que a questão está nas mãos de grupos de trabalho formados pelos dois países. Na última terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve em Caracas para tratar da adesão da Venezuela ao Mercosul. O evento contou com a presença do presidente boliviano Evo Morales, que teria manifestado intenção de negociar pessoalmente a questão.

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